Seguro manda recados ao Governo sobre os resultados PISA: “Portugal ainda tem muito caminho a recuperar”
O Presidente da República deixou vários alertas ao Executivo sobre o desempenho dos alunos e a capacidade da escola em promover o elevador social. Montenegro lembrou as dificuldades dos exames.
O Presidente da República, António José Seguro, deixou esta segunda-feira vários alertas ao Governo sobre o desempenho dos alunos portugueses e a capacidade da escola em promover a mobilidade social. “Os resultados do PISA mostram que Portugal tem muito caminho a percorrer. Infelizmente, a expressão correta é ‘muito caminho a recuperar’”, afirmou Seguro, durante a inauguração da Escola Secundária de Cascais.
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O chefe de Estado referia-se aos resultados mais recentes do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), divulgados pela OCDE no início de setembro. Em Portugal, o desempenho dos alunos de 15 anos voltou a deteriorar-se em 2025 na matemática e na leitura, enquanto nas ciências ficou praticamente estagnado face a 2022. A OCDE conclui que, depois das perdas registadas entre 2015 e 2022, os resultados mais recentes colocam Portugal novamente perto dos níveis registados em 2006 nos três domínios.
Na matemática, Portugal obteve 460 pontos em 2025, contra 472 em 2022 e 492 em 2018. Na leitura, passou de 477 pontos em 2022 para 462, enquanto nas ciências registou 481 pontos, face a 484 três anos antes.
Perante o primeiro-ministro, Luís Montenegro, Seguro defendeu que os resultados do PISA devem ser encarados “com serenidade, mas também com ambição”, num momento em que o sistema educativo português atravessa uma transformação que, segundo o Chefe de Estado, exige repensar a escola e a forma como se ensina.
“O sistema educativo está a atravessar uma transformação que nos obriga a repensar a escola”, afirmou. E essa transformação, acrescentou, “tem de ser feita com professores, alunos e famílias e todos os profissionais que lhe dão apoio”.
A intervenção de Seguro surge depois de os resultados do PISA 2025 terem confirmado uma deterioração do desempenho dos alunos portugueses, sobretudo a matemática e leitura. Foi perante este cenário que o Presidente da República escolheu sublinhar que o país não pode limitar-se a inaugurar escolas ou a investir nas infraestruturas. “Uma escola não é somente o edifício onde se aprende. É o lugar onde uma sociedade decide todos os dias o futuro que quer oferecer à geração seguinte”, afirmou.
Seguro alargou a responsabilidade pela Educação para lá do Governo. “Uma tarefa à qual os pais não se podem excluir”, afirmou, antes de acrescentar: “É aqui que começa a nossa responsabilidade, de Governo, de Presidente da República e a do Parlamento”.
Na sua intervenção, fez também questão de destacar o papel do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) na modernização das escolas. “O papel do Plano de Recuperação e Resiliência permitiu acelerar a requalificação de muitos estabelecimentos de ensino”, afirmou, sublinhando que a escola inaugurada em Cascais “é uma obra de Cascais”, mas constitui também “uma parte de um esforço nacional” e de um esforço da própria União Europeia.
E deixou reparos à capacidade da escola promover o elevador social: “Temos de garantir que as circunstâncias económicas e sociais de uma criança não podem determinar o seu futuro. É essa uma das promessas da escola.” Mas, acrescentou, “os dados revelam que o elevador está muito aquém da velocidade desejável para a promoção da mobilidade social”.
Montenegro: “Este ano coloca novos desafios”
Antes da intervenção do Presidente da República, Luís Montenegro reconheceu que o novo ano letivo começa com “novos desafios”, depois de um ano marcado por “dificuldades”, designadamente no que diz respeito à correção digital dos exames nacionais.
Montenegro defendeu, no entanto, que o sistema educativo tem de acompanhar “a mudança e o progresso”. Numa alusão aos problemas registados na correção dos exames nacionais, Montenegro afirmou que o caminho para melhorar a educação “muitas vezes passa por mudanças, por transformações”. “Foi isso que aconteceu no ano letivo anterior, em que o processo de transformação foi posto à prova e teve problemas, mas que se suplantaram”, sustentou.
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