Apesar de grande “choque” energético, “resposta do BCE tem de ser ponderada”, diz Lagarde

"Prevemos uma inflação mais elevada no futuro, mas ainda não há sinais de que esta se esteja a tornar persistente", disse Lagarde, para justificar a escolha da "via do meio" na política monetária.

O Banco Central Europeu (BCE) vê a inflação a acelerar na Zona Euro, mas concentrada não na energia, sem tornar-se estrutural, nem a espalhar-se para salários mais altos, afirmou esta segunda-feira Christine Lagarde, para explicar que a instituição não pode ignorar o choque energético, mas tem de responder de forma “ponderada”.

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Num discurso no Comité de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu em Bruxelas, Lagarde recordou que em consonância com o compromisso de garantir que a inflação se estabilize na meta de 2% a médio prazo, o BCE decidiu aumentar as três taxas de juro de referência do 25 pontos base na reunião realizada no início deste mês.

Para explicar os fundamentos desta decisão, Lagarde disse que, “perante choques energéticos, o BCE tem uma estratégia muito clara: não reagimos aos preços da energia, mas sim se identificarmos riscos de que os preços mais elevados da energia venham a incorporar-se na inflação”.

O banco central avalia estes riscos através de uma análise abrangente baseada em três critérios: as perspetivas de inflação, em que analisa a previsão para a inflação e os riscos que a rodeiam; a dinâmica da inflação subjacente, que atualmente se centra principalmente na forma como os preços mais elevados da energia se estão a repercutir noutros preços e nos salários, e finalmente a transmissão da política monetária aos custos de financiamento e ao crescimento económico.

“Analisando hoje estes três critérios, prevemos uma inflação mais elevada no futuro, mas ainda não há sinais de que esta se esteja a tornar estrutural“, explicou Lagarde, adiantando que as perspetivas de inflação para 2027 e 2028 serão “mais elevadas do que esperávamos há alguns meses, principalmente devido aos preços mais elevados da energia“.

“No entanto, nesta fase, não vemos indícios de que os preços da energia estejam a traduzir-se em salários mais elevados“, sublinhou. “E embora o crescimento se tenha mostrado resiliente, desde a nossa última reunião as taxas de juro de longo prazo subiram significativamente, o que irá abrandar o crescimento e reduzir a transmissão mais do que o previsto na nossa análise de setembro“.

“Em suma, isto significa que continuamos a seguir a ‘via do meio’, em matéria de política monetária, que defini no início deste ano“, concluiu. “Isto significa que, embora o choque seja demasiado grande para ser ignorado, consideramos que uma resposta ponderada é a mais adequada para manter a inflação sob controlo.”

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