Trump defende que EUA devem parar de exportar gasóleo
O Presidente dos EUA apoia a proibição das exportações de diesel, numa altura em que os preços dos combustíveis atingem máximos e uma menor oferta pode pressionar ainda mais o mercado europeu.
Com os combustíveis a atingirem preços históricos na Europa, há mais um fator que pode vir a agravar a crise energética desencadeada no final de fevereiro pelo conflito no Médio Oriente. O Presidente dos EUA, Donald Trump, disse esta terça-feira apoiar uma proibição das exportações de gasóleo, numa altura em que a subida dos preços está a pressionar agricultores e camionistas norte-americanos.
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Citado pelo Financial Times, Donald Trump disse aos jornalistas, em Nova Iorque — após uma reunião com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, em que terá pedido à Ucrânia para parar de atacar refinarias russas –, que os EUA deveriam parar de exportar este combustível: “Pedi isso às pessoas da minha equipa. Tenho falado sobre isso.”
Uma eventual proibição das exportações norte-americanas de diesel iria pressionar ainda mais o mercado europeu, que depende significativamente do gasóleo proveniente dos EUA. O jornal britânico refere que os EUA enviaram para o continente europeu 506 mil barris de gasóleo por dia, em média, no mês de agosto, um aumento de 50% desde o início da guerra contra o Irão no Médio Oriente. A medida teria ainda um impacto significativo nas economias em desenvolvimento.
O apoio de Trump à medida surge numa altura em que vários legisladores republicanos de regiões rurais estão a defender medidas para travar a forte subida dos preços do gasóleo, um combustível essencial para os setores agrícola e industrial norte-americanos.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou na terça-feira que a administração está mesmo a avaliar “se é viável tendo em conta a capacidade global de refinação e se uma proibição total ou parcial funcionaria”.
O Financial Times adianta ainda que as declarações de Trump representam uma mudança de posição por parte da administração norte-americana, que ainda na segunda-feira garantia que uma proibição das exportações de gasóleo não estava em cima da mesa. Na semana passada, o secretário do Interior, Doug Burgum, tinha afirmado que Washington “consideraria uma proibição das exportações se achássemos que isso poderia efetivamente baixar os preços, mas não é esse o caso”.
Os preços do gasóleo nos EUA atingiram na terça-feira um novo máximo histórico de 6,53 dólares por galão (o equivalente a 3,785 litros) numa altura em que os fornecimentos globais estão sob pressão devido aos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia. Há um ano, o preço encontrava-se abaixo dos 3,70 dólares por galão.
Os EUA não impõem controlos às exportações de produtos petrolíferos refinados desde as crises petrolíferas da década de 1970. Já as exportações de petróleo bruto estiveram, na sua maioria, proibidas até 2015.
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