Omnicom prevê eliminar 15 mil postos de trabalho até ao final do ano

Rafael Correia,

O objetivo do grupo de comunicação é passar dos 120 mil trabalhadores registados no final de 2025 para cerca de 105 mil trabalhadores até ao final deste ano.

O grupo de comunicação Omnicom prevê eliminar cerca de 15 mil postos de trabalho até ao final do ano. A multinacional pretende encerrar 2026 com aproximadamente 105 mil trabalhadores, uma quebra face aos 120 mil registados no final de 2025.

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“Trata-se, obviamente, de uma estimativa aproximada, mas acreditamos que é uma boa previsão daquilo que seremos capazes de alcançar até ao final de 2026“, afirmou Phil Angelastro, chief financial officer (CFO) do grupo, na conferência “Goldman Sachs Communacopia + Technology”, realizada a 10 de setembro. A notícia, avançada pelos meios internacionais, foi confirmada pelo +M após acesso ao áudio do evento.

“Além das reduções de pessoal decorrentes de sinergias — geradas, sobretudo, pela eliminação de custos corporativos e de gestão regional duplicada –, este número inclui outras oportunidades de outsourcing e offshoring. Há também uma parcela relacionada aos desinvestimentos que temos vindo a fazer. Ainda não estão concluídos, mas com bastante progresso nessa área”, detalhou o responsável.

Phil Angelastro sublinhou ainda que estas alterações tiveram “muito pouco impacto nos colaboradores que lidam diretamente com os clientes”, exceto em casos pontuais de ganhos ou perdas de contas.

O +M questionou a Omnicom Media Portugal sobre o número concreto de despedimentos associados a esta meta — quer globalmente e em Portugal –, tendo a empresa optado por não comentar.

A meta de cerca de 105 mil trabalhadores já tinha sido referida no ano passado por John Wren, CEO da Omnicom, ao portal Campaign, embora sem prazos definidos. Na altura, noticiou-se que os analistas da americana Moffett Nathanson previam que as reduções ocorressem já em 2026, enquanto o banco de investimento Barclays apontava para 2027.

Fruto da sua fusão com a IPG, no final do ano passado, a Omnicom avançou que ia demitir mais de 4 mil funcionários ainda em 2025, principalmente em funções administrativas, mas incluindo igualmente alguns cargos de liderança. No final de 2024, os dois grupos totalizavam 128 mil colaboradores. Nos primeiros seis meses de 2026 o grupo contabilizou 51,1 milhões de dólares em custos de indemnizações e reposicionamento, onde se incluem sobretudo rescisões, sem revelar números de trabalhadores.

O impacto da IA no negócio

Sobre a Inteligência Artificial, o responsável foi cauteloso sobre o seu impacto no grupo. “Não me posso pronunciar sobre prazos concretos, mas, em última análise, é provável que existam benefícios decorrentes da IA que levem a uma diminuição do número de colaboradores“, explicou. Ressalvou, contudo, que parte destas reduções poderá ser compensada por novas contratações para dar resposta a novos negócios, e que a IA exigirá uma estrutura de custos diferente.

Tal deverá levar a uma transformação de como as agências são pagas. “O modelo de remuneração por parte dos nossos clientes vai passar por uma transição”, referiu, sublinhando que a mudança será gradual. A Omnicom já debate regularmente como devem ser geridos, medidos e repercutidos nos clientes os custos dos tokens derivados da utilização de IA, embora as discussões ainda estejam numa “fase inicial”.

O grupo antecipa que a remuneração evolua progressivamente dos modelos tradicionais — baseados em pessoas, horas e comissões fixas — para pagamentos associados a entregáveis e resultados. Phil Angelastro deu o exemplo da Flywheel, onde cerca de 80% a 90% da atividade já é remunerada em função dos resultados.

Balanço da fusão com a IPG

Fazendo um balanço dos primeiros nove meses após a fusão com a IPG, Phil Angelastro destacou que os negócios de meios se uniram “de forma bastante rápida e bem-sucedida”, com os benefícios de escala a surgirem desde o primeiro momento.

Recapitulando algumas das mudanças nesta área em Portugal, a junção da Omnicom Media Group com a IPG Mediabrands deu origem à Omnicom Media Portugal, liderada por Bernardo Rodo como CEO. Em abril, o grupo introduziu a Flywheel no mercado português, sendo liderada por André Louraço e Carolina Amaral.

Uns meses mais tarde, com a saída de Sandra Alvarez e Rui Freire (que lideravam a PHD Portugal e da Initiative Portugal, respetivamente), Mariana Daun e Lorena passou a acumular a direção-geral da PHD. A mais recente mudança foi a fusão das agências Mediahub e Hearts & Science — esta última desde 2023 em Portugal — , resultando na Hearts United. Em Portugal, a nova agência é liderada interinamente por Mariana Daun e Lorena.

“O maior desafio foi no negócio da publicidade, ao unir o portefólio da IPG e da Omnicom”, admitiu Phil Angelastro. Notando que esta era uma dificuldade esperada, a reestruturação culminou na eliminação de várias marcas — a nível internacional, resultou no fim das agências DDB, FCB e MullenLowe. “Já passámos pela maior parte desse processo, mas ainda há uma evolução pela frente”, enfatizou.

Em Portugal, a DDB assegurou no final do ano passado a total continuidade da sua atividade pós-fusão. Já o encerramento da FCB a nível internacional ditou o fim da marca FCB Lisboa, levando Edson Athayde e Vera Barros — sócios da empresa — a lançarem a Edson Tech & Soul, em parceria operacional com a Tech & Soul de São Paulo e com presença ativa em Angola.

Perda da conta de meios da Pepsico

O CFO abordou ainda a perda da conta global de meios da PepsiCo para o Publicis Groupe. “A situação com a Pepsi é lamentável e, sem dúvida, dececionante sob a nossa perspetiva — não vale a pena dourar a pílula. Estamos a fazer uma análise detalhada sobre como aconteceu e o que deveríamos ter feito de diferente. Ainda não concluímos esse processo, mas vamos retirar lições disto e levá-las muito a sério”, admitiu. A marca mantém-se, no entanto, como cliente da Omnicom em diversos projetos criativos, desportivos e de relações públicas.

Questionado sobre se este desfecho poderá abrir espaço para tentar conquistar a conta da rival Coca-Cola, notou: “Valorizamos a relação [com a Pepsi], mas, sem dúvida, haverá um pouco mais de flexibilidade no que respeita ao que vamos procurar no futuro.” De acordo com o portal Campaign, a Omnicom e a Dentsu deverão competir pela conta de meios da Coca-Cola na América do Norte, depois de a empresa ter indicado que iria rever a conta. A conta tinha sido conquistada pela Publicis no ano passado.

A indústria publicitária tem assistido à eliminação de vários postos de trabalho a nível mundial. A WPP deverá eliminar até mil postos de trabalho até ao final do ano. Já a Dentsu concluiu até junho 88% dos 3.400 cortes de postos de trabalho anunciados em 2025. Em Portugal, a Dentsu Ibéria garante que “está bem e não vai fechar”

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