Eurofighter vai apresentar proposta para renovação dos F-16 até início de novembro

O ministro da Defesa tem referido que o processo ainda não começou, mas o consórcio Eurofighter vai avançar com uma “proposta não solicitada” e até potenciais vias de financiamento.

O consórcio Eurofighter vai apresentar ao Governo, num prazo entre o final de outubro e início de novembro, a sua proposta para a renovação dos F-16 da Força Aérea.

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O timing da proposta visa coincidir com a apresentação da nova Lei de Programação Militar (LPM), que tem de ser feita até ao final do ano e que deverá já incluir a substituição dos futuros caças da Força Aérea.

O ministro da Defesa tem referido que o processo ainda não começou — mas que deverá começar “em breve” —, mas o consórcio Eurofighter vai avançar com uma “proposta não solicitada”.

“De momento, ainda não recebemos os requisitos oficiais do Ministério da Defesa português relativamente ao que pretende fazer com os aviões, nomeadamente quantas aeronaves pretende adquirir, como tenciona operá-las, quantas bases aéreas principais ou bases avançadas pretende utilizar”, admite Ivan Gonzalez-Exposito, diretor de vendas do Eurofighter. “Esta informação é necessária para prepararmos uma proposta formal, com os preços e as capacidades, e também para adaptarmos a configuração das aeronaves às necessidades portuguesas. Por isso, continuamos à espera dessa informação. Estamos à espera há cerca de um ano”, refere.

“Estamos, por isso, muito interessados em receber a documentação formal para podermos entrar na competição e apresentar uma proposta formal. Ainda assim, vamos antecipar-nos a este processo oficial e apresentar, nas próximas semanas, uma proposta não solicitada”, adianta o diretor de vendas do Eurofighter quando questionado pelo ECO/eRadar sobre se, à semelhança da Dassault Aviation — que em julho avançou com uma proposta junto do Governo — iria avançar com uma proposta formal junto do Executivo. Quanto a datas, precisa, deverá ser “até ao final de outubro, início de novembro”.

O que contém o documento?

Ivan Gonzalez-Exposito dá uma panorâmica do que irá conter a documentação a entregar ao Executivo. “A proposta incluirá a descrição da aeronave, a descrição técnica do motor e do sistema de armas. Estamos também a apresentar uma proposta comercial, que será de alto nível, com um preço indicativo, mas suficientemente preciso para efeitos orçamentais, permitindo ao Governo português avaliar o orçamento que terá de afetar, nomeadamente no âmbito da Lei de Programação Militar, que deverá ser aprovada pelo Parlamento português, eventualmente em outubro ou novembro”, refere.

“Vamos igualmente apresentar soluções de financiamento”, diz. Para tal, os especialistas da empresa “estão a preparar soluções de financiamento público e privado para Portugal, de forma a facilitar o plano de pagamentos associado à aquisição de um sistema como o Eurofighter”, refere ainda.

Qual a incorporação da indústria nacional?

“A proposta será ainda acompanhada por uma componente de participação industrial, bem como pelas vertentes de cooperação política e militar que podemos oferecer a Portugal”, diz.

O responsável da campanha Eurofighter não revela, no entanto, qual a percentagem de incorporação da indústria nacional. “E ainda é demasiado cedo para avançarmos com um valor, mas será uma participação significativa e será distribuída, tanto quanto possível, pelas diferentes regiões de Portugal e pelos diferentes clusters, de forma a permitir a transferência de tecnologia, não apenas de um sistema, mas de todos os sistemas da empresa”, aponta ao ECO/eRadar.

O consórcio já tem 13 NDA assinados com empresas nacionais, que poderão seguir numa fase seguinte para o estabelecimento de um memorando de entendimento, depois de uma análise ao setor, resultante do memorando assinado com o AED Cluster. Aernova, Caetano Aerostructures, Lauak, Mecachrome (na produção industrial); OGMA e Orion Technik (MRO), Critical Flytech, GMV e CEiiA (autonomia de software), Tekever e Critical Software (UAV e combate colaborativo) e ETI (formação e simuladores) são algumas das empresas identificadas.

“Provavelmente não iremos assinar memorandos de entendimento (MoU) com todas elas, mas apenas com uma seleção, porque, dependendo do cluster ou do pilar, há alguns pilares em que já identificámos claramente quem será o candidato para cooperar connosco. Com essas entidades, iremos assinar MoU nos próximos meses. Portanto, não estamos a falar de dias, mas de um processo que irá demorar algum tempo”, refere Ivan Gonzalez-Exposito, quando questionado pelo ECO/eRadar sobre os próximos passos.

“Acreditamos que a componente estratégica da nossa proposta vai ainda mais longe do que esta quantificação. O objetivo é realmente abrir a indústria europeia e portuguesa à indústria aeroespacial e de defesa europeia, garantindo que, através da Airbus, a cadeia de fornecimento portuguesa faça parte dos futuros projetos que venham a ser desenvolvidos”, diz José Luis De Miguel Cortés, Vice-Presidente, Head of Europe da Airbus Defence and Space.

“Queremos garantir que nos futuros projetos de sistemas de combate que venham a ser desenvolvidos na Europa, Portugal esteja numa posição adequada, graças à tecnologia e às competências que tiver desenvolvido. Queremos que Portugal tenha um lugar à mesa”, refere ainda.

Saab (Gripen), Lockheed Martin (F-35) e, agora Dassault Aviation (com o Rafale) são os operadores que já se posicionaram para a substituição dos caças nacionais em fim de vida.

(Última atualização às 17h38)

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