Vieira Portuense avaliado até 60 mil euros vai a leilão. Estado tem direito de preferência
Leilão da Cabral Moncada reúne obras de 88 proprietários. Retrato classificado de Vieira Portuense tem valor de licitação entre 40 e 60 mil euros. Também um José Malhoa avaliado até 120 mil euros.
A leiloeira Cabral Moncada, em Lisboa, realiza esta segunda-feira, um dos seus seis leilões presenciais do ano, a partir das 18h00. Dedicado a antiguidades e obras de arte moderna e contemporânea, inclui quadros de José Malhoa, Vieira da Silva, Paula Rego, um estudo de Almada Negreiros para os painéis da Gare Marítima de Alcântara e um retrato de Francisco Vieira Portuense que se prevê que venha a chamar mais a atenção: o Retrato de Maria Amália de Habsburgo, Arquiduquesa de Áustria e Duquesa de Parma.
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Este quadro foi pintado por Francisco Vieira Portuense em 1795 e tem um valor estimado entre 40 mil e 60 mil euros. O óleo sobre tela, com 100 por 78 centímetros estava até agora numa coleção particular de Cascais, está classificado e sujeito ao exercício do direito de preferência pelo Estado, que, até agora, não manifestou o seu interesse na aquisição da obra.
Segundo a Cabral Moncada, a obra encontra-se legalmente protegida desde 1974 e integrou, em 2001, uma exposição dedicada ao pintor no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto. O retrato resulta de uma das últimas encomendas recebidas por Vieira Portuense durante os anos em que viveu na cidade de Parma e representa Maria Amália como caçadora.
“A informalidade do traje e da pose denotam o caráter excêntrico da retratada, o que Vieira sugere também na argúcia do olhar, no acento voluntarista da expressão e na convocação de objetos que remetem para a firmeza e feminilidade de Maria Amália”, diz a historiadora Giuseppina Raggi, citada no catálogo do leilão da Cabral Moncada. O historiador português Paulo Varela Gomes considerou a pintura “um dos melhores retratos de toda a história da pintura portuguesa”.
“O retrato da Grã-Duquesa veio para Portugal não se sabe exactamente como, tendo pertencido à colecção dos Viscondes de Asseca que o terão herdado dos Palmelas – o que significa que o quadro pode ter sido adquirido pelo Duque D. Pedro em Itália ou em Espanha na primeira metade do século XIX“, diz ainda o investigador, citado no catálogo.
“O Estado português é o primeiro a receber informação sobre todos os bens que se encontram nos leilões presenciais da Cabral Moncada Leilões, precisamente para poder ter tempo para tomar decisões”, afirma Miguel Cabral Moncada. Mas a decisão de aquisição de bens só é transmitida, normalmente, “mais perto do leilão, frequentemente no próprio dia”, disse ao ECO Avenida. “Neste momento não temos nenhuma informação sobre o assunto”, acrescentou Cabral Moncada esta sexta-feira.
Entre as outras peças, Miguel Cabral Moncada seleciona Saboreando, de José Malhoa, Journal Parlé, de Maria Helena Vieira da Silva, e Barbe bleue, croquemitaine et compagnie, de Paula Rego, como algumas das obras mais relevantes deste leilão. O quadro de Malhoa é um dos mais valiosos que vai à praça, avaliado entre 80 e 120 mil euros.
O catálogo inclui ainda seis heliogravuras de Gerhard Richter, um núcleo de porcelana chinesa de exportação com peças brasonadas de famílias portuguesas, prata, joalharia e arte Namban, nomeadamente uma folha de leque Lusíada, proveniente de uma coleção particular em Lisboa (e adquirida a Pedro Aguiar Branco, tendo como proveniência uma coleção particular britânica). Esta peça está avaliada entre 35 mil e 52.500 euros.

Entre os objetos que vão a leilão está também uma curiosa caixa com fotografia e mecha de cabelo do Príncipe D. Luís Filipe (1887-1908) em metal dourado. Segundo a informação da leiloeira vem acompanhada por um “cartão de visita de “D. Isabel de Saldanha da Gama – Dama Camarista de S. M. a Rainha ao serviço de SS. AA.”, datado de Agosto de [18]96, com a inscrição “Altura do Senhor Infante 85 centímetros. Altura de S. A. o Príncipe 1m e 10c. S. A. o Príncipe acentou praça no dia 26 de Novembro de 1891′”. Tem um valor entre 300 e 450 euros.

Um leilão com 88 proprietários diferentes
Os bens do leilão pertencem a 88 proprietários diferentes, precisa Miguel Cabral Moncada ao ECO Avenida. Destes, 48 proprietários têm apenas uma peça em leilão. Já o proprietário com maior representação colocou 89 bens no leilão e o segundo 46.
O leilão 242 é um dos maiores do ano para a Cabral Moncada e um dos seis presenciais – quatro de arte antiga e dois de arte moderna e contemporânea – que acontecem ao longo do ano. “Para esses seis leilões a Cabral Moncada Leilões faz um seleção criteriosa de obras de arte que contrata para leilão, escolhendo as que pela sua relevância histórico-artística e cultural e pelo seu valor económico justifica serem destacados para esses leilões”, assegura Miguel Cabral Moncada.
“Os catálogos são muito elaborados, contam com a colaboração de historiadores e especialistas que elaboram textos para a apresentação de determinados bens de forma a dar a máxima informação possível ao Mercado de Arte na sua globalidade e especificamente aos potenciais compradores”, diz. As peças podem ser vistas no local e a licitação também está a decorrer online. “Esses catálogos são incluídos nas grandes plataformas mundiais de leilões de arte, chegando a vários milhões de compradores um pouco por todo o mundo”.
Serão leiloados um total de 362 lotes.
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