BCE rejeita relação “automática” entre subida dos preços da energia e taxas de juro

  • Lusa
  • 18 Setembro 2026

Além dos preços da energia, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, salientou que a política monetária também acautela o crescimento e o consumo.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, rejeitou esta sexta-feira uma relação “automática” entre a evolução dos preços da energia e das taxas de juro, salientando que a política monetária também acautela o crescimento e o consumo.

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“As taxas de juro não acompanham automaticamente a evolução dos preços da energia, porque, obviamente, o preço da energia e o seu impacto nos preços têm também efeitos sobre outros fatores, nomeadamente o crescimento e o consumo, e temos todos esses elementos em consideração“, disse Lagarde, em conferência de imprensa após a reunião informal dos ministros das Finanças da Zona Euro, em Dublin pela presidência irlandesa do Conselho da UE.

“Portanto, não existe um mecanismo automático de correspondência entre os dois“, insistiu.

O BCE decidiu, na semana passada, aumentar as três principais taxas de juro em 25 pontos base, justificando a decisão com as pressões inflacionistas provocadas pelo conflito no Médio Oriente, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão, e com a necessidade de garantir que a inflação se fixa na meta de 2% para estabilidade dos preços.

“Como sabem, aumentámos as nossas taxas em 25 pontos base. A incerteza define em grande medida o nosso horizonte económico e ficou muito claro para todos que esta decisão era necessária para cumprirmos o nosso compromisso de atingir a nossa meta de 2% no médio prazo”, reforçou Christine Lagarde.

A posição surge numa altura em que a guerra no Médio Oriente está a pressionar os preços da energia, aumentando os riscos de novas pressões inflacionistas, e num contexto em que o BCE tem mantido as taxas de juro em níveis elevados para assegurar a estabilidade dos preços.

Esta sexta-feira, realiza-se em Dublin o encontro informal do Conselho de Assuntos Económicos e Financeiros, juntando os 27 ministros — incluindo o português, Joaquim Miranda Sarmento — para troca de pontos de vista sobre questões estratégicas, sem tomada de decisões. Um assunto abordado foi a futura moeda eletrónica que será emitida pelo BCE, o euro digital.

Nestas declarações à imprensa, Christine Lagarde exortou: “Esperamos muito que o processo legislativo atualmente em discussão sobre o euro digital seja concluído e finalizado antes do final deste ano — e quanto mais cedo, melhor”. “Estou muito grata à presidência irlandesa [do Conselho da UE], que indicou a sua determinação em fazer avançar esta questão, para que possamos avançar com a implementação do projeto-piloto, de acordo com o previsto, em meados de 2027″, disse ainda.

Em julho passado, o Parlamento Europeu aprovou o início das negociações com o Conselho da UE sobre a criação do euro digital, uma nova forma eletrónica de dinheiro emitida pelo Banco Central Europeu. Tal ‘luz verde’ permitiu dar início às discussões entre as instituições europeias sobre a matéria, com a participação da presidência irlandesa do Conselho, em representação dos Estados-membros. A proposta prevê que o euro digital funcione como complemento ao dinheiro físico e aos atuais meios de pagamento eletrónicos, podendo ser utilizado tanto com ligação à internet como em modo ‘offline’.

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