Dominguinhos quer “sobras” das agendas do PRR a financiar produtos prestes a chegar ao mercado

Líder da Comissão de Acompanhamento defende que dinheiro que não for usado nas agendas mobilizadoras deve ser reencaminhado para ajudar produtos que estão próximos do mercado a ver a luz do dia.

O que não for usado dos cerca de 3.000 mil milhões de euros de dotação das agendas mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) deverá ser utilizado para financiar produtos, que foram validados pelo IAPMEI no âmbito destes projetos, e que estão numa fase próxima de lançamento no mercado. A proposta é feita pelo presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Pedro Dominguinhos, que sugere que esses fundos — “o dinheiro é português” — devem promover essa “linha de continuidade” para obter vendas nos mercados nacionais e internacionais.

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“É natural que nós, cumprindo as metas e marcos [do PRR] na totalidade, possamos não utilizar todos os meios financeiros inerentes aos quase três mil milhões de euros [das agendas mobilizadoras], mas o dinheiro é português, porque cumprimos a meta e o marco”, explica Pedro Dominguinhos, em declarações ao ECO. “A minha ideia — uma sugestão que tenho vindo a consolidar ao longo do nosso acompanhamento — é que há vários produtos que estão num TRL [nível elevado de maturidade tecnológica] muito próximo de ir para o mercado, mas estão a fazer o teste de mercado agora de disseminação e precisam de melhorias e de industrialização. Sendo possível, e havendo essa disponibilidade financeira, seria interessante esta linha de continuidade porque o mercado está já ali”, argumenta.

Há vários produtos que estão num TRL [nível elevado de maturidade tecnológica] muito próximo de ir para o mercado, mas estão a fazer o teste de mercado agora de disseminação e precisam de melhorias e de industrialização.

Pedro Dominguinhos

Presidente da Comissão de Acompanhamento do PRR

O líder da estrutura de acompanhamento, que esteve presente esta sexta-feira na apresentação dos resultados da agenda New Generation Storage, na sede da DST, em Braga, defende que “esta era uma forma inteligente de alavancar todos os investimentos para as agendas mobilizadoras do PRR, que têm produtos validados pelo IAPMEI”. “Dava-se a última milha para chegar ao mercado, garantindo que havia uma continuidade para que se pudesse obter vendas nos mercados nacionais e internacionais”, sustenta.

Pedro Dominguinhos realça que “neste momento está a ser feita uma análise dos pedidos de pagamento e é importante notar que as agendas mobilizadoras ainda não terminaram a sua execução total, porque muitas delas ainda têm atividades que podem ir até dezembro”. Neste sentido, destaca que o secretário de Estado, Hélder Reis, disse recentemente no Parlamento “que uma coisa é o valor financeiro que nós recebemos das metas e de marcos, outra coisa é o custo real de cada um desses investimentos“.

Dito isto, e existindo mais de 1.100 produtos validados no âmbito das agendas, Dominguinhos recorda que há já produtos a serem comercializados, outros que estão em fases de comercialização, “mas há esses outros que estão agora em linhas piloto e que precisam da sua industrialização”. “Todas as agendas têm alguns desses produtos para poderem ser comercializados. Isto era uma forma de acrescentar valor e de estender a cadeia de valor para a sua comercialização”, refere.

O responsável assume que esta “é uma sugestão que necessita de perceber o enquadramento dos fundos comunitários“, mas era uma forma de “estender a inovação para o mercado, que é aquilo que é mais relevante e que nós precisamos, de uma forma muito significativa, de escalar as cadeias de valor, de aumentar as exportações e as exportações de mais valor acrescentado“.

Pedro Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, defende “última milha” para ajudar produtos a chegar ao mercado.Luís Ribeiro 5 junho, 2025

Num momento em que discute a necessidade de a economia portuguesa ganhar competitividade e apostar na inovação, Dominguinhos lembra que os produtos, processos e serviços (PPS) que resultaram destas agendas são de “elevado valor de conhecimento incorporado”. Isto é, completa, “bens transacionáveis que podem ser comercializados nos mercados globais e permitir às empresas cobrar preços mais elevados e incorporar mais tecnologia nessas mesmas exportações”.

“E nós sabemos que, apesar de termos vindo a aumentar a percentagem de exportações com valor acrescentado e com incorporação de média ou elevada tecnologia, precisamos ainda de fazer um caminho muito mais elevado, porque é isso que vai permitir às empresas continuarem a inovar, pagar mais salários e aumentar o valor acrescentado“, justifica.

“As empresas demonstraram que chegaram onde disseram que queriam chegar, mas muitas delas ainda não estavam na fase da comercialização e o próprio desenvolvimento do produto e do processo permitiu chegar quase ao mercado, e portanto é aqui ganhar etapas e não passar pelo processo todo de investigação, desenvolvimento”, reforça o responsável.

Dominguinhos argumenta que este financiamento seja feito apenas se o produto for comercializado no mercado. “Se não conseguir, não se financia, mas se conseguir, financia-se”, propõe, acrescentando que este apoio “até pode ser uma lógica de incentivo”. “Se conseguir chegar a um determinado valor, recebo uma determinada percentagem do incentivo, se conseguir chegar a mais recebo”, acrescenta. E conclui: “é uma lógica sempre de resultado e valorização do resultado no mercado”.

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