Purever está “a sondar grandes investidores” para ter novo acionista e fazer aquisições
Fabricante de produtos de isolamento e refrigeração, controlada pela gestora de ativos Draycott, está no mercado para encontrar um comprador com quem possa fechar negócio ainda este ano.
O grupo industrial português Purever, originário de Nelas, está à procura de novos investidores para atingir uma faturação anual superior a mil milhões de euros e fazer mais aquisições. A fabricante de produtos de isolamento e refrigeração, controlada pela gestora de ativos Draycott, está a “sondar o mercado” para encontrar um comprador com quem possa fechar negócio ainda este ano.
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“A Purever vai atingir este ano um patamar de crescimento bastante importante. Consideramos que existem investimentos a fazer e mais possibilidades de aquisições, tanto na Europa como fora da Europa, e para as fazer precisamos de uma estrutura acionista preparada ou mais robusta para poder fazer face a esses investimentos”, explicou ao ECO o fundador e CEO da Purever, Luís Coelho Borges.
Após ser noticiado que a empresa com sede em Lisboa estava à venda, o presidente executivo esclareceu que está em processo de avaliação de opções estratégicas, inclusive se faz sentido avançar com uma mudança na estrutura acionista. “O que estamos a fazer é sondar o mercado de grandes investidores para ver que apreciação têm da empresa e que vontade poderão ter em ajudar-nos, como acionistas, numa nova fase que tentaria puxar a empresa para cima dos mil milhões de euros de faturação”, explicou Luís Coelho Borges. Ou seja, duplicar o volume de negócios, que no final de 2026 deverá rondar os os 490 milhões de euros (15%).
“Temos evitado sempre fazer comentários sobre o assunto [da venda], porque as notícias não respondem exatamente à realidade e é um assunto que diz mais respeito aos acionistas do que, provavelmente, à gestão da empresa. Nada foi discutido. Estamos apenas a ver que aparece alguém interessante. Até já apareceram alguns investidores que não achámos interessantes e não seguimos em frente”, admitiu o CEO da Purever, sem detalhar quais foram os interessados em comprar uma participação.
Temos sempre muitas ofertas, de intermediários ou de famílias com algum negócio que acham que não têm capacidade de continuar a gestão familiar da empresa. Olhamos sempre com critério para elas, se o mercado evolui, se realmente se encaixa na nossa intenção de investimento, se temos dinheiro para avançar ou não.
O objetivo é crescer de forma inorgânica, mantendo a lógica levada a cabo nos últimos 25 anos, que a gestão considera de “êxito” em termos de integração, transformação “positiva”, “criação de riqueza e de evolução”. Entre os exemplos de aquisições estão a Sopromeco (2019), Taver (2023), Misa ou Ardmac (2024). “Queremos reforçar a nossa presença europeia — interessa-nos um pouco a Europa de Leste, por termos menos implantação — e nos Estados Unidos, onde estamos atentos a se existe alguma oportunidade de aquisição para um crescimento mais rápido”, referiu o empresário residente em Madrid.
Tudo porque, além dos candidatos a acionistas, há “sempre” candidatos a serem subsidiárias, sobretudo empresas familiares com entraves de sucessão, garante o fundador da holding especializada em isolamento técnico, refrigeração e ambientes controlados, criada em 2001 a partir de um MBO – Management Buy Out sobre a Dagard Ibérica, cuja fábrica em Nelas havia resultado de uma sociedade conjunta (joint-venture) com o grupo francês com o mesmo nome (65%) e a Sonae (35%).
Grupo avalia “outro investimento” no Texas
Nos Estados Unidos, além dos potenciais alvos de compra, a Purever está “a avaliar um outro investimento, eventualmente no Texas ou outra região” distinta de Atlanta, onde a empresa investiu recentemente os primeiros 16 milhões de euros. O plano é complementar a oferta de produtos específicos para centros de dados, que têm contribuído cada vez mais para o crescimento no volume de negócios, uma vez que todos requerem refrigeração para os seus servidores.
Na Europa, um dos mais recentes contratos foi com a irlandesa Mercury, que está a construir um campus de data centers em Madrid. “Portugal é candidato a um daqueles mega data centers [gigafábrica de IA] que a União Europeia quer fazer, portanto é um mercado que acreditamos que terá potencial no futuro. Embora anda não tenhamos feito nada nesta área em Portugal, estamos interessados em todos os projetos que apareçam”, diz o CEO.

A Purever anunciou esta segunda-feira que vai abrir uma fábrica na Índia, mais precisamente na cidade de Hiderabad, com um investimento inicial de cerca de 20 milhões de euros. A entrada no mercado indiano surgiu com um acordo com a empresa indiana Manaksia Coated Metals & Industries para a criação de uma joint-venture que permitirá instalar a unidade de produção, no sul da Índia.
Em declarações ao ECO, o fundador e CEO da Purever garantiu que a Índia “é uma aposta de longo prazo”, desde logo porque implica “algum grau de fabricação local, pela distância do transporte e pela importância que tem a produção local para os projetos”. “A Índia, pelo seu valor em si mesmo, é um projeto extremamente aliciante, porque temos muitos clientes que nos pedem que estejamos lá”, sublinhou Luís Coelho Borges.
A planta, que deverá abrir em 2027, vai fabricar produtos do grupo português para salas limpas e tecnologia, nomeadamente para as áreas de semicondutores, farmacêutica, automóvel e data centers. Será a nona da Purever, além dos centros em Madrid e Dublin e dos 25 escritórios espalhados por 18 países, a partir dos quais aproximadamente 1.500 trabalhadores fazem instalações técnicas e isolamento térmicos para ambientes que precisam de controlo de poeiras, humidades, proteção contra incêndios, entre outros.
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