Lucro do Crédito Agrícola baixa 2% penalizado por margem e Kristin

Custos com sinistros associados à tempestade Kristin penalizaram resultados do grupo liderado por Sérgio Frade. Lucros ascenderam a 168,5 milhões no primeiro semestre.

O lucro do Crédito Agrícola baixou 2,2% no primeiro semestre do ano, penalizado pela redução da margem financeira e também pelo impacto dos custos com os sinistros associados à tempestade Kristin no negócio de seguros.

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O grupo liderado por Sérgio Frade apresentou esta terça-feira lucros de 168,5 milhões de euros relativos aos seis primeiros meses, correspondendo a uma rentabilidade dos capitais próprios de 10,5%.

A margem financeira caiu 1,5% para 328,4 milhões de euros perante a normalização das taxas de juro. Foi um fator de pressão para as contas do sexto maior banco português em ativos líquidos, mas não foi o único.

Os custos de estrutura subiram 8,5% para 254,8 milhões de euros, devido ao aumento dos gastos gerais administrativos (+15,4%) por conta do “esforço continuado de transformação digital e capacitação operacional” e ainda custos de publicidade e marketing. Os custos com pessoal aumentaram 6,1% com a entrada de 86 trabalhadores e a atualização dos salários.

O contributo das empresas de seguros (CA Vida e CA Seguros) cedeu perto de 60% para 5,9 milhões de euros. Tal desempenho foi afetado pelo impacto negativo na CA Seguros do aumento dos custos com sinistros associados às intempéries que tiveram lugar no início do ano, nomeadamente a tempestade Kristin. Os resultados dos contratos de seguros caíram 11% para perto de 50 milhões.

“O impacto [das tempestades] foi de cerca de 50 milhões no nosso caso, que não são totalmente refletidos nas contas da seguradora, pois há resseguros”, explicou Sérgio Frade num encontro com os jornalistas.

O resultado líquido do Crédito Agrícola beneficiou, no entanto, da forte melhoria dos resultados de operações financeiras, que quase duplicaram para 22,5 milhões de euros, “principalmente devido a ganhos obtidos em derivados de cobertura”. Sérgio Frade explicou que o grupo tem uma carteira de 13 mil milhões de euros em dívida pública europeias e para gestão do risco de taxa de juro fazem cobertura via derivados, que vão variando consoante o nível de taxas de juro.

A nível de atividade de crédito, a carteira cresceu 8,1% para 14,5 mil milhões de euros, à boleia do crédito à habitação, sobretudo junto dos jovens ao abrigo da linha da garantia pública. O Crédito Agrícola tem uma quota de quase 60 milhões de euros. E até final de junho já tinham sido concedidos 251,8 milhões de crédito da casa a jovens, correspondendo a perto de 1.500 contratos e a 36 milhões de utilização da garantia do Estado.

Quanto aos depósitos de clientes, subiram mais de 2% para 24,3 mil milhões de euros. Os recursos em seguros de capitalização e fundos de investimento ascendem a 2,8 mil milhões, crescendo 8% desde o início do ano.

(notícia atualizada às 11h08)

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