Tekever admite IPO. “Está no nosso horizonte”

CEO da unicórnio nacional afirma que está a "preparar internamente todos os processos e toda a infraestrutura para uma possível abertura de capital", caso a Tekever pretenda avançar com o IPO.

Depois de anunciar o primeiro fecho de uma ronda de 580 milhões de dólares (mais de 500 milhões de euros), a Tekever já está a preparar-se para “uma possível abertura de capital” através de um IPO. Embora sem prazo, essa possibilidade “é algo que está no horizonte” da unicórnio nacional, que acaba de voar para uma avaliação de 6,4 mil milhões de dólares (mais de 5,5 mil milhões de euros).

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“É algo que está no nosso horizonte. Já estamos a preparar internamente todos os nossos processos e toda a nossa infraestrutura para uma possível abertura de capital, caso identifiquemos o momento certo e entendamos que essa é a decisão ideal para a empresa. Portanto, precisamos de estar prontos para tornarmo-nos públicos, mesmo que decidamos não fazê-lo“, assinalou Ricardo Mendes, cofundador e CEO da Tekever, em declarações ao canal televisivo norte-americano Bloomberg.

Ricardo Mendes salientou que a entrada da UC Investments (Universidade da Califórnia), que marca o primeiro investimento direto do grupo na Europa, “não é algo de curto prazo nem uma decisão tomada por impulso”. “Estamos a trazer um investidor norte-americano muito importante e de grande prestígio, a UC Investments, porque partilhamos uma convicção profunda na perspetiva de longo prazo e na importância das relações transatlânticas para o futuro do mundo”, vincou.

A maior parte do capital angariado será para sustentar o “crescimento tremendo” da empresa. “Estamos em novos países, novas infraestruturas no Reino Unido e na França, pela Europa, mas também adicionamos novas linhas de produto e novas tecnologias. Esta angariação de fundos é precisamente destinada a suportar este crescimento, não apenas organicamente, mas através de aquisições. Acreditamos que o mercado vai atravessar uma enorme consolidação nos próximos anos e queremos ser uma parte significativa”, frisou Ricardo Mendes em declarações à Bloomberg.

“Estamos numa excelente posição para o fazer. Somos mais de 1.500 pessoas espalhadas pela Europa e fora da Europa, a servir uma quantidade tremenda de clientes pelo mundo todo e podemos trazer novas tecnologias e novas empresas até nós como uma plataforma para levá-las para o mercado”, acrescentou.

A tecnológica nacional quer crescer o negócio através de M&A (Fusões e Aquisições) e deverá concluir fases adicionais da ronda de Série D nos próximos meses e atrair novos investidores. “Somos uma empresa bastante desenvolvida e, embora se trate de uma quantia significativa de dinheiro, ela representa uma parcela relativamente pequena da empresa”, detalhou Ricardo Mendes.

A ronda concretiza-se depois de a empresa ter sido selecionada pelo Ministério de Defesa do Reino Unido como fornecedora do CORVUS, a nova capacidade de vigilância do Exército Britânico, no âmbito de um programa no valor de até 400 milhões de libras (mais de 460 milhões de euros) ao longo dos próximos dez anos.

A injeção de capital apanha a companhia numa fase de expansão, com presença no Reino Unido, França, Ucrânia, Estados Unidos, Estónia e, Portugal.

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