Certificados de Aforro voltam a pagar taxa máxima em outubro
A remuneração base dos Certificados de Aforro estabiliza nos 2,5% em outubro, um valor que a lei não permite ultrapassar e que já se tinha verificado também em setembro.
Quem subscrever Certificados de Aforro em outubro vai receber a remuneração mais alta que a lei permite a este produto de poupança do Estado: uma taxa de juro base de 2,5%, segundo cálculos do ECO.
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É a segunda vez consecutiva que a taxa atinge este teto, depois de em setembro ter sido também travado o mesmo patamar, um sinal de que a Euribor continua a negociar em níveis que ultrapassam o limite fixado pelo Ministério das Finanças para este título de dívida pública.
A explicação está, mais uma vez, na Euribor a três meses, o indexante que determina a remuneração base dos Certificados de Aforro, que ao longo dos dez dias úteis que serviram de base ao cálculo da taxa para outubro negociou sempre acima dos 2,5%. Como a fórmula legal impõe um limite máximo de 2,5% e mínimo de 0% à taxa base, o resultado do cálculo — que seria superior ao apurado pela média da Euribor — foi automaticamente ajustado para o teto.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
A taxa base é apenas uma parte da remuneração total dos Certificados de Aforro da Série F, a série atualmente em comercialização. A esta taxa soma-se um prémio de permanência que cresce com o tempo de detenção do título: 0,25 pontos percentuais do segundo ao quinto ano, 0,50% do sexto ao nono, 1% no décimo e décimo primeiro ano, 1,50% no décimo segundo e décimo terceiro, e 1,75% no décimo quarto e décimo quinto ano.
Os juros são capitalizados automaticamente numa base trimestral, já líquidos de IRS, e o produto garante o reembolso da totalidade do capital investido, com resgate antecipado possível a partir do primeiro vencimento de juros.
A subida da taxa chega numa altura em que os Certificados de Aforro continuam a captar somas elevadas de poupança das famílias, ainda que com sinais de acomodação face aos picos anteriores.
Em junho, as subscrições líquidas totalizaram mais de 750 milhões de euros, um valor 2% abaixo do montante registado em julho, mas que manteve o produto entre as aplicações preferidas dos portugueses. O montante acumulado nestes títulos era de quase 45 mil milhões de euros no final de agosto, o valor mais elevado desde sempre.
O diferencial face à banca tradicional continua a favorecer claramente os títulos de dívida do Estado enquanto captador de poupança. Segundo os dados mais recentes do Banco de Portugal, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares fixou-se em 1,59% em julho, o valor mais alto desde abril de 2025, mas ainda quase um ponto percentual abaixo da taxa base que os Certificados de Aforro oferecem em outubro.
Essa diferença, somada à garantia integral de capital e à ausência de comissões, explica em larga medida a atração persistente deste produto junto das famílias portuguesas.
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