Transtejo quer atracar no Parque das Nações já em 2027. Próximos barcos serão menores e mais rápidos

Barcos da Transtejo/Soflusa chegarão ao extremo oriental de Lisboa no próximo ano. Empresa pública e autarquia ultimam protocolo, anuncia presidente da transportadora.

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O transporte fluvial no Tejo do leste ao oeste dos limites territoriais de Lisboa deverá acontecer em 2027, com a abertura do cais do Parque das Nações. Neste plano de levar a transportadora fluvial ao ponto nascente da cidade, Rui Rei, presidente da Transtejo/Soflusa, diz estar “a terminar” o protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa.

Já do lado poente da capital, a ligação entre Trafaria (Almada) e Algés, inaugurada em julho, estará a todo o vapor, “o dia inteiro”, ainda este mês, quando começará a funcionar no horário total, indica ainda Rui Rei.

Num evento organizado pela transportadora para celebrar aquela que chama de maior operação fluvial do mundo 100% elétrica, o gestor público disse ao ECO/Local Online que espera ter a aprovação do protocolo com a Câmara de Lisboa a tempo de fazer as obras no Parque das Nações e colocar em marcha a operação até àquele cais já em 2027.

Ainda que a frota esteja hoje repartida equitativamente entre uma dezena de navios elétricos e outros tantos a gasóleo (destes, mais de dois terços servem o Barreiro), o plano da transportadora é fazer uma transição para a mobilidade sem emissões. “Temos um compromisso de apresentar entre o fim deste ano e no primeiro trimestre, ao Ministério, uma proposta de renovação total da frota“, explicou Rui Rei aos jornalistas.

Para tal, está a ser feito, com uma entidade externa, um estudo de procura e oferta nas duas margens do Tejo. Tal como o presidente da Transtejo/Soflusa tinha antecipado em entrevista ao ECO/Local Online, a empresa está a planear orientar as futuras aquisições para um tipo de embarcação distinto das atuais dez.

"A algumas conclusões já chegámos nos últimos meses. Não necessitaremos no futuro de comprar embarcações tão grandes, com tanta dimensão. O que vamos necessitar é, por princípio, embarcações ligeiramente mais pequenas e mais ágeis e, eventualmente ligeiramente com maior velocidade de ponta.”

Fazendo um balanço do consulado iniciado em novembro do ano passado, Rui Rei, presidente da companhia pública, destacou o fim da supressão de carreiras de Cacilhas, que se cifrava em 30% de corte permanente, e o alargamento do horário dali para o Cais do Sodré, agora entre 5h00 e 2h30.

Outros pontos notados é que o Cegonha Branca, primeiro catamarã elétrico da frota e que esteve parado durante dois anos, “está reparado e em pleno funcionamento”. E no Barreiro, “onde nunca esteve previsto” ter este tipo de embarcação ao serviço, já começaram a atracar carreiras elétricas. Tudo contributos para que o transporte em navios elétricos tenha excedido os cinco milhões de passageiros, dos quais cerca de três milhões em Cacilhas.

“Não podemos ficar sem uma parte da frota a diesel sem garantir que a prazo temos um plano para a substituir completamente”, diz Rui ReiHugo Amaral/ECO

Maior operação fluvial 100% elétrica do mundo

A Transtejo/Soflusa anuncia ter a maior operação 100% elétrica do mundo, usando como indicadores o número de navios elétricos em operação e os 5.400 lugares disponibilizados na totalidade destas embarcações.

Ainda assim, os barcos com motor a gasóleo não estão a ser afastados na totalidade, explica Rui Rei. “Temos vindo a protelar alguma outra substituição e temos vindo a fazer fortes investimentos na manutenção da frota a diesel porque ainda precisamos de uma boa parte para fazer outras operações, incluindo as novas de Algés e, eventualmente, no Parque das Nações. Não podemos ficar sem uma parte da frota a diesel sem garantir que a prazo temos um plano para a substituir completamente”, apontou.

O plano para a frota elétrica começou a ganhar forma em 2020, com o processo de aquisição para 10 novos navios, num investimento de 97 milhões de euros. A modernização da frota, com apoio de fundos europeus, iniciou-se em março de 2023 com o Cegonha Branca, até que em outubro de 2025 atracou o décimo navio, Peneireiro Cinzento, mais um nome proveniente da avifauna autóctone do Tejo.

Baterias alimentadas pelas torres de carregamento instaladas nos cais (apenas até 90%, para as preservar), espaço para bicicletas e trotinetas, wifi gratuito e 540 lugares a bordo de cada navio são algumas das características da operação.

Cacilhas e Seixal já estão servidos por operação 100% elétrica e no Montijo isso acontecerá “em breve”, contribuindo para a redução do consumo de gasóleo que já se pauta em 1,74 milhões de litros, segundo a empresa, que estima ser o equivalente a 87 mil viagens de carro entre Lisboa e Porto.

Rui Rei deixou ainda um desafio a quem diariamente viaja do Seixal para Lisboa: “todos aqueles milhares de passageiros que, entretanto, optaram por ir pela Fertagus, podem começar a vir pela Transtejo, porque virão 540 passageiros de cada vez, normalmente sentados, com conforto, com wifi, em breve a ver televisão. Aplica-se ao Seixal o que se aplicará também ao Barreiro, ao Montijo, a Cacilhas e a todas as restantes operações”, assegurou.

Para o evento desta quarta-feira, a Transtejo/Soflusa mobilizou a frota elétrica para as águas do Tejo em frente ao Cais do Sodré.

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