Portugal vai gastar 60 milhões em obra para trazer reservas de crude armazenadas em França

Governo vai avançar com a construção de mais capacidade de armazenamento de crude em Portugal, que saiu para França após o fecho da refinaria de Matosinhos. Ministra acusa PS de “afirmações falsas”.

Portugal tem mais de 130 mil toneladas de crude armazenado em França, mas as reservas de ‘ouro negro’ poderão regressar a Portugal nos próximos anos. A ministra do Ambiente da Energia informou esta quinta-feira que o Governo vai avançar com a construção de mais armazenamento em solo nacional, num investimento público de 60 milhões de euros.

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“Esta questão de termos um décimo das reservas em França não quer dizer que não tenhamos segurança energética. Claro que era preferível tê-las em território nacional. Por isso, fizemos um estudo e vamos avançar. São 60 milhões e é uma obra que leva de quatro a cinco anos”, afirmou Maria da Graça Carvalho, no briefing do Conselho de Ministros.

A ministra do Ambiente da Energia respondia às acusações do secretário-geral do Partido Socialista (PS) de que reservas estratégicas de combustível foram mobilizadas para fora de Portugal. Maria da Graça Carvalho retorquiu que a decisão de enviar parte das reservas para França deveu-se ao facto de não haver capacidade em Portugal.

Em causa estão 132 mil toneladas, menos de um décimo do total, que tiveram de atravessar as fronteiras na sequência do encerramento da refinaria de Matosinhos, em 2021, que reduziu em cerca de um terço a capacidade de armazenamento de combustíveis em Portugal, segundo a governante.

No entanto, a reserva “é propriedade do Estado português e pode ser mobilizada a qualquer momento por decisão do Governo – e só pode ser utilizada pelo nosso país por decisão do Governo”. “Portugal não enviou combustível para abastecer a França. É uma ideia completamente errada. Portugal armazenou em França uma parte das suas reservas estratégicas de petróleo bruto, uma prática que é muito comum na Europa”, salientou ainda Maria da Graça Carvalho, em declarações aos jornalistas.

PS está a criar alarme social”, acusa Governo

A ministra do Ambiente e da Energia acusou o líder do PS de “criar alarme social” e proferir “informações falsas”, uma vez que Portugal cumpriu “inteiramente as obrigações enquanto Estado-membro da União Europeia” e tem reservas de combustíveis líquidos para 92 dias, acima dos 90 recomendados.

“Em momentos de crise exige-se às lideranças responsabilidade e noção das matérias com que lidamos a bem da estabilidade, atividade económica, serenidade, bem-estar das pessoas e do país. O que o secretário-geral do PS fez hoje foi um exercício de irresponsabilidade tanto pela falsidade dos argumentos como pela incapacidade de reconhecer consequências do Governo liderado pelo partido a que pertence”, atirou Maria da Graça Carvalho.

Além da questão do PS, a Iniciativa Liberal também enviou um conjunto de perguntas ao Governo de forma a esclarecer se há ou não risco de rutura das reservas nacionais. O partido de Mariana Leitão pergunta, por exemplo, se em caso de necessidade de mobilizar as reservas em França, para responder a uma situação de emergência, qual é o prazo máximo estipulado no contrato para a disponibilização e chegada ao território nacional.

(Notícia atualizada com mais informação às 18h30)

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