Três em cada dez empresas estão a demorar mais a preencher vagas de trabalho
Escassez de talento adequado às vagas disponíveis persiste, enquanto currículos criados com IA vêm complicar ainda mais processo de recrutamento. Cenário é traçado pela ManpowerGroup.
Três em cada dez das empresas que operam em Portugal estão a demorar mais tempo do que há um ano a preencher as vagas de emprego que têm em aberto. De acordo com um novo estudo da consultora de recursos humanos ManpowerGroup, a dificuldade em encontrar candidatos com as competências necessárias para as funções é o principal motivo para esse agravamento, que tem sido sentido, sobretudo, nos setores do comércio e logística, indústria, hotelaria e restauração.
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“Cerca de 30% das empresas em Portugal afirmam que demoram mais tempo do que há um ano a preencher as vagas em aberto. Apenas 24% estão a recrutar mais rapidamente e 44% não registam alterações significativas“, detalha a ManpowerGroup na análise enviada esta segunda-feira às redações, que tem por base as respostas de 39 mil empregadores em 42 países e territórios, incluindo Portugal.
Quando questionados sobre o motivo pelo qual estão a demorar mais tempo as preencher as vagas, mais de metade dos empregadores portugueses (52%) apontam a referida dificuldade em encontrar candidatos com competências adequadas. Já 45% das empresas mencionam a dificuldade em encontrar candidatos qualificados no mercado local, 29% identificam o menor número de candidatos a serem identificados por referência ou redes profissionais e 20% referem o desencontro entre as expectativas dos candidatos e os requisitos das funções (20%).
“O impacto da inteligência artificial (IA) neste processo é ainda limitado, mas é já sentido por alguns empregadores, com 7% a destacarem o aumento de currículos criados por IA como razão pela qual o tempo de preenchimento das vagas está a aumentar“, explica também a consultora de recursos humanos.
No que toca a este ponto da utilização crescente da IA na criação de CVs, alguns setores em particular já reportam “impactos relevantes associados”. “É o caso das finanças e seguros (43%) e da tecnologia e serviços de informação (33%), que mencionam este fator como uma das principais razões pela qual estão a demorar mais tempo a preencher as vagas em aberto da organização, sendo mesmo o principal fator apontado no caso do setor financeiro”, é salientado na análise agora conhecida.
O impacto da Inteligência Artificial neste processo é ainda limitado, mas é já sentido por alguns empregadores, com 7% a destacarem o aumento de currículos criados por IA como razão pela qual o tempo de preenchimento das vagas está a aumentar.
Importa explicar que estes desafios de recrutamento afetam praticamente todos os setores em Portugal, mas “assumem maior intensidade em áreas com forte necessidade de competências técnicas e exigência operacional“.
“Assim, os setores do comércio e logística (59%), da indústria (58%), da hotelaria e restauração (57%), dos serviços e tecnologias de informação (56%) e o Setor Público, Saúde e Serviços Sociais (51%), são os que declaram as dificuldades em encontrar candidatos com as competências de que necessitam como a principal causa para tempos de contratação mais longos”, destaca a ManpowerGroup.
Quanto às empresas que estão a conseguir preencher as suas vagas mais rapidamente, as razões apontadas são os processos mais eficientes, a maior colaboração interna e o recurso a empresas parceiras externas.
“Em reposta à questão ‘O que estão a fazer as empresas que recrutam mais depressa?’, 29% dos empregadores nacionais destacam a melhor colaboração entre os RH e os gestores da posição a contratar, 26% mencionam processos de aprovação mais rápidos, 24% afirmam priorizar candidatos referenciados através de redes de contacto e networking e 22% o recurso a parceiros externos de recrutamento, como consultoras de recrutamento”, é detalhado.
Curiosamente, a IA — apontada como um motivo para a maior demora no recrutamento — está a ajudar certas empresas a preencher as suas vagas mais rapidamente, com 22% dos empregadores a referir a melhor triagem de candidaturas, 18% a indicarem a melhor segmentação na atração de candidatos e 13% a apontarem diretamente o recurso a IA e tecnologias de recrutamento.
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