Roménia abalada por alegada ingerência dos EUA na queda do primeiro-ministro conservador
A embaixadora dos EUA em Atenas, Kimberly Guilfoyle, terá vangloriado-se do sucedido numa conversa com o ministro da Energia grego, na qual terá insinuado que o mesmo poderia ser feito na Grécia.
A Roménia está a ser abalada por alegadas ingerências dos Estados Unidos para provocar a queda do Governo romeno por o primeiro-ministro se ter recusado a importar gás norte-americano a um preço superior ao do mercado.
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A polémica surge a dois dias da votação para a escolha do sucessor do conservador Ilie Bolojan, com vários meios de comunicação social locais a darem esta segunda-feira conta de informações segundo as quais a administração norte-americana, durante o mandato de Donald Trump, terá promovido nos bastidores o processo que levou à destituição de Bolojan, em maio passado, através de uma moção de censura.
O escândalo surgiu na sequência de uma recente reportagem do jornal norte-americano Wall Street Journal (WSJ), segundo a qual a embaixadora dos EUA em Atenas, Kimberly Guilfoyle, se terá vangloriado do sucedido numa conversa com o ministro da Energia grego, na qual terá insinuado que o mesmo poderia ser feito na Grécia.
“Podemos fazer isto a qualquer país que quisermos”, é a citação atribuída à diplomata, antiga apresentadora da estação televisiva Fox News, conhecida pela proximidade a Trump e que assumiu o cargo de embaixadora na Grécia há um ano.
Segundo a reportagem, Guilfoyle manteve reuniões secretas com dirigentes do Partido Social-Democrata (PSD) romeno, incluindo com o presidente, Sorin Grindeanu, antes de esta formação política apresentar, em conjunto com a ultradireita pró-russa AUR, a moção de censura contra Bolojan, alegadamente por este se ter recusado a aceitar um acordo dispendioso para importar gás norte-americano.
O PSD, que integrava a coligação de quatro partidos pró-europeus liderada por Bolojan, confirmou os encontros, mas negou que a sua atuação tenha sido motivada por interesses da Casa Branca no sudeste europeu, como refere o WSJ.
As conversas com a embaixadora dos Estados Unidos na Grécia incidiram sobre aspetos relacionados com o ‘Corredor Vertical de Gás’, uma rota energética na qual a Roménia pode desempenhar um importante papel de trânsito. […] Os restantes aspetos mencionados são meras invenções e não fizeram parte da conversa”, declarou o PSD, citado pelo portal Digi24.
“Ilie Bolojan não foi derrubado pelos norte-americanos, nem pelo monstro do Lago Ness, nem pelo Pé Grande. Foi derrubado pelos 88% dos romenos [segundo sondagens] que afirmaram que o país estava a seguir um rumo errado e que ele governava mal”, afirmou hoje Grindeanu aos jornalistas, em Bucareste.
Desde a queda de Bolojan, a Roménia atravessa um período de grande instabilidade política. Os analistas consideram pouco provável que o eurodeputado Siegrid Muresan, também conservador, tal como Bolojan, consiga reunir os votos parlamentares necessários para ser investido primeiro-ministro na próxima quarta-feira, depois de ter sido indigitado a 17 deste mês pelo Presidente romeno, Nicusor Dan.
Muresan, o terceiro primeiro-ministro indigitado por Dan desde a queda de Bolojan, conta com o apoio do Partido Nacional Liberal (PNL), democrata-cristão, da União Salvar a Roménia (USR), centrista, e do partido da minoria húngara UDMR, que, em conjunto, somam 169 dos 466 lugares do Parlamento.
Os dois principais partidos do Parlamento, o PSD, social-democrata, e a AUR, ultranacionalista, rejeitaram até agora a indigitação de Muresan e o respetivo programa de Governo.
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