Sword Health confirma negócio com a Headspace e espera concluir compra no quarto trimestre

Unicórnio da tecnologia para saúde já assinou o acordo para aquisição da empresa norte-americana especializada em saúde mental, que considera um dos “movimentos mais importantes” da sua história.

O unicórnio Sword Health confirmou esta quarta-feira que assinou o acordo para adquirir a empresa norte-americana Headspace para se expandir na área da saúde mental. O negócio deverá ser fechado até ao início do quarto trimestre, embora a expectativa inicial indicasse que a conclusão seria ainda em setembro.

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O objetivo da transação é acelerar a estratégia para os cuidados de saúde mental, portanto envolve tanto a marca, como os acordos de distribuição corporativa e a base de clientes (consumidores). Segundo a agência Bloomberg, esta expansão na área de atividade implicou um investimento na ordem dos 300 milhões de dólares (cerca de 260 milhões de euros à cotação atual).

“Embora a área da saúde tenha tradicionalmente dividido o corpo humano em especialidades desconectadas e soluções pontuais, a investigação mostra que a saúde física e mental são indissociáveis. A Sword construiu a sua plataforma de inteligência artificial [IA] para cuidados em torno desta ligação, utilizando a IA em conjunto com profissionais clínicos para tratar a pessoa como um todo”, justifica a empresa fundada a partir de uma investigação na Universidade de Aveiro.

Aquisição traz “oportunidade alcançar mais milhões”

A Sword Health nasceu com soluções ligadas à saúde musculoesquelética, mas entretanto incluiu saúde da mulher, cardiometabólica, operações de cuidados de saúde e mental. Para a nova dona da Headspace, não só a sua ‘subsidiária’ impactou a vida de 100 milhões de pessoas como a sua base clínica é “sólida”, por ser composta por 84 estudos, e mais de 20 mil acordos com empresas que dão acesso à aplicação aos seus colaboradores, além de seguradoras.

“Este é um dos movimentos mais importantes que fizemos na nossa história. Estamos a desenvolver um novo modelo de cuidados de saúde mental que compreende cada pessoa, recorda o seu histórico e antecipa as suas necessidades, 24 horas por dia, sete dias por semana. Já tratámos mais de um milhão de pessoas com o AI Care e, com o Headspace, temos a oportunidade de alcançar mais milhões”, afirmou o fundador e CEO da Sword Health, Virgílio Bento, em comunicado divulgado online.

A Headspace mantém-se operacional, mas vai ter algumas mudanças devido a esta compra. Com a aplicação dos modelos de inteligência artificial da Sword Health, a plataforma digital terá maior personalização, mais intuição no processo de navegação e identificação “precoce” das necessidades dos seus membros individuais, sendo que as empresas e entidades públicas que estão podem tirar proveito da rede de cuidados da Headspace com mais de 15 mil profissionais, entre os quais terapeutas.

“A Headspace sempre teve o compromisso de disponibilizar apoio em saúde mental a qualquer pessoa, independentemente do local onde se encontra. Unir-nos à Sword dá-nos a plataforma para expandir esta missão com um modelo de cuidados que compreende cada pessoa individualmente, lembra-se do seu historial, adapta-se continuamente e aciona um profissional clínico quando é necessário”, explicou o CEO da Headspace, Tom Pickett.

Fundada em 2010 por Richard Pierson e Andy Puddicombe, a Headspace ficou conhecida por criar uma aplicação de meditação e mindfulness, mas foi alargando o portefólio de serviços e crescendo através de parcerias e com um foco claro na qualidade da voz e do som. Atualmente, tem uma ampla oferta de funcionalidades e mecanismos para diferentes objetivos de saúde mental, entre os quais dormir melhor, controlar a ansiedade ou praticar meditação. Para tal, o utilizador pode, consoante o seu intuito ou necessidade, escolher entre guias práticos de como iniciar meditação, playlists de histórias ou músicas para adormecer, cursos de respiração, entre outros.

Nem sempre o percurso foi fácil. Em 2023, o jornal Los Angeles Times noticiou que uma vaga de despedimentos de 33 terapeutas causou preocupações entre os pacientes, que perderam por completo o contacto com os profissionais de saúde. Isto porque, logo após o lay-off, os psicólogos foram desligados da plataforma, sem aviso prévio, e não conseguiam informar os pacientes de que haviam perdido os seus empregos e não lhes poderiam continuar a prestar apoio.

Pouco depois, no final de 2024, o também unicórnio anunciou que iria pôr fim à sua equipa de terapeutas e eliminar 13% da sua força de trabalho no ano seguinte, argumentando que os cortes eram necessários para “reestruturar” a empresa e “regressar às raízes, impulsionando inovações tanto em tecnologia como em modelos de serviço que transformem os sistemas existentes”, como noticiou a Behavioral Health Business.

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