Autoridade da Concorrência investiga compra da BebéVida pela Crioestaminal e atrasa negócio na criopreservação

Regulador liderado por Nuno Cunha Rodrigues iniciou uma investigação aprofundada ao plano de negócio na área da saúde por "sérias dúvidas" de "entraves significativos à concorrência" neste mercado.

A Autoridade da Concorrência (AdC) anunciou esta terça-feira que iniciou uma investigação aprofundada à compra da empresa BebéVida pela Crioestaminal, cujo objetivo é criar uma empresa de maior dimensão na área da criopreservação.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

“A operação de concentração em análise suscita sérias dúvidas, à luz dos elementos recolhidos, e em atenção aos critérios definidos no artigo 41º, quanto à sua compatibilidade com o critério estabelecido no nº 3 do artigo 41º do mesmo diploma, no que respeita ao(s) mercado(s) relevantes identificados”, explica a AdC, referindo-se ao artigo sobre as concentrações de empresas que são suscetíveis de criar entraves significativos à concorrência, numa nota divulgada online.

Em causa está uma transação entre empresas que se dedicam à preservação de células ou tecidos biológicos através de congelamento a temperaturas negativas para posterior aplicação clínica (caso seja necessário). A operação de concentração entre a Stamcriovitae (dona da BebéVida) e a Crioestaminal (sob alçada da casa-mãe Stemlab) foi notificada ao regulador da concorrência em meados de maio e, desde então, tem estado a ser analisada pelo regulador liderado por Nuno da Cunha Rodrigues.

Na ficha de processo é possível constatar que qualquer uma das quatro sociedades opera “indiretamente, atua no setor da criopreservação de células estaminais, prestando serviços de análise, processamento e criopreservação de células estaminais, dispondo de instalações próprias para o armazenamento de sangue e tecido do cordão umbilical e outros componentes biológicos”.

Fundada em 2003, por um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra, a Crioestaminal foi adquirida pelo grupo polaco Famicord em 2018, que entretanto passou a integrar a alemã Vita 34 AG, criando o maior banco de células estaminais da Europa, com presença em 34 países e receitas de 88,2 milhões de euros em 2025. Em 2023, fez parte do projeto-piloto da semana de quatro dias criado pelo Governo socialista de António Costa.

Agora, pretende consolidar a posição de liderança neste mercado em Portugal, sendo que não é a primeira vez que a Crioestaminal protagoniza uma consolidação no mercado nacional de criopreservação de células estaminais. Em 2019, adquiriu a Bébécord, que atua no mesmo segmento, a Bébé4D, que presta serviços de imagiologia através da realização de ecografias 3D e 4D, e ativos da MedicalMedia II, que se dedica à realização de eventos, congressos e palestras para futuros pais, complementada pela prestação de serviços de promoção e publicidade.

No caso da Bebévida – Ciências para a Vida S.A., é detida pela Stamcriovitae, participada da Cordvida Portugal.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Autoridade da Concorrência investiga compra da BebéVida pela Crioestaminal e atrasa negócio na criopreservação

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião