Juros da dívida dos EUA superam máximos de 19 anos

Com a escalada dos preços do petróleo, os investidores estão nervosos na véspera das reuniões decisivas dos bancos centrais dos EUA e do Japão.

As taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro norte-americano a dez anos ampliaram as subidas de segunda-feira e já bateram no nível mais elevado desde junho de 2007. As obrigações estão a ser negociadas com uma yield de 5,034%.

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Com a escalada dos preços do petróleo a alimentar os receios sobre a inflação, os investidores estão nervosos na véspera das reuniões decisivas dos bancos centrais dos EUA e do Japão. Aliás, a yield das obrigações do Estado japonês a dez anos superou os 3% (3,025%) esta terça-feira, atingindo o nível mais elevado desde setembro de 1996.

Já na segunda-feira as yields norte-americanas estavam a dar sinais de alarme ao chegar momentaneamente aos 5,012%, um máximo desde 2023. Esta manhã ultrapassaram esse marco, mas também o máximo registado em junho de 2007 (5,03%).

A yield das Bunds alemãs a dez anos também está em patamares elevados. Ontem as obrigações negociavam com uma rendibilidade de 3,554%, hoje o valor foi superados para os 3,5557%, depois de uma subida acumulada superior a 16 pontos base ao longo da semana anterior, a maior variação semanal desde o início do conflito no Irão.

Os houthis do Iémen, alinhados com o Irão, lançaram uma nova onda de ataques contra a Arábia Saudita na segunda-feira, depois de Riade ter culpado combatentes apoiados pelo Irão no Iraque de um ataque ao oleoduto leste-oeste do reino, que, segundo Riade, poderia interromper até 4% do abastecimento global de petróleo. Os Estados árabes do Golfo também adiaram as conversações previstas com o Irão.

As renovadas preocupações com a oferta mantém os mercados em alerta, com o Brent, que serve de referência para o mercado europeu a valorizar 1,71% para os 107,46 dólares por barril e o crude dos EUA a valer 103,16 dólares por barril, numa valorização de 1,75%.

“É provável que os mercados continuem focados no risco de que os preços mais elevados do petróleo bruto possam agravar as pressões inflacionistas e, por sua vez, pressionar em alta as taxas de juro”, disse Yokoo Akihiko, analista do Banco Mitsubishi UFJ, numa nota aos investidores, citada pela Reuters.

A Reserva Federal norte-americana dá início à reunião de dois dias ainda hoje, com os mercados a apontarem para uma probabilidade de 90% de um aumento das taxas de juro, o que marcaria o primeiro aumento do Fed desde meados de 2023.

“Embora a inflação continue a desacelerar, as recentes surpresas em alta significam que o ritmo da desinflação tem sido mais lento e menos convincente do que” a Fed provavelmente exige, dizem os analistas do Morgan Stanley, prevendo um aumento de 25 pontos base na quarta-feira e outro em dezembro.

A isto soma-se o volume crescente de emissões de dívida, tanto pública como empresarial, com empresas tecnológicas a financiar investimentos em inteligência artificial e data centers, e as dúvidas sobre a trajetória orçamental norte-americana, com défices que obrigam o Tesouro dos EUA a oferecer prémios mais altos para atrair compradores.

A subida dos juros nos títulos de referência dos EUA e da Alemanha tem repercussões que ultrapassam as duas economias. As Treasuries funcionam como ativo de referência para o sistema financeiro global, influenciando o preço de hipotecas, dívida empresarial e obrigações de mercados emergentes em várias moedas.

Uma subida sustentada destas taxas tende a atrair capital para ativos denominados em dólares, reforçando a moeda norte-americana e apertando as condições de financiamento em economias mais frágeis, tornando mais difícil o refinanciamento para governos endividados e empresas com pior notação de crédito.

Bancos, seguradoras e fundos de pensões que detêm dívida de longo prazo também podem registar perdas contabilísticas caso sejam forçados a vender esses títulos antes do vencimento.

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