Japonesa Seiko dos relógios de luxo vai abrir primeira loja em Portugal
Boutique de 125 metros quadrados representa a entrada física da multinacional relojoeira no mercado português e ficará localizada na Rua Rosa Araújo, uma das perpendiculares à Avenida da Liberdade.
Uma das maiores relojoeiras do mundo está a chegar oficialmente a Portugal. O grupo japonês Seiko, centenário fabricante de relógios de luxo e de gama média, vai instalar-se no coração de Lisboa com a sua primeira loja, que abre portas no próximo dia 1 de outubro. A empresa que criou, na década de 1960, o relógio de pulso a quartzo decidiu aumentar o investimento no mercado português por sentir uma “evolução positiva da marca”, como avançou a presidência da Seiko ao ECO.
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“Temos vindo a consolidar o posicionamento da Seiko, a reforçar o nosso mix de produto e a implementar uma estratégia de distribuição progressivamente mais seletiva e qualificada. Ao mesmo tempo, os consumidores portugueses estão cada vez mais conhecedores de relojoaria e demonstram um maior interesse pela autenticidade, pelo trabalho artesanal, pelo design e pelas histórias associadas aos produtos que escolhem”, afirmou o vice-presidente da Seiko, Yukiaki Suganuma.
A boutique de 125 metros quadrados ficará localizada na Rua Rosa Araújo, uma das perpendiculares à Avenida da Liberdade, com a vizinhança da fabricante de malas Rimowa ou o salão de beleza francês Maison Sisley. O objetivo é melhorar a relação com os clientes e completar com “o ambiente certo” a experiência de marca, que chegou a terras lusas em 2023, com a sociedade-irmã Grand Seiko, por via de um acordo estratégico com a joalharia David Rosas.
Yukiaki Suganuma esclarece que este investimento, cujo valor não foi divulgado, não significa o corte com os atuais parceiros, porque o grupo considera a rede de retalhistas “uma parte fundamental” da estratégia em Portugal. A ambição passa tornar a boutique num espaço de descoberta da insígnia, nomeadamente das gamas mais premium, consolidar o negócio e depois avaliar que oportunidades existem no mercado para “os próximos passos”.
O nosso público não se define por idade ou poder de compra. Queremos que a boutique seja um espaço para entusiastas e colecionadores, mas também para quem está agora a descobrir a marca: os clientes mais jovens a entrar no universo da relojoaria mecânica e compradores mais experientes, que procuram perícia artesanal, herança e sofisticação que distinguem as coleções de posicionamento mais elevado.
Por enquanto, as montras terão as coleções principais – as duas favoritas dos portugueses, King Seiko e Prospex, bem como a Presage, a Astron e a Seiko 5 Sports – e novidades e edições limitadas que surjam. Tudo isto porque as escolhas do consumidor nacional têm mexido com os ponteiros das contas.
“A marca tem apresentado um crescimento forte e consistente, com a faturação a aumentar 23% em 2025, seguindo-se um crescimento adicional de 28% no primeiro semestre de 2026. Não estamos apenas perante um crescimento em volume. Estamos também a assistir a uma evolução favorável do nosso mix de produto, com uma procura crescente pelas coleções de maior valor, acompanhada por uma abordagem mais seletiva e qualitativa à distribuição”, conta o vice-presidente da Seiko.
Trata-se de um crescimento superior ao da Europa, onde o negócio de relojoaria da holding resfriou “devido ao abrandamento do mercado de bens de luxo”, acabando por ser compensado pela subida de 10% nos mercados doméstico e norte-americano.

Guerras aumentam custos dos materiais
Os fabricantes de relógios mundiais, tal como indústrias de outras áreas de atividade, têm enfrentado um aumento dos custos devido à subida dos preços dos combustíveis e das matérias-primas, entre os quais o ouro e o aço inoxidável. Questionado sobre como este fenómeno está a afetar as operações e a política de preços da Seiko, que em média cresceram 5%-6%, Yukiaki Suganuma explicou que, neste momento, a empresa não está a enfrentar uma “escassez significativa de matérias-primas essenciais” que possa ter um “impacto substancial” nos preços, mas admite que os custos de “alguns materiais” aumentaram.
“Enquanto persistir a atual incerteza geopolítica, não podemos excluir alterações nas condições de abastecimento que possam afetar a produção. Por isso, estamos a adotar várias medidas, incluindo a procura de fontes alternativas de abastecimento e a utilização da nossa rede global da cadeia de abastecimento para criar rotas alternativas de aprovisionamento”, referiu o gestor japonês.
No primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, entre abril e junho, o lucro da Seiko disparou 76% para aproximadamente 62 milhões de euros, enquanto as vendas subiram 28,5%, em termos homólogos, para cerca de 549,3 milhões de euros.
“A filosofia do nosso fundador, Kintaro Hattori, de always one step ahead of the rest” (sempre um passo à frente dos restantes) tem sido transmitida de geração em geração e continua a inspirar a empresa. Kintaro Hattori acreditava que qualquer comerciante deveria estar um passo à frente dos restantes, mas apenas um passo. Se avançarmos demasiados passos, afastamo-nos do público e aproximamo-nos mais da figura de um profeta”, recordou ainda o executivo da Seiko.
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