Inflação, combustíveis e prestação da casa. O aumento do custo de vida em cinco gráficos

  • Diogo Mendo Fernandes
  • 18 Setembro 2026

O primeiro impacto da guerra veio dos preços dos combustíveis e passou depois para a inflação, levando o BCE a atuar. A principal intervenção do Governo tem sido por via de descontos no ISP.

Na semana de regresso dos deputados ao Parlamento, um dos temas quentes é o aumento do custo de vida dos portugueses. O debate de urgência, pedido pelo Partido Socialista (PS), acontece esta sexta-feira. Os socialistas pretendem pressionar o Governo a implementar novas medidas para responder à subida dos preços dos combustíveis, dos alimentos e também dos encargos com a habitação.

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Mas, afinal, o que é que está mais caro? Praticamente tudo. A inflação aproxima-se de máximos de 2024, situando-se já acima dos 3%, numa altura em que disparam os preços dos combustíveis e do gás natural, enquanto a prestação da casa e o cabaz alimentar continuam a aumentar e a pressionar os orçamentos das famílias.

Desde finais de fevereiro – e do início da guerra no Irão – que se verifica esta tendência de agravamento dos custos. No mês seguinte, o Governo implementou a principal medida para lidar com este novo cenário: um desconto no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP), que vigora desde então. Desde março foram já devolvidos, segundo as contas do ECO, 214 milhões de euros, quase o equivalente aos 216 milhões que a subida dos combustíveis fez entrar a mais nos cofres do Estado na receita adicional de IVA.

Noutras áreas, como no aumento dos custos com os produtos alimentares, o Executivo de Luís Montenegro tem afastado a possibilidade do IVA zero no cabaz alimentar, que chegou a ser proposta pelo PS e, mais recentemente, pelo Chega.

Inflação ultrapassa os 3%

Apesar de estar ainda ligeiramente abaixo dos máximos de maio de 2024, registados em abril, os preços continuam a subir em Portugal. Em agosto, o último mês para o qual há dados conhecidos, a taxa de inflação acelerou para mais de 3%, após dois meses de travagem.

O aumento “é quase na totalidade explicado pelo aumento do preço do gasóleo“, devido a um agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente, referiu o Instituto Nacional de Estatística (INE), que divulga os dados. Aliás, os preços dos produtos energéticos aceleraram substancialmente no mês passado para 12,2% em termos homólogos, face a 8,7% em julho.

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Gasóleo e gasolina acima dos 2 euros pelo segundo mês

O efeito da guerra no Médio Oriente tem sido mais sentido nos preços do petróleo, com o contrato de referência para a Europa, o Brent, a superar por diversas vezes a marca dos 100 dólares por barril, estando atualmente acima dessa fasquia. Face a este aumento também os preços dos derivados, como o gasóleo e a gasolina, têm sido afetados, mas a pressão tem estado mais sobre o gasóleo do que sobre a gasolina, devido ao maior défice europeu de diesel.

Apesar das oscilações do petróleo nos mercados internacionais, consoante os avanços e recuos nas negociações e ataques entre Estados Unidos e Irão, os preços dos combustíveis têm-se mantido elevados – a única descida foi entre maio e junho – e, tanto o gasóleo simples, como a gasolina simples, estão em setembro pelo segundo mês consecutivo acima dos 2 euros por litro.

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Prestação da casa continua a subir

A pressão sobre os preços obrigou o Banco Central Europeu (BCE) a atuar. A autoridade monetária europeia já subiu as taxas de juro duas vezes desde o início da guerra. Tanto em junho, como em setembro, as taxas diretoras foram elevadas em 25 pontos base.

O segundo aumento, anunciado na semana passada, já levou as Euribor a seis e 12 meses, que estão indexadas a mais de dois terços dos contratos de crédito à habitação em Portugal com taxa variável, a registar as maiores subidas desde meados de março. O cenário é mais visível nos contratos para a compra de casa celebrados nos últimos três meses, uma vez que o montante em dívida é maior.

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Cabaz alimentar mais caro

Depois de uma subida acentuada até abril e um ligeiro alívio desde então e até agosto, o preço do cabaz alimentar monitorizado pela Deco Proteste subiu em setembro e segue a aumentar há três semanas consecutivas. A cesta alimentar é composta por 63 bens alimentares e inclui carne, congelados, frutas e legumes, laticínios, mercearia e peixe.

O cabaz alimentar da organização de defesa do consumidor custa esta semana 255,97 euros, um aumento de 72 cêntimos face à semana anterior. A título de comparação, no início do ano, para comprar o mesmo cabaz, os consumidores gastavam menos 14,15 euros (ou 5,85%).

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Gás natural volta a máximos de 2023

A reação dos mercados financeiros logo no início do conflito no Médio Oriente foi de alarme e os preços do gás natural TTF, negociados em Amesterdão, quase duplicaram, mas esse aumento acabou por ser parcialmente corrigido. No entanto, a partir de junho que os receios relativamente ao abastecimento desta matéria-prima se têm enraizado nos preços que negoceiam atualmente na fasquia dos 80 euros por megawatt-hora (MWh), o valor mais elevado desde janeiro de 2023.

A incerteza em torno do fornecimento por parte dos exportadores do Golfo Pérsico justifica grande parte da subida, numa altura em que a Europa tenta repor os stocks antes do inverno. Os inventários de gás da União Europeia estavam a 64,7% da sua capacidade no final de agosto, segundo os dados mais recentes da Gas Infrastructure Europe (GIE), ou seja, os stocks estão abaixo dos níveis históricos para esta altura do ano.

O efeito do preço do gás está também a chegar à eletricidade. Na atualização de outubro dos preços para o mercado regulado, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) justifica parte da subida de 2,7% já no próximo mês com a subida dos preços do gás.

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