Petróleo leva ‘yield’ de Portugal a 10 anos a superar novamente patamar de 4%
Impasse no Irão está a impulsionar o preço do crude, os receios sobre a inflação e os juros que os investidores exigem para deter dívida soberana. Taxa 'benchmark' portuguesa está em máximos de 2017.
As taxas de rendibilidade das obrigações soberanas da Zona Euro registam uma ligeira subida na segunda-feira, num contexto em que os preços do petróleo voltaram a aumentar devido às dúvidas de que o conflito entre os EUA e o Irão venha a ser resolvido e de que o Estreito de Ormuz venha a ser reaberto num futuro próximo.
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A dívida portuguesa não é exceção e a ‘yield’ a 10 anos voltou a ultrapassar o patamar dos 4%, tal com tinha acontecido na passada quinta-feira, e negoceia nos 4,015%, face ao fecho de 3,997% na sexta-feira.
As Obrigações do Tesouro a 10 anos são o benchmark da dívida pública portuguesa e serve de referência para custos de financiamento cobrados a empresas financeiras e não financeiras no país. Quando os juros da dívida portuguesa sobem, isto significa que o Estado irá pagar mais para se financiar no mercado.
Os juros a cinco anos também sobem, para 3,6445%, um máximo desde março de 2014, contra 3,588%, enquanto os juros a dois anos crescem para 3,359%, contra 3,300% no final da semana passada.
A taxa de rendibilidade dos bunds alemães a 10 anos, referência para a Zona Euro, sobe para 3,653% e máximos de 2009, de 3,6% na sexta-feira. Mas o selloff é global e as Treasuries americanas a 10 anos negoceiam nos 5,2%, máximos de junho de 2007, enquanto a 30 anosestão nos 5,517%, perto do último pico em 2004.
O preço do barril de petróleo Brent sobe esta segunda-feira 3% para 107,44 dólares após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter rejeitado um acordo de paz proposto pelo Irão para resolver o conflito entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz, mantendo elevadas as tensões no Médio Oriente.
O Irão anunciou uma proposta de paz na semana passada na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, afirmando que esta tinha sido transmitida aos americanos através de mediadores do Catar. Trump afirmou no sábado que rejeitava o plano, mas disse à Axios, numa entrevista telefónica no domingo, que esperava que os negociadores dos EUA participassem em mais conversações esta semana.
Inflação terá acelerado para 3,6%
Os preços elevados da energia e a postura restritiva dos bancos centrais, que fizeram subir as expectativas de um aumento das taxas de juro, têm mantido as obrigações do Estado em todo o mundo sob pressão nos últimos meses. O Banco Central Europeu já aumentou as taxas de juro duas vezes este ano para combater a inflação, e os mercados monetários estavam, mais recentemente, a prever pelo menos mais um aumento ainda este ano.
De acordo com uma sondagem da Reuters, prevê-se que a inflação na Zona Euro tenha acelerado para 3,6% em setembro, face aos 3,2% registados em agosto. Os economistas consultados esperam que este aumento seja novamente impulsionado pelos preços da energia, mas tanto os decisores políticos como os investidores estarão também atentos a quaisquer alterações nos índices de inflação dos serviços e dos alimentos, para avaliar se poderão estar a começar a surgir efeitos de inflação de segunda ordem.
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