“Estamos a utilizar apenas 10% do valor potencial da IA nas empresas”, alerta CEO da Anthropic
Dario Amodei mostrou-se surpreendido com a velocidade com que a IA se tornou central para as empresas e para a economia e defendeu ainda uma resposta conjunta da indústria aos desafios de segurança.
O CEO da Anthropic considera que as empresas estão ainda a utilizar apenas uma pequena parte do potencial da inteligência artificial (IA), estimando que a tecnologia esteja a gerar apenas uma percentagem reduzida do valor que poderia vir a proporcionar. “Ainda há muito por fazer”, considerou esta terça-feira Dario Amodei, na conferência anual da Salesforce, que decorre esta semana em São Francisco, nos EUA.
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“Estamos provavelmente a utilizar apenas 5% ou 10% do valor potencial desta tecnologia”, sublinhou o líder da empresa de IA e uma das maiores da indústria, defendendo no Dreamforce 2026 que a margem de crescimento da utilização empresarial da IA continua a ser muito elevada, mesmo que a tecnologia não evoluísse a partir do estado atual.

Ao mesmo tempo, o responsável admitiu estar surpreendido com a rapidez com que a IA passou a ter impacto económico e empresarial no mundo. O líder da empresa responsável pelo Claude considera que a velocidade de adoção da tecnologia tem sido uma das maiores surpresas da última década.
Dario Amodei diz que, embora as chamadas scaling laws, que relacionam o aumento dos recursos utilizados no treino com a evolução das capacidades dos modelos, já permitissem antecipar o progresso tecnológico, a dimensão do impacto económico foi mais difícil de prever. “Fiquei surpreendido com a possibilidade de existir um ritmo tão acelerado no mundo empresarial”, afirmou.
Um dos exemplos que deu foi precisamente a utilização do Claude em conjunto com a Salesforce, uma parceria que foi anunciada no final de agosto. Segundo Dario Amodei, um executivo da Anthropic utiliza atualmente um modelo de IA sobre os dados da Salesforce para analisar o negócio da empresa, identificando, por exemplo, os maiores negócios em curso, aqueles com maior probabilidade de serem perdidos, os temas comuns aos processos comerciais e formas de aumentar as probabilidades de fechar esses negócios.

Para Amodei, este tipo de utilização mostra que a IA pode deixar de ser apenas uma ferramenta de conversação e passar a trabalhar diretamente sobre a informação e os processos das empresas. O problema, na sua perspetiva, é que este tipo de utilização continua a ser pouco disseminado face ao número de organizações que poderiam retirar valor da tecnologia.
Segurança da IA deve envolver empresas, indústria e governos
Numa conversa com Marc Benioff, CEO da Salesforce, Dario Amodei abordou também a segurança da IA, depois de, no fim de semana, o CEO da Anthropic ter publicado um ensaio em que defende a necessidade de acompanhar o ritmo de desenvolvimento dos modelos de IA com medidas de segurança.
Amodei recorreu a uma analogia com a indústria automóvel para explicar a abordagem que considera mais responsável. Se uma empresa concorrente tiver um problema de segurança, a resposta não deve passar simplesmente por apontar o dedo ao concorrente e afirmar que a própria empresa é mais segura. “Vamos olhar para o nosso próprio projeto”, defendeu. Mesmo sem ter ocorrido um incidente de grande visibilidade, “tenho a certeza de que não somos perfeitos”, afirmou.
O responsável defende, por isso, que as empresas devem melhorar as suas próprias práticas, reforçar a transparência e investir mais em segurança. Mas considera que a responsabilidade não deve ficar limitada a cada empresa.
O passo seguinte deverá passar, na sua visão, pela organização da própria indústria para definir padrões comuns de segurança. “O que podemos fazer para estabelecer padrões para todos?”, questionou.
Finalmente, Amodei considera necessária uma dimensão internacional, com cooperação entre países para responder aos riscos associados ao desenvolvimento da IA. A proposta passa assim por três níveis: cada empresa melhorar as suas próprias práticas de segurança, a indústria estabelecer padrões comuns e, por fim, criar mecanismos de cooperação internacional.
O jornalista viajou até São Francisco a convite da Salesforce.
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