Portugal paga mais de 3% por dívida de curto prazo

IGCP foi esta quarta-feira ao mercado e por conta da instabilidade pagou a taxa de juro mais alta em mais de dois anos por um financiamento de mil milhões de euros.

Portugal levantou mil milhões de euros a curto prazo numa operação de financiamento em que os investidores exigiram uma taxa de juro superior a 3%, a mais elevada em mais de dois anos, refletindo a instabilidade nos mercados de dívida globais.

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O IGCP pagou uma taxa de juro de 3,103% no leilão de Bilhetes do Tesouro a 12 meses, bem acima da taxa de 2,682% do último leilão comparável, realizado há apenas dois meses.

É preciso recuar a maio de 2024 para verificar uma taxa de juro mais elevada em financiamentos a 12 meses. Nessa operação a agência que gere a dívida pública levantou 750 milhões de euros a uma taxa de 3,451%.

O leilão desta quarta-feira contou com uma forte procura, que ascendeu a 2,2 mil milhões de euros, mais do dobro do que o IGCP veio realmente a levantar.

Ainda assim, o custo dos títulos de dívida disparou por conta da pressão que está a sacudir os mercados obrigacionistas em todo o mundo. A escalada na guerra no Irão está a provocar uma nova subida nos preços da energia e os riscos de uma espiral inflacionista levam os investidores a anteciparem-se ao aperto financeiro dos bancos centrais.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Como já tem acontecido de resto. O Banco Central Europeu (BCE) já subiu as taxas por duas ocasiões desde junho e os mercados apontam para mais duas subidas até final do ano. A Reserva Federal americana deverá fazer o mesmo esta quarta-feira.

É este contexto que está a colocar os países mais endividados sob pressão. Os juros da dívida americana escalaram esta semana para máximos de quase duas décadas, superando a fasquia dos 5%. Nenhum país escapa a esta pressão.

“Apesar de não evidenciar uma pressão particularmente forte por parte dos investidores, o resultado demonstra que continua a existir uma procura sólida por dívida pública portuguesa de curto prazo, mesmo num contexto de yields mais elevadas e de maior volatilidade nos mercados obrigacionistas”, salienta Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa.

“A subida da taxa de colocação deve, assim, ser interpretada sobretudo como consequência da evolução das taxas de mercado e não como reflexo de uma deterioração da perceção de risco de Portugal”, acrescenta.

(Notícia atualizada às 11h18)

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