Distribuidora alimentar Aviludo constrói centro logístico de 27 milhões na Maia
Integração no grupo alemão que detém a Makro permitiu à Aviludo reforçar investimento e crescer cerca de 50% em cinco anos. Guerra no Irão aumentou fatura com combustível em 100 mil euros por mês.
A Aviludo vai inaugurar esta terça-feira um novo centro logístico na Maia, num investimento de 27 milhões de euros. A nova plataforma deverá permitir à distribuidora alimentar reduzir entre 15% e 20% os custos da operação, segundo as estimativas do CEO da empresa.
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“Prevemos reduzir entre 15% e 20% os custos para os clientes que servimos da Maia”, adianta ao ECO o presidente executivo, Kai Schneider, ressalvando que se trata ainda de uma estimativa, uma vez que a operação da nova plataforma está numa fase inicial.
Com 11 mil metros quadrados, o novo centro logístico permite à Aviludo reforçar a presença no Norte e assegurar a cobertura de cerca de 90% da região, abrangendo todas as capitais de distrito e as principais cidades. A empresa pretende ainda expandir a operação para o interior do Minho e algumas localizações em Trás-os-Montes.
O responsável sublinha que a empresa “já [está] a conquistar novos clientes”, tendo aberto novas rotas de venda no último ano e entrado em regiões onde anteriormente não prestava serviço, prevendo agora chegar às zonas que ainda lhe faltam cobrir no Norte.
A nova infraestrutura tem capacidade para 9.000 paletes, com temperaturas diferenciadas entre os -24 graus e a temperatura ambiente, 17 cais de carga e antecâmaras com controlo térmico. A nova plataforma pretende reduzir tempos de trânsito e assegurar a cadeia de frio.
No que toca aos empregos, esta nova unidade vai criar cerca de 100 postos de trabalho de armazém e distribuição — número que deverá aumentar para 140 durante o próximo ano.
Apesar de considerar que a atual estrutura logística — com plataformas na Maia, Alcochete, Quarteira, Tunes e Patacão — é aquela que pretende manter no futuro, a Aviludo garante que irá continuar a investir em Portugal.
A distribuidora alimentar irá também avançar com investimentos noutras infraestruturas. Em Quarteira, onde já aplicou cerca de três milhões de euros este ano, estão previstos mais três a quatro milhões de euros, destinados à expansão dos armazéns e à construção de um novo escritório.
“Projetos grandes de investimento no momento não temos, porque esta é a nossa estrutura ideal que queremos para o futuro”, explica Kai Schneider.
Fundada em 1984, a Aviludo emprega atualmente cerca de 900 colaboradores, conta com cinco plataformas logísticas com produto e uma frota de mais de 200 veículos. No ano passado, registou um volume de negócios de 240 milhões de euros.
Aviludo cresceu 50% com a Metro
A incorporação da Aviludo no grupo alemão Metro, em 2020, reforçou a capacidade de investimento da empresa portuguesa. “A Aviludo sozinha não podia expandir tanto“, relata o CEO, acrescentando que a integração permitiu à empresa modernizar-se. Desde a entrada do grupo alemão que detém a Makro, a Aviludo cresceu cerca de 50%, contabiliza.
O próximo foco passa pela digitalização dos processos, incluindo a utilização de inteligência artificial nas rotas de distribuição. Um projeto que Kai Schneider espera ter em funcionamento nos próximos três a quatro meses.
A Aviludo sozinha [sem estar integrada no grupo alemão Metro] não podia expandir tanto.
A Aviludo tem atualmente cerca de 200 camiões e 140 rotas de distribuição, com entregas de segunda-feira a sábado.
Combustível custa mais 100 mil euros por mês
A subida dos custos dos combustíveis está, contudo, a pressionar a operação. Desde o início dos ataques dos EUA ao Irão, no final de fevereiro deste ano, estima que o aumento do preço do gasóleo tenha acrescentado cerca de 100 mil euros por mês à fatura com combustíveis.
Apesar da pressão sobre os custos e os salários, o CEO diz que as margens permanecem estáveis, ajudadas por uma evolução controlada dos preços nos artigos que comercializa. A inflação média dos produtos da Aviludo está atualmente nos 2,5%, calcula, mas Kai Schneider antecipa uma maior pressão durante o inverno, sobretudo devido aos “custos da energia”.
O atual panorama macroeconómico é mesmo encarado pelo CEO como o principal desafio para a empresa. O aumento do custo de vida e dos preços na restauração está a limitar o consumo, enquanto o encerramento de restaurantes tem impacto direto na atividade da distribuidora.

Sobre o novo investimento na Maia, que vai ser apresentado esta manhã, a plataforma incorpora várias soluções para reduzir o consumo energético e as emissões de CO2.
Nos cálculos da empresa, a energia fotovoltaica deverá representar 39% do consumo, enquanto a iluminação LED permitirá reduzir em cerca de 30% o consumo de eletricidade.
A infraestrutura conta ainda com 12 pontos de carregamento elétrico e sistemas de refrigeração a CO2, segundo os dados transmitidos pela empresa.
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