Lisboa entra na lista mundial de cidades com risco de bolha imobiliária
A capital portuguesa ocupa o sétimo lugar entre as 23 cidades mundiais que compõem o novo Índice de Bolha Imobiliária Global 2026 do UBS. Banco suíço denota aumento dos "desequilíbrios" no mercado.
Lisboa entrou para a lista de cidades com risco acrescido de uma bolha imobiliária. O índice global do banco suíço UBS coloca, pela primeira vez, a capital portuguesa entre as metrópoles mundiais onde o preço das casas pode estar mais inflacionado sem fundamentos económicos. Ou seja, Lisboa tem elevado risco de o custo dos imóveis estarem desvirtuados da realidade nacional.
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Apesar de nova entrante na tabela, Lisboa ocupa o sétimo lugar entre as 23 cidades que compõem o novo Global Real Estate Bubble Index (Índice de Bolha Imobiliária Global 2026) do UBS. A instituição financeira explica que as políticas criadas para atrair capital estrangeiro e novos residentes ajudaram a alimentar o boom imobiliário da capital lisboeta levando a que os preços reais das casas aumentassem quase 7% ao ano na última década – o ritmo mais rápido deste grupo de cidades – e crescessem mais 10% desde meados do ano passado.
“À medida que Lisboa se tornou um dos mercados de habitação menos acessíveis da Europa, os principais motores de crescimento estão a enfraquecer. Uma mudança de política no sentido de uma imigração mais seletiva contribuiu para um crescimento populacional negativo, o aumento das rendas estagnou e a procura está a deslocar‑se para zonas mais acessíveis fora da cidade”, concluem os especialistas do banco de investimento com sede em Zurique.
Por exemplo, um cidadão qualificado, do setor dos serviços, precisa de trabalhar cerca de dez anos para conseguir comprar um apartamento de 60 metros quadrados perto do centro da cidade de Lisboa. Uma média superior (portanto, mais anos de trabalho) só se encontra em Hong Kong, Tóquio, Paris, Londres, Seul e Singapura.

Além de Lisboa, denotam-se “níveis de risco elevados” em Miami, Dubai, Seul e Genebra, embora Zurique e Tóquio sejam as únicas cidades do ranking que enfrentam um alto risco de bolha imobiliária.
“Os mercados imobiliários da Zona Euro evoluíram de forma desigual. No último ano, os desequilíbrios aumentaram em Lisboa, Madrid e Milão, enquanto Paris também registou um aumento modesto no seu índice de risco. Em contraste, o risco de bolha diminuiu em Frankfurt, Munique e Amesterdão”, assinala-se no relatório publicado esta terça-feira.
Preços nas grandes cidades mundiais desaceleram
No cômputo geral, o ritmo de crescimento dos preços das casas abrandou nos últimos quatro trimestres. Os valores – ajustados à inflação – dos imóveis residenciais, nas cidades analisadas pelo UBS, aumentaram em média 0,5%, em termos homólogos, o que significa uma desaceleração face aos 1,4% registados em meados de 2025. Neste campeonato dos aumentos, a Península Ibérica voltou a marcar pontos, embora menos do que a capital da Coreia do Sul.
“Seul registou o crescimento real mais forte, com aumentos anuais superiores a 10%, sustentados pela expansão económica impulsionada pela inteligência artificial [IA]. Lisboa e Madrid apresentaram ganhos igualmente robustos, apoiados por economias locais relativamente sólidas, embora a procura tenha começado a deslocar‑se para áreas suburbanas mais acessíveis”, adianta ainda o relatório.
Os economistas do UBS explicam que o mercado imobiliário está a experienciar um aumento de desigualdades dentro das cidades. Porquê? Enquanto o acesso à habitação diminuiu para algumas famílias, outras mais abastadas viram o seu património crescer com ganhos em bolsa e riqueza gerada pela IA, dando azo não só a maiores entradas na compra de casa como até aquisições a pronto. Consequentemente, o segmento residencial de gama alta (prime) está a ter um desempenho superior.
“É provável que a polarização do mercado da habitação entre cidades se intensifique e se torne cada vez mais desligada do ciclo global das taxas de juro. As cidades que capturam uma fatia desproporcionada do crescimento impulsionado pela IA estarão bem posicionadas para beneficiar de um aumento mais forte dos salários, maior produtividade e crescimento da riqueza das famílias”, afirmam Claudio Saputelli e Matthias Holzhey, especializados em gestão de fortunas na área de Chief Investment Office do UBS.
Simultaneamente, ambos preveem que “a procura de imobiliário em localizações consideradas refúgios seguros, num contexto de incerteza geopolítica e renovadas preocupações com a inflação”.
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