MFE: Litígio do ‘Pasapalabra’ leva acionista da Impresa a prejuízo no primeiro semestre
A MFE aproveitou a apresentação de resultados para revelar a sua nova plataforma unificada de publicidade simulcast.
A MediaForEurope, dona do grupo Mediaset e segundo maior acionista do grupo Impresa, registou um prejuízo de 6,4 milhões de euros durante o primeiro semestre de 2026. O resultado traduz uma forte queda face aos 130,2 milhões de euros de lucro reportados no período homólogo de 2025.
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Mesmo quando comparado com os resultados Pro Forma — no qual o grupo recalculou os valores do primeiro semestre de 2025 para incluir os 75,61% da ProsiebenSat.1 que passou a deter no final do ano –, o valor registado nos primeiros seis meses deste ano representa um agravamento face ao prejuízo de 2,6 milhões de euros apurado na base comparável do período homólogo.
O prejuízo reflete no entanto o impacto direto do litígio em Espanha referente ao concurso televisivo “Pasapalabra”. Segundo o relatório financeiro, a Mediaset Espanha foi condenada a pagar 75,4 milhões de euros à ITV Studios, decisão que, de acordo com a imprensa internacional, assentou na exploração comercial do formato entre 2012 e 2019 sem autorização. No entanto, a MFE já adiantou que está a analisar vias legais para contestar o cálculo da verba, tendo já reconhecido 54,8 milhões no primeiro semestre.
Retirando o peso deste encargo judicial e das amortizações contabilísticas ligadas sobretudo à aquisição da ProSiebenSat.1 e a outras aquisições anteriores, a MFE registou um lucro líquido ajustado de 50,5 milhões de euros. O valor fica abaixo dos 135 milhões de euros reportados nos primeiros seis meses de 2025, mas representa um crescimento expressivo face ao valor Pro Forma de 6,9 milhões de euros do primeiro semestre do ano anterior.
As receitas consolidadas no semestre fixaram-se nos 2,95 mil milhões de euros. Em termos reportados, o valor é superior aos 1,43 mil milhões de euros do período homólogo, mas na comparação Pro Forma regista-se uma ligeira descida face aos 3,14 mil milhões de euros. Por sua vez, os custos operacionais foram de 2,43 mil milhões de euros, conta 1,12 mil milhões no período homólogo e 2,66 mil milhões em Pro Forma.

“Num mercado que se revelou extremamente complicado nos primeiros seis meses de 2026 — também devido à presença de grandes eventos desportivos em canais concorrentes –, a MFE fechou o semestre com um lucro operacional ajustado (EBIT ajustado) de 146 milhões de euros, bastante acima das estimativas, impulsionado por um impulso consistente no conteúdo televisivo e digital, aliado à rápida obtenção de novas eficiências e sinergias”, sublinhou Pier Silvio Berlusconi, presidente e presidente executivo (CEO) da MFE:
O líder da MFE adiantou ainda que, só no segmento de entretenimento, o grupo alcançou no semestre “mais de 200 milhões de euros em eficiências e otimizações, a um ritmo duas vezes mais rápido do que o previsto para a totalidade de 2026″.
Nova plataforma publicitária unificada lançada a 23 de setembro
A MFE aproveitou a divulgação de resultados para anunciar o lançamento do ALL 21 Europe, agendado para o próximo dia 23 de setembro. Trata-se de uma nova plataforma unificada de publicidade simulcast (linear e digital) para os seus mercados de Espanha, Itália e Alemanha.
“Vamos combinar o alcance dos principais canais em Itália, Espanha e Alemanha. Proporcionaremos aos anunciantes uma proposta muito simples e fácil de comprar, com acesso a uma audiência de 14 milhões de espetadores num único minuto“, detalhou Matteo Cardani, chief marketing officer da MFE Advertising, durante a conference call com analistas e investidores. De acordo com o executivo, a plataforma vai permitir publicitar em simultâneo — ao exato minuto — nos três mercados da MFE.
Durante a mesma conference call, o grupo abordou o recente ‘desgelo’ nas relações com a francesa Vivendi — o que poderia alargar o âmbito da atividade da MFE para França –, noticiado nos últimos dias pela imprensa italiana. O CFO da MFE, Simone Sole, esclareceu que não existem planos conjuntos no horizonte. “São contactos profissionais. Acredito que estão satisfeitos como acionistas pelos dividendos que distribuímos, mas de momento não há projetos nem cooperação industrial em curso“.
Impacto da MFE na Impresa
Apesar de o grupo Impresa não ter sido mencionado na apresentação de resultados da MFE, existe referência à operação de entrada no capital no relatório do semestre. “Em 30 de junho de 2026, o processo de alocação do preço de compra não tinha sido concluído e os justos valores dos ativos e passivos identificáveis adquiridos tinham sido determinados a título provisório”, pode ler-se.
Seis meses após a entrada formal no capital da dona da SIC, “não há um marco específico para assinalar neste momento, mas [a parceria] vai-se sentindo na operação comercial“, explicou Francisco Pedro Balsemão ao +M na recente apresentação da nova temporada da SIC.
É nessa área que, em junho, se concretizou a entrada de Pietro Casiraghi , vindo da MFE, para assumir o cargo de business development director da Impresa, que também marcou presença no evento. “Pretende-se reforçar a relação com determinados anunciantes que podem ter cá equipas, mas não o centro de decisão. Como têm presença europeia e a MFE já interage com esses anunciantes e com as agências, isso pode trazer mais negócio para o grupo Impresa em Portugal”, explica Francisco Pedro Balsemão. Já nas áreas de AdTech, tecnologia e venda de conteúdos, garante que os processos estão em curso. “Sempre que houver algo mais relevante, isso saber-se-á.”
Recorde-se que, no semestre que fica marcado pela entrada da MFE no grupo dono da SIC, a Impresa fechou os primeiros seis meses do ano com um resultado negativo de 3,4 milhões de euros. Apesar de no vermelho, o número traduz uma melhoria de 32,4% euros na comparação com o período homólogo.
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