EUA admitem ter já armas no Espaço, mas ataque ao Irão gerou “défices estratégicos nos arsenais”
A operação "Fúria Épica" teve um custo estimado de 33,4 mil milhões de dólares (29 mil milhões de euros). Deste montante, 22,3 mil milhões de dólares foram gastos apenas em munições.
O ataque ao Irão está a provocar “défices estratégicos nos arsenais” dos EUA, mas no Espaço, e pela primeira vez, o país admitiu dispor de armas, numa altura em que a China e a Rússia estão a expandir os seus programas militares em órbita.
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“Os Estados Unidos dispõem agora de armas de controlo espacial em órbita, capazes de defender as forças conjuntas contra ações hostis de adversários”, afirmou o secretário da Força Aérea, Troy Meink, numa conferência da Air & Space Forces Association, no Maryland, citado pelo Financial Times.
Que tipo de armas e que capacidades têm Meink não revelou, somente que era “importante do ponto de vista da dissuasão”. Meink justifica com a necessidade do país “operar livremente” no Espaço, domínio relevante para a segurança e economia dos EUA.
O anúncio do secretário da Força Aérea surge num momento em que a Administração Trump está a acelerar o desenvolvimento do seu escudo de defesa antimíssil “Golden Dome”. Segundo Meink, já existe “hardware pronto para voo” para intercetores com base no Espaço.
Operação “Fúria Épica” já custa 33,4 mil milhões de dólares
Mas as capacidades de defesa-ataque do país podem estar comprometidas no domínio da Terra. No início da semana, um relatório do inspetor-geral do Departamento da Defesa dos EUA gerou dúvidas sobre as afirmações de Donald Trump que o país possuía um arsenal “ilimitado”.
O ataque dos EUA ao Irão na operação “Fúria Épica” teve um custo estimado de 33,4 mil milhões de dólares (29 mil milhões de euros). Deste montante, 22,3 mil milhões de dólares foram gastos apenas em munições, aponta o relatório analisando o período de 28 de fevereiro até 30 de junho.
E apesar das diversas pausas ao conflito, sem uma resolução à vista — o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, já veio a público afirmar que negociações com os EUA só irão decorrer quando as condições de Teerão forem cumpridas —, o conflito tem vindo a causar “défices estratégicos nos arsenais” do país, segundo o relatório enviado ao Congresso, noticia a Euronews.
O conflito com o Irão provocou ainda a perda de equipamento militar: destruiu quatro caças F-15, danificou um F-35, sete aviões-tanque KC-135 foram danificados ou destruídos, cinco dos quais atingidos enquanto se encontravam no solo, na Arábia Saudita. Foram ainda destruídos até 30 drones MQ-9 Reaper, com um custo de cerca de 30 milhões de dólares (26 milhões de euros) cada, elenca o relatório.
O relatório descreve ainda danos significativos em bases norte-americanas na região do Médio Oriente, com centenas de edifícios e outras estruturas danificados ou destruídos em bases no Kuwait, no Barém, no Qatar, nos Emirados Árabes Unidos, na Arábia Saudita, no Iraque, em Omã e na Jordânia. Os custos da reconstrução não estão incluídos na estimativa de 33,4 mil milhões de dólares dos custos da operação até junho, nem houve indicação se todas as instalações afetadas serão reconstruídas ou quem irá suportar os custos.
Donald Trump mantém que as reservas de munições do país são praticamente “ilimitadas” e na segunda-feira, numa publicação na Truth Social, defendeu que os níveis de produção de armamento pelas empresas de defesa norte-americanas está em níveis recorde.
“Os Estados Unidos estão a produzir armas mais sofisticadas e de elite do que em qualquer outro momento da nossa História. Estas armas estão a ser entregues diariamente às nossas forças no Médio Oriente e noutras regiões”, disse Trump.

“As fábricas das nossas empresas de defesa estão a funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, ao mesmo tempo que cada uma está a construir, em média, quatro a cinco novas instalações de grande dimensão”, disse ainda, referindo que os focos de produção tem sido os sistemas Patriot, os sistemas THAAD, os Tomahawk e outros sistemas de mísseis Standard, garantindo que são equipamentos que o país dispõe “de grandes quantidades em stock“.
Na época, o Center for Strategic and International Studies (CSIS), citado pela Reuters, estimava que os Estados Unidos tenham menos de mil intercetores Patriot disponíveis e menos de 250 intercetores THAAD, dois dos principais sistemas de defesa aérea norte-americanos. Ambos os sistemas utilizados intensivamente no Médio Oriente.
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