Cientistas “travam” doenças que ameaçam pera-rocha na região Oeste

No futuro, a equipa da Universidade do Porto tenciona alargar o projeto ao resto do país e até a outras árvores de fruto como as macieiras e os marmeleiros.

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE) está a desenvolver ferramentas para detetar precocemente doenças nos pomares de pera-rocha da região Oeste, onde fungos, bactérias e outros microrganismos podem provocar perdas económicas aos produtores. Para tal, no próximo ano vão instalar pequenos captadores de esporos colocados à altura da copa das pereiras em Torres Vedras.

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“Estas doenças podem comprometer seriamente a qualidade dos frutos, reduzir a produtividade dos pomares e provocar perdas económicas significativas e a longo prazo”, começa por alertar Conceição Santos, professora da FCUP e coordenadora deste projeto integrado no LAQV-REQUIMTE, citada num comunicado.

Nesse sentido, a equipa está a desenvolver tecnologias de “diagnóstico molecular de elevada especificidade”, capazes de identificar rapidamente a presença destes organismos. Como “é o caso de uma ferramenta baseada em TaqMAN — uma tecnologia que permite detetar e quantificar, em tempo real, material genético de patógenos — para distinguir populações de Stemphylium patogénicas para a pereira”, detalha a FCUP na mesma nota.

Estas doenças podem comprometer seriamente a qualidade dos frutos, reduzir a produtividade dos pomares e provocar perdas económicas significativas e a longo prazo.

Conceição Santos

Professora da FCUP e coordenadora deste projeto integrado no LAQV-REQUIMTE

Com esta investigação, a equipa quer perceber se nestes pomares há fungos, bactérias ou outros microrganismos causadores de doenças, antes de os seus efeitos serem visíveis na pera-rocha.

Este trabalho é desenvolvido no âmbito do projeto europeu BiomeHealth, com um financiamento de 1,5 milhões de euros — atribuídos pelo programa Horizonte Europa –, e centra-se, essencialmente, num fungo e numa bactéria. O primeiro, o Stemphylium vesicarium, é o responsável pela mancha castanha da pereira, e o segundo, “a Erwinia amylovora, pelo fogo bacteriano“.

Segundo a equipa de investigadores, “estes organismos, causadores de vários prejuízos nestas árvores de fruto, têm formas de atuação distintas. A dificuldade está em detetá-los precocemente, distingui-los e perceber quando e como devem ser atacados para reduzir a aplicação de pesticidas”.

No futuro, a equipa tenciona alargar o projeto ao resto do país para estudar a realidade dos pomares portugueses, incluindo também outras árvores de fruto, como as macieiras e os marmeleiros. Mas, por enquanto, está mais focada no desenvolvimento de ferramentas específicas para a região Oeste.

Segundo a universidade, tem sido fundamental neste projeto a componente de formação, um dos grandes propósitos do BiomeHealth. “A equipa da FCUP e LAQV-REQUIMTE faz-se essencialmente de jovens investigadores, entretanto capacitados por duas instituições europeias de referência mundial na área da saúde vegetal, que integram o projeto: a Universidade de Wageningen, nos Países Baixos, e a Universidade de Bolonha, em Itália”, descreve.

A equipa pretende capacitar investigadores, agricultores e indústria, assim como contribuir para uma agricultura mais sustentável, competitiva e resiliente.

Para além de Conceição Santos, integram também a equipa FCUP/LAQV-Requimte os investigadores Nuno Mariz-Ponte, Catarina Leal, Paulo Pinto, Marino Santos, Laura Regalado, Sara Mendes, Carlos Barros, Lara Amorim, Juliana Fernandes, Emil Gimranov, Igor Portis, Rodrigo Ribeiro, Beatriz Abreu e o docente e investigador Fernando Tavares, do Departamento de Biologia.

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