Ucrânia ataca refinaria russa após anúncio de acordo pelos EUA

  • Lusa
  • 15 Setembro 2026

Um dia após o anúncio de Trump, a Ucrânia atacou uma refinaria na região russa de Samara, enquanto Moscovo atacou com drones um armazém e dois postos de abastecimento de combustível de Kiev.

A Ucrânia atacou esta terça-feira uma refinaria na região russa de Samara, após o anúncio do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Kiev e Moscovo tinham acordado abster-se de atacar mutuamente infraestruturas ligadas a energia.

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“Ocorreu um novo ataque do Exército ucraniano contra a nossa região. Militares e grupos móveis trabalharam durante toda a noite para derrubar drones inimigos (ucranianos). Ao todo, mais de 40 drones foram abatidos […]. Registaram-se danos numa empresa industrial e em vários edifícios residenciais”, escreveu o governador local, Viacheslav Fedoríschev, nas redes sociais.

Embora não tenha fornecido detalhes sobre a instalação atacada, o canal independente russo Astra e os portais de notícias ucranianos Exilenova e Supernova indicaram que se tratou da refinaria de Syzran, pertencente à petrolífera russa Rosneft.

O Astra recordou que a instalação – com uma capacidade de processamento de até 8,5 milhões de toneladas de crude por ano – já foi atacada cinco vezes.

Na segunda-feira, o Presidente dos Estados Unidos disse através da rede Truth Social que a Ucrânia tinha concordado em não atacar alvos ligados à energia russos, acrescentando que a Rússia “ia fazer o mesmo”. O acordo não foi confirmado pela Rússia.

Na mesma mensagem, Trump acrescentou que o aumento do preço mundial do gasóleo se deve principalmente à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e não ao conflito no Irão provocado pelos Estados Unidos e Israel.

O Presidente ucraniano sublinhou que a Ucrânia vai abster-se de atacar as infraestruturas petrolíferas russas caso obtenha garantias de que a Rússia também tenciona interromper os bombardeamentos contra o sistema elétrico, as infraestruturas de energia essenciais e a logística alimentar do país.

Zelensky recordou que, além do sistema de energia ucraniano, a Rússia ataca diariamente infraestruturas portuárias, logísticas, armazéns de alimentos e de produtos farmacêuticos.

O chefe de Estado ucraniano afirmou que “a Ucrânia não está convencida” de que a Rússia tenha vontade de cumprir o acordo anunciado por Donald Trump, e disse duvidar que o Presidente russo, Vladimir Putin, esteja interessado na trégua parcial.

Durante a última noite, as forças ucranianas atacaram a região russa de Rostov, no sul do país, danificando um centro logístico da rede de comércio eletrónico Ozon, disse o governador local, Yuri Slusar. A Ozon afirmou que, devido à ameaça aérea, a equipa de um centro logístico na cidade de Taganrog foi retirada do local.

Adicionalmente, a Exilenova informou que, entre os alvos atingidos na região, estava a fábrica aeronáutica Beriev, especializada na reparação e na modernização de aviões de guerra russos.

Rússia lança ofensiva contra gasolineiras

O Exército russo atacou com drones um armazém e dois postos de abastecimento de combustível na capital ucraniana, provocando quatro feridos, indicou esta terça-feira o presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, através das redes sociais.

A Rússia iniciou ataques contra os postos de abastecimento de combustível na capital da Ucrânia no final da semana passada. Desde o início do verão que as forças russas têm vindo a realizar uma campanha de ataques contra instalações logísticas das empresas de retalho ucranianas e contra infraestruturas de importação e exportação de produtos na Ucrânia.

As autoridades ucranianas disseram ainda que se registou um outro ataque russo contra uma infraestrutura de armazenamento na região de Odessa, no sul do país. Os ataques afetaram especialmente os supermercados e outras empresas comerciais.

A Rússia — que tem demonstrado maior eficácia do que o habitual nestes bombardeamentos, devido à vulnerabilidade ucraniana face aos mísseis balísticos e aos novos drones com motor a jato — também atacou alvos da indústria farmacêutica ucraniana nos últimos dias.

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