Trump propôs venda de armamento à China

  • Lusa
  • 28 Setembro 2026

China confirma que chegou a acordo com os EUA para prorrogar até 10 de janeiro de 2027 a trégua comercial que expirava a 10 de novembro.

O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, propôs à China a compra de armamento norte-americano, face às preocupações chinesas sobre o fornecimento de armas a Taiwan, indicou no domingo o embaixador dos EUA em Pequim.

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“O Presidente Trump continua a dizer: ‘Bem, nós vendemos armas a outros países em todo o mundo’. Chegou mesmo a perguntar ao Presidente Xi Jinping, a dada altura, se queria comprá-las”, declarou o embaixador David Perdue à emissora Fox News, sem especificar quando teve lugar essa conversa entre os dois líderes.

“Prosseguem as discussões sobre outras vendas, e [Trump] e o Presidente Xi falam sobre esse assunto sempre que se encontram”, acrescentou Perdue, salientando que a posição dos EUA não se alterou.

Donald Trump e David PerdueLusa

Em junho, a China advertiu Taiwan de que “procurar a independência apoiando-se nos Estados Unidos ou recorrendo à força militar é um beco sem saída”.

Washington aprovou, em dezembro, vendas de armamento a Taiwan no valor de 11,1 mil milhões de dólares (10,3 mil milhões de euros).

Perdue sublinhou que o acordo demonstrava que a Administração Trump vendeu “mais armas a Taiwan do que qualquer outro Presidente desde 1979”.

As vendas de armamento a Taiwan continuam a ser uma questão sensível entre Washington e Pequim.

Os EUA estão legalmente obrigados a fornecer da Taiwan, governada por um Presidente e um parlamento democraticamente eleitos, armamento que garanta a defesa da ilha.

A China prometeu recuperar o controlo de Taiwan, que considera parte integrante do seu território, sem excluir o recurso à força, tendo intensificado nos últimos anos a pressão militar sobre a ilha.

Depois da recente visita de Xi aos Estados Unidos, o ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Yi afirmou que o Presidente chinês salientou que a China salvaguarda firmemente a “unidade nacional” e a “integridade territorial”, instando os EUA a tratarem a questão com prudência.

China confirma trégua comercial com EUA até janeiro de 2027

Entretanto, a China confirmou que chegou a acordo com os Estados Unidos (EUA) para prorrogar até 10 de janeiro de 2027 a trégua comercial que expirava em 10 de novembro, depois de Washington ter anunciado a prorrogação.

A prorrogação surge após a recente visita de Estado do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos.

O ministério do Comércio chinês detalhou pela primeira vez a prorrogação do chamado “acordo conjunto” alcançado em Kuala Lumpur em outubro de 2025, poucos dias antes do encontro entre Xi e o homólogo norte-americano, Donald Trump, na cidade sul-coreana de Busan.

Esse acordo suspendeu, até novembro deste ano, determinadas medidas pautais e não pautais adotadas durante a escalada comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Pequim evitou, até agora, confirmar explicitamente a prorrogação anunciada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. Após a cimeira entre os dois presidentes, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês limitou-se a referir que as equipas económicas alcançaram um novo “acordo conjunto”.

O ministério do Comércio indicou esta segunda-feira que ambas as partes continuarão a negociar durante a prorrogação, visando alcançar uma “solução acordada”.

“Este acordo proporciona margem para que ambas as partes revejam e avaliem a implementação do acordado e ponderem como impulsionar as relações económicas e comerciais entre a China e os Estados Unidos”, indicou o ministério.

O ministério detalhou ainda outros resultados da oitava ronda de consultas económicas e comerciais, realizada entre 20 e 23 de setembro em Nova Iorque e Washington, antes da cimeira entre Xi e Trump.

Entre estes destaca-se um quadro de redução recíproca de taxas alfandegárias sobre produtos avaliados em cerca de 30 mil milhões de dólares (mais de 26 mil milhões de euros) por cada parte, pelo qual aproximadamente 90% dos bens incluídos verão as suas tarifas reduzidas para os níveis de “nação mais favorecida”, uma vez concluídos os procedimentos legais internos.

Ambos os países concordaram igualmente em criar um Conselho de Comércio bilateral, cuja primeira tarefa será abordar esse pacote tarifário, e um Conselho de Investimento para tratar de oportunidades e obstáculos empresariais.

O Conselho de Comércio contará ainda com um grupo de trabalho agrícola, enquanto o carvão norte-americano será incluído no regime de redução de direitos aduaneiros, o que Pequim considera que facilitará as suas importações dessa mercadoria durante 2027 e 2028.

No domínio da inteligência artificial, a China confirmou ainda que o vice-primeiro-ministro He Lifeng e Bessent vão liderar um diálogo específico, cuja primeira sessão já teve lugar, e que as partes vão estabelecer um canal de comunicação sobre “incidentes” relacionados com esta tecnologia antes de se reunirem novamente antes do final de novembro.

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