Novo aeroporto em 2034? ANA diz que prazos mais curtos dependem do Governo
O chairman da ANA não se compromete com a abertura do aeroporto mais cedo do que o previsto. Argumenta que essa agilização depende da velocidade das decisões do lado do Governo.
Depois de o ministro das Infraestruturas e Habitação ter lançado a ideia de que o novo aeroporto de Lisboa, em Alcochete, possa ficar pronto em 2034, coube ao “chairman” da ANA responder a esse pedido.
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“A ANA tem de apresentar os prazos”, respondeu inicialmente José Luís Arnaut, num painel com Carlos Oliveira, chairman da TAP, na VIII Cimeira do Turismo Português. Ressalvou, no entanto, que, “se o relatório financeiro que o Governo tem um ano para decidir, [se] decidir num prazo mais curto, encurtamos prazos”. “A ANA é um parceiro que partilha os mesmos interesses do Governo no sentido de cumprir e fazer o que tem que ser feito“, explicou.
“Se há um empenho do Sr. ministro, quero acreditar que o Sr. ministro terá capacidade e influência política para poder, como agora se diz, agilizar os prazos e os processos dentro do respeito absoluto da legalidade“, acrescentou.
Em meados de julho, na entrega do Relatório Técnico do Aeroporto Luís de Camões, a concessionária tinha apontado a conclusão da obra para 2037, mas o ministro das Infraestruturas tem insistido numa antecipação, agora três anos antes.
Sobre o custo do aeroporto, José Luís Arnaut não se quis comprometer com um valor acima ou abaixo dos têm vindo a ser avançados. “Temos que ver a evolução da situação e só depois [de uma análise que inclua as várias entidades] concluída é que vamos conseguir ver qual é o custo da obra que temos em cima da mesa“, justificou.
O chairman da ANA alinhou com a visão do ministro das Infraestruturas de que a obra não terá custos para os contribuintes. Explicou que o novo aeroporto terá novas taxas e “um prolongamento da concessão de maneira a atenuar atenuar estes muitos milhões de euros de investimento que a ANA por si só se dispõe a adiantar ao Estado português e a fazer esse investimento”. Arnaut explicou que o risco fica “100%” do lado da concessionária, num cenário em que o aeroporto, por exemplo, não tenha passageiros, o que não antecipa que venha a acontecer.
“Estado também tem de assegurar a qualidade dos seus serviços”
Relativamente às obras que têm vindo a ser feitas no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, com vista a aumentar o número de movimentos por hora para 42, e futuramente para 45, o chairman da ANA atirou responsabilidades, desta vez, para a NAV, empresa pública que gere e controla o tráfego aéreo no espaço aéreo sob responsabilidade de Portugal. “Essas condições estão a ser realizadas do nosso lado, esperamos também que a NAV as concretize e que seja capaz de resolver [esses problemas]”, afirmou.
José Luís Arnaut argumentou que “não é só fazer obras, mas é preciso que o Estado assegure a qualidade dos seus serviços e essa conjugação está a ser feita e têm sido dados passos largos nesse sentidos”. As primeiras obras de alargamento do Terminal 1 do Aeroporto de Lisboa, que têm previstas mais 11 mangas e três lugares de estacionamento, já estão a ser feitas com fim previsto para finais de 2027, explicou.
“Se não fosse o jet fuel, TAP teria tido resultados muito interessantes”
Carlos Oliveira, chairman da TAP, afastou impactos dos custos com combustível para aviação no valor da TAP enquanto companhia aérea em processo de venda. O responsável enquadrou o aumento de preços do combustível como um “tema da indústria”.
Adiantou, no entanto, que “se não fosse o tema do jet fuel a TAP teria tido resultados muito interessantes nesse semestre“. A companhia aérea nacional registou um prejuízo líquido de 99,2 milhões de euros até junho, o que representou um agravamento de 40% face ao mesmo período do ano passado, castigada por uma subida de quase um quinto nos custos com combustível, que se sobrepôs a crescimentos de 4% nas receitas e no número de passageiros.
“Naturalmente que temos estas nuvens escuras devido a todo o contexto internacional que coloca o ‘jet fuel’ em níveis impressionantemente elevados. Portanto, temos obviamente preocupação com este custo de combustível, como têm todos os operadores aéreos”, relembrou.
“Não sabemos onde é que isto vai terminar este ano e onde é que vai continuar no próximo ano. Neste momento, as notícias não tem sido as melhores“, disse.
(Notícia atualizada pela última vez às 19h18)
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