Fabricante do Oura Ring adia entrada em bolsa devido a “incerteza no mercado de IPO”

Empresa finlandesa, que deveria iniciar as negociações esta quarta-feira, mantém plano no Nasdaq e diz ter tido “forte procura” na oferta pública inicial, mas decidiu atrasá-la sem indicar nova data.

A empresa finlandesa Oura, conhecida pelos anéis inteligentes que medem as horas de sono ou o ritmo cardíaco, adiou a entrada na bolsa de Nova Iorque. O unicórnio que desenvolveu o Oura Ring anunciou esta terça-feira que decidiu atrasar a oferta pública inicial nos Estados Unidos por “incerteza no mercado” de Initial Public Offerings, “apesar da forte procura”.

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É mais um revés nas expectativas de uma recuperação das entradas em bolsa previstas para este outono. “A nossa missão é capacitar as pessoas para viverem vidas mais saudáveis ​​e longas. Um IPO é apenas um passo nesta jornada. O nosso objetivo é fazer um IPO extraordinário para os nossos colaboradores e investidores – e temos a vantagem de poder escolher o momento certo. Entretanto, vamos aproveitar as oportunidades que surgirem”, explicou o CEO da Oura, Tom Hale, em comunicado publicado online.

A marca de wearables para fitness e bem-estar garante que está com um “crescimento significativo” e que o negócio até se “fortaleceu ainda mais desde o início do processo de IPO”, nomeadamente porque a resposta dos consumidores ao modelo mais moderno do anel (Oura Ring 5) tem sido positiva, elevando o número de assinantes (os que têm a subscrição) para 5,7 milhões. Para o ano fiscal de 2026, a Oura espera que as receitas subam 90% em relação ao ano anterior.

A Oura, que tem sedes em Oulu e em São Francisco, pretende captar até 2,2 mil milhões de dólares (cerca de 1,9 mil milhões de euros), que a avaliaria em 15,6 mil milhões de dólares (aproximadamente 13,7 mil milhões de euros). O objetivo é negociar no índice Nasdaq com o código “OURA” e colocar na praça até 0 milhões de ações a um preço entre 40 e 44 dólares cada (34 a 38 euros).

Segundo a Reuters, a expectativa era que o preço do IPO fosse definido ainda esta terça-feira e que os títulos começassem as negociações no Nasdaq na quarta-feira. No entanto, após um ano promissor, este é mais um caso em que o mercado de IPO dos Estados Unidos trava, porque os investidores estão preocupados com o rumo do boom da inteligência artificial, a subida dos juros e a turbulência geopolítica.

“As taxas de juro mais altas estão claramente a tornar os investidores mais seletivos, particularmente em relação às avaliações de crescimento. Ainda assim, não diria que a janela de oportunidade para as IPO está fechada, especialmente com a Anthropic a avançar com aquele que pode ser um dos maiores IPO da história“, comentou o analista Lukas Muehlbauer, da IPOX, em declarações à agência noticiosa.

Os traders e economistas contactados pelo ECO antecipavam que se a procura do IPO da Oura fosse (ou for) elevada – perto do teto do intervalo previsto – e com um bom desempenho das ações, nos dias e nas semanas seguintes à estreia em bolsa, poderia incentivar outras empresas a avançarem também para dispersão de capital. Porém, “essa retoma dependerá também das condições gerais do mercado”.

Contudo, ainda no início do mês a empresa de serviços nucleares Holtec suspendeu o IPO nos EUA, logo após a Bamboo Insurance tomar a mesma decisão.

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