Empresas estão a contar subir salários em 3,4% em 2027
Setor tecnológico volta a ser aquele em que o aumento salarial médio é mais expressivo. Em causa está uma subida média de 4,5%, acima do acréscimo de 3,4% previsto para conjunto do mercado.
O próximo ano deverá ficar marcado por uma ligeira aceleração dos salários face à evolução que tem sido observada ao longo de 2026. De acordo com as previsões da consultora de recursos humanos Korn Ferry, as empresas estão a contar avançar com um aumento salarial médio de 3,4%, sendo que o setor tecnológico volta a destacar-se ao atribuir os reforços remuneratórios mais expressivos do mercado.
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“De acordo com os resultados do estudo salarial realizado em Portugal, cerca de 99% das empresas inquiridas prevê atribuir aumentos salariais em 2027. Considerando o conjunto dos setores de atividade e o atual contexto macroeconómico, o aumento salarial médio previsto situa-se em 3,4%“, sublinha a Korn Ferry, numa nota enviada esta quarta-feira às redações, com base em respostas de mais de uma centena de empresas.
Segundo a consultora, esse valor corresponde a um “ligeiro aumento face às estimativas e aos aumentos efetivamente praticados em 2026“, o que acompanha a aceleração da inflação e a instabilidade geopolítica.
Quanto às diferenças entre os vários setores de atividade, as tecnologias de informação voltam a destacar-se. As empresas desta área estão a apontar para um aumento médio de 4,5% dos salários, o mais elevado da economia nacional. Seguem-se as empresas de petróleo e gás (4,3%), de construção e materiais de construção e de transportes (3,6%).

“Analisando por grupo funcional, são novamente as funções de base (administrativos / operativos) que apresentam o maior aumento previsto no mercado geral, com 3,6%, refletindo também a pressão associada à evolução do salário mínimo e a necessidade de preservar competitividade salarial e diferenciação interna entre níveis”, salienta a Korn Ferry.
Na análise agora divulgada, é ainda realçado que mais de seis em cada dez empresas afirma que a inflação continua a influenciar a intenção de aumentos salariais, mas há também outros fatores a considerar, como a dificuldade na retenção de talento (32% das empresas assinalam esse ponto).
Já relativamente ao grau de concretização das intenções definidas para 2026, cerca de 68% das empresas aplicaram os aumentos inicialmente previstos, enquanto 16% ficaram abaixo do planeado, com revisões efetivas inferiores às intenções comunicadas no início do ciclo, e as restantes ficaram acima do previsto.
Por outro lado, a Korn Ferry adianta que a Inteligência Artificial, a transformação do trabalho e a atração e retenção de talento surgem como as principais prioridades da agenda de recursos humanos para 2027, sendo referidas por 58% das organizações. A transparência salarial e a equidade também merecem destaque, sendo mencionadas por 56% das empresas inquiridas.
“O desenvolvimento de competências e reskilling é apontado por 40% das organizações, reforçando a importância da adaptação das competências às novas necessidades do negócio”, é ainda apontado.
“No seu conjunto, os resultados evidenciam uma agenda de RH cada vez mais abrangente, em que a transformação do trabalho, a capacidade de atrair e reter talento e a criação de práticas de compensação mais transparentes e equitativas assumem um papel central para 2027″, remata a Korn Ferry.
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