Seguro pede que coesão territorial faça parte da estratégia do turismo português
Chefe de Estado defende que o futuro do setor tem de assentar na sustentabilidade económica, social e ambiental, não devendo ignorar problemas como a pressão sobre a habitação.
- O Presidente da República enfatiza a importância da coesão territorial na estratégia do turismo português, exigindo respostas concretas para desafios como habitação e mobilidade.
- António José Seguro destaca que o crescimento do turismo deve beneficiar o país e ser sustentável, considerando o impacto de fatores internacionais como inflação e flutuações de preços.
- O desenvolvimento turístico deve ir além dos grandes centros urbanos, avisa Seguro.
O Presidente da República defendeu esta segunda-feira que a coesão territorial “tem de fazer parte da estratégia do turismo português”, realçando que questões como a pressão sobre a habitação, a mobilidade, o ambiente, os serviços públicos e a qualidade da própria experiência turística exigem “respostas concretas”.
No encerramento da VIII Cimeira do Turismo Português, organizada pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), António José Seguro dirigiu-se aos responsáveis do setor e ao Governo para alertar que o crescimento turístico deve “beneficiar o país” e ser “compatível” com a qualidade de vida dos portugueses.
“A pressão do imediato não pode impedir-nos de preparar o futuro. E um setor com a importância estratégica do turismo não pode limitar-se a gerir o sucesso que alcançou“, afirmou, chamando também a atenção para o “contexto internacional marcado por guerras, tensões geopolíticas, alterações no comércio mundial, flutuações dos preços da energia, inflação, taxas de juro e mudanças nas prioridades dos Estados e das famílias”.
“Tudo isto influencia as decisões de investimento, os custos das empresas, os padrões de consumo e os fluxos turísticos. A capacidade de antecipar estas mudanças será determinante para a competitividade do setor“, sublinhou.
António José Seguro defendeu também que a ambição do turismo deve estar assente “na sustentabilidade económica, social e ambiental”, o que exige “decisões estruturais” como o novo aeroporto de Lisboa e o processo de reprivatização da TAP, tendo em conta o papel da companhia aérea “na ligação de Portugal aos mercados internacionais e na captação de turistas”.
Mas a competitividade turística “não se mede apenas pelo número de visitantes, pelas receitas ou pela capacidade instalada”, mede-se também “pelo valor que deixa no território e pela forma como contribui para a vida das pessoas”, ressalvou o Chefe de Estado.
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"Portugal tem de ser capaz de atrair visitantes ao longo de todo o ano e de continuar a valorizar destinos que vão muito além dos grandes centros urbanos e dos locais tradicionalmente consolidados. Tem de transformar o potencial do interior em oportunidades reais de investimento, emprego e desenvolvimento.”
Por isso, deixou o apelo para que o desenvolvimento turístico não fique confinado aos grandes centros urbanos ou aos destinos já consolidados: “Tem de contribuir para renovar a atividade económica no interior, criar oportunidades de emprego e fixar população”, assim como “valorizar os recursos de cada região, respeitar as comunidades e assegurar que o património natural e cultural é preservado”.
O Presidente da República alertou ainda que o setor deve ter como objetivo a melhoria das remunerações, juntamente com a rentabilidade dos investimentos e a capacidade de atrair capital. “Não há competitividade duradoura sem empresas sustentáveis. Mas também não há competitividade duradoura sem profissionais valorizados, qualificados e justamente remunerados”, frisou.
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