Pedro Duarte rejeita benefício para camiões de Leixões na VCI: “Não podemos começar a abrir exceções”
“Se formos medir o custo de combustível no arranque da VCI como tínhamos até uns dias atrás, provavelmente é muito superior a ter de dar uma volta de 10 ou 15 quilómetros pela CREP”, diz Pedro Duarte.
O presidente da Câmara do Porto rejeita a criação de uma exceção para os camiões com origem ou destino no Porto de Leixões na restrição à circulação de pesados na Via de Cintura Interna (VCI). “Não podemos começar a abrir exceções porque todas elas são legítimas”, defendeu esta sexta-feira Pedro Duarte, considerando que a medida responde ao “interesse público” de retirar do centro da cidade um tráfego que, diz, “não existe em nenhuma cidade evoluída do mundo”.
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A posição surge depois de a presidente da Comunidade Portuária de Leixões ter defendido, na quarta-feira, um regime de exceção para os camiões com origem ou destino na infraestrutura portuária, em Matosinhos. Marcília Montenegro alegava, na ocasião, ao ECO/Local Online que os desvios de tráfego para vias alternativas, como é o caso da Circular Regional Externa do Porto (CREP)/A41, estão a aumentar os custos logísticos e podem retirar competitividade à infraestrutura.
Na altura, Susana Pinho, representante da Comunidade Portuária da Figueira da Foz e da Altri, antecipou mesmo custos adicionais de 1,5 a dois milhões de euros por ano para a empresa devido ao desvio do tráfego para vias alternativas.
A medida está em vigor desde 15 de setembro, entre as 7h e as 21h dos dias úteis, nos mais de 20 quilómetros da VCI, e abrange os troços das autoestradas A1/IC1, A20/IC23, A28/IC1 e A44/IC23. Deste logo começou a gerar contestação no setor logístico.
Talvez não haja necessidade de estarmos a fazer um drama com aqueles camiões que têm agora de circundar a cidade do Porto.
À margem da reunião da Área Metropolitana do Porto (AMP), entidade a que preside, Pedro Duarte admitiu esta sexta-feira que a restrição à circulação de camiões pode criar constrangimentos para alguns setores económicos, mas rejeitou mais exceções para além das já previstas para os pesados que efetuam cargas e descargas nos concelhos do Porto e de Vila Nova de Gaia.
O autarca social-democrata justificou que abrir uma exceção para os camiões de Leixões levaria inevitavelmente a outros pedidos semelhantes. “Nós não podemos começar a abrir exceções, porque todas elas são legítimas”, argumentou, lembrando que qualquer empresa afetada pela restrição poderia reclamar um tratamento semelhante.

Pedro Duarte desvalorizou, por isso, o impacto dos desvios para os camiões de Leixões: “Talvez não haja necessidade de estarmos a fazer um drama com aqueles camiões que têm agora de circundar a cidade do Porto.” Até porque, apontou, existem alternativas à VCI: a A4 e a CREP. Já desde fevereiro deste ano que estes veículos passaram a estar isentos do pagamento de portagem nesta autoestrada que atravessa municípios como Matosinhos, Maia, Valongo ou Vila Nova de Gaia.
“Se formos medir o custo de combustível no arranque da VCI como tínhamos até uns dias atrás, provavelmente é muito superior a ter de dar uma volta de 10 ou 15 quilómetros pela CREP”, argumentou, defendendo que a medida visa, no fundo, retirar do centro da cidade um tráfego pesado que, na sua perspetiva, “não existe em nenhuma cidade evoluída do mundo”.
É neste contexto que Pedro Duarte voltou a defender uma redução ou eliminação das portagens num troço da A4, por considerar que aquela via funciona, em parte, como uma infraestrutura de circulação urbana dentro da própria AMP. A proposta foi, aliás, apresentada pela AMP ao Governo, por escrito, em dezembro de 2025.
O autarca reconhece que existe uma discussão nacional sobre o fim das portagens, mas considera que o troço da A4 em causa tem uma especificidade própria, por ser utilizado diariamente nas deslocações dentro da região. “Há uma parte da A4 que funciona como uma circulação urbana na Área Metropolitana do Porto”, sustentou.
O autarca social-democrata assinalou ainda que quem está à frente de uma câmara municipal ou de uma área metropolitana tem como prioridade “defender o interesse público”, sem deixar de procurar acomodar os interesses económicos relevantes para a região.
E é precisamente o que está a fazer ao manter-se irredutível quanto à criação de um regime especial para os camiões de Leixões.
Apesar das contestações do setor da logística e transportes, o presidente do município da Invicta assinalou que o balanço inicial da medida “excedeu muito” as suas expectativas, qualificando-o de “extraordinariamente positivo”, uma vez que a circulação na VCI “melhorou substancialmente”. A avaliação definitiva deverá ser depois feita pela Infraestruturas de Portugal (IP), entidade que dispõe dos dados de tráfego necessários para medir o impacto da restrição.
Ainda assim, Pedro Duarte admitiu que a limitação à circulação de pesados não é “uma bala de prata” para resolver os problemas de trânsito na VCI, alertando para o risco de até acabar por ter o efeito inverso. Ou seja, uma eventual melhoria das condições de circulação poderá, segundo o autarca, gerar também uma maior procura da parte dos automobilistas.
É por isso que Pedro Duarte está a trabalhar com a IP numa solução complementar: uma nova via de cintura externa que seria uma “ligação intermédia” entre a VCI — uma das vias com mais tráfego no país — e a CREP/A41, tal como o primeiro-ministro anunciou a 12 de maio deste ano, no Porto.
“Estamos a trabalhar com a IP na preparação de um protocolo de cooperação”, revelou Pedro Duarte, que espera que nas próximas semanas seja possível avançar com novidades.
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