Miguel Stilwell: “Se queremos ser independentes, temos de construir data centers na Europa”

CEO da EDP diz que corrida à IA é positiva para a elétrica, mas avisa que ainda há pouca infraestrutura no continente europeu. Discussão "não pode ser se precisamos ou não precisamos de data centers".

O CEO da EDP na AI Summit 2026EDP

O presidente executivo da EDP alertou esta quarta-feira que a Europa está “muito atrás” dos EUA e da China na corrida à infraestrutura para inteligência artificial (IA), afirmando que “apenas 5% dos centros de dados” a nível mundial estão nesta região. Para o gestor, “a discussão não pode ser se precisamos ou não precisamos de data centers“, disse.

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“Todos os nossos dados estão fora da Europa. Se queremos ser independentes, temos de construir data centers“, afirmou o líder da elétrica, numa altura em que o setor enfrenta contestação em algumas geografias, incluindo até nos EUA.

O gestor falava na AI Summit, um evento organizado pela EDP, que decorreu esta terça e quarta-feira, na sede da empresa. Segundo Miguel Stilwell, a EDP está no centro desta tendência: “Em termos de infraestrutura, não há IA sem centros de dados e não há centros de dados sem eletricidade. E nós somos uma empresa de eletricidade.”

Para a EDP, este é um dos grandes filões de crescimento neste momento, tendo contribuído para a empresa passar de cerca de 800 milhões de euros de lucro anual em 2024 para mais de mil milhões no ano passado, com previsão de 1,4 mil milhões este ano. O CEO explicou que o desafio é “como continuar a crescer”, reconhecendo que o principal receio dos investidores é a estagnação da EDP.

Afirmando que Portugal e Espanha são particularmente competitivos para albergar infraestrutura de IA, Miguel Stilwell indicou que se os “governos, reguladores e políticos o permitirem, poderemos ter muito investimento aqui, criar valor, aumentar a prosperidade do país e ter IA disponível na Europa”.

“Para isso, precisamos de mais geração [de eletricidade]. Para este consumo precisamos de mais oferta. Essa é a nossa função. Se houver mais procura, construiremos mais projetos”, disse Miguel Stilwell, acrescentando esperar que seja “uma oportunidade não apenas para as empresas de IA, mas também para a EDP, para criar valor para a empresa”.

O CEO assumiu também “a preocupação” de garantir a sustentabilidade desta corrida à IA, defendendo a aplicação de critérios como a reduzida utilização de água para arrefecimento, o pagamento de impostos no país e a criação de emprego.

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