Pinto Luz quer antecipar abertura do novo aeroporto para 2034 e recusa “futurologia” sobre custo

  • Joana Abrantes Gomes
  • 28 Setembro 2026

Ministro das Infraestruturas frisou que o Aeroporto Luís de Camões será totalmente financiado por privados. “Desse modelo não abdicaremos”, afirmou, acreditando que será possível inaugurá-lo em 2034.

O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, rejeita fazer uma previsão do custo do novo aeroporto de Lisboa e acredita que é possível antecipar a sua inauguração para 2034.

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“Ainda não sabemos quanto vai custar o novo aeroporto. Ninguém sabe fazer um orçamento claro enquanto não tivermos os projetos todos definidos, enquanto não tivermos a avaliação de impacto ambiental que está a decorrer”, afirmou, durante uma entrevista na VIII Cimeira do Turismo Português, organizada pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), que decorre esta segunda-feira no Hotel Ritz, em Lisboa.

O governante disse que não se trata de uma crítica ao trabalho da Comissão Técnica Independente (CTI). “Longe de mim, respeito o trabalho da CTI. Mas, efetivamente, estava muito longe do que é a realidade”, visto que o mais recente relatório da ANA aponta para um investimento no futuro Aeroporto Luís de Camões na ordem dos 7,9 a 8,9 mil milhões de euros.

Miguel Pinto Luz na VIII Cimeira do Turismo Português, organizada pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP)

Questionado se o financiamento pode ser superior ao valor avançado pela concessionária dos aeroportos e se os contribuintes irão pagar pela nova infraestrutura, Miguel Pinto Luz respondeu: “Não faço futurologia, sou engenheiro. Estamos a avaliar com critério e rigor. Quando tivermos os números em cima da mesa avaliamos se achamos que é preciso mais ou menos, se achamos que é muito ou pouco. Mas será com investimento 100% privado e desse modelo não abdicaremos”.

O ministro sublinhou ainda que o Governo continua a acreditar que é possível antecipar a abertura do futuro aeroporto para 2034, face à entrada em operação prevista para 2037. “A ANA está a cumprir estritamente aquilo que diz no contrato. O que estamos a convidar a ANA a fazer é a antecipar isso, porque o país já esperou tempo demais”, frisou.

Por outro lado, rejeitou a ideia de que o Montijo seria uma solução mais rápida em detrimento da localização escolhida, Alcochete. Como justificação, Pinto Luz citou os dados do mais recente relatório da concessionária, que projeta 55 milhões de passageiros para o futuro aeroporto.

“Hoje, o aeroporto de Lisboa está a fazer 36 milhões de passageiros. Acreditamos que, com o investimento que estamos a fazer no Humberto Delgado, vamos conseguir acomodar pelo menos mais 10 milhões em relação ao que temos hoje, para garantir continuidade de operação até termos o novo aeroporto. O Montijo não serviria este propósito“, realçou.

Pinto Luz sinalizou ainda que o mercado português “vai crescer ainda mais”, tendo em conta a “turbulência geopolítica” a Leste e no Médio Oriente, pelo que “terá um papel preponderante como hub a servir a América do Sul, a América do norte e ainda a Ásia”.

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