Ativo do dia. Ouro tomba para mínimos de sete semanas com espectro de subida de juros
O metal precioso cai 3,81%, pressionado pela combinação da subida dos preços do petróleo, a apreciação do dólar e, principalmente, a perspectiva de juros mais altos para combater a inflação.
O ativo
Onça de ouro. O ouro tende a reagir à guerra devido ao seu papel como um ativo de refúgio, mas a trajetória do preço depende muito de como o conflito afeta a inflação, as taxas de juro, a estabilidade cambial e a aversão ao risco. A geopolítica, por si só, raramente impulsiona os preços do ouro de forma sustentada, referiram os analistas o banco de investimento neerlandês ING. “O que realmente importa é a forma como esses choques se transmitem para a inflação, a política monetária e o dólar.”
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O marco
A cotação da onça de ouro no mercado spot negoceia esta segunda-feira a cair 3,81% para 4.124 dólares, mínimos de sete semanas, ou seja, de 4 de agosto.
A causa
A rejeição americana de um acordo de paz proposto pelo Irão fez subir em mais de 3% o preço do barril de Brent, aumentando os receios de que os bancos centrais possam ter de apertar a política monetária — através do aumento das taxas de juro –, um sentimento que tem castigado o ouro desde o início do conflito. Historicamente, essa combinação de variáveis empurra as yields das obrigações do Tesouro dos EUA para níveis mais elevados e fortalece o dólar, dois fatores que tradicionalmente penalizam o ouro, um ativo que não paga juros nem dividendos.
O que esperar a seguir
Segundo o site CME FedWatch Tool, que monitoriza a negociação dos futuros das taxas de juro, esta segunda-feira a probabilidade de a Fed aumentar o custo do dólar em 25 pontos base para o intervalo de 4%-4,25% na reunião de 28 de outubro era de 72,5%, portanto, a pressão que está a fazer cair o preço do ouro deverá continuar. Para Giovanni Staunovo, analista da UBS citado pela Reuters, “este contexto poderá manter as taxas de rendibilidade reais dos EUA e o dólar americano em níveis elevados, aumentando o custo de oportunidade de deter ouro, que não gera rendimentos, e contribuindo para uma maior volatilidade a curto prazo deste metal precioso.”
A frase
As ‘yields’ mais elevadas dos títulos do Tesouro americano e o dólar em máximos de várias semanas estão, em conjunto, a criar uma tempestade perfeita para fazer descer acentuadamente os preços dos metais.
O gráfico:
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
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