Hub de defesa em Guimarães fica em “operação completa” no próximo ano
Edifício do centro de inovação criado pela Fibrenamics, no AvePark, está a ser recuperado para ficar totalmente operacional em 2027. Instituto garante “andamento nas ideias" antes de a obra acabar.
Portugal vai ter um novo centro de inovação dedicado à defesa e proteção no próximo ano. A associação minhota Fibrenamics, que desenvolve, testa e valida novas tecnologias e protótipos, está a finalizar a recuperação do edifício que irá acolher o Fibrenamics Innovation Hub – Defense & Protection, no Avepark, em Guimarães.
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“Já temos o edifício pronto, está a ser feito o final da reabilitação das partes interiores. Esperamos, no prazo máximo de um ano, ter a operação completa, com os outros centros de investigação e já com empresas com projetos. Não obstante, não vamos esperar por esta infraestrutura física para dar andamento a estas ideias”, disse esta segunda-feira o CEO da Fibrenamics, Luís Oliveira, na conferência do eRadar.
O espaço no parque científico-tecnológico na ‘cidade-berço’ — uma infraestrutura apoiada pela Câmara Municipal de Guimarães — tem cerca de oito mil metros quadrados e funcionará como um “autêntico hub de defesa onde as empresas podem desenvolver produtos”.
“Posso dizer que temos algumas dezenas de ideias em maturação de conceito com as empresas, outra dezena a andar em projetos com diferentes tipologias, desde a preparação dos futuros STEP [Plataforma de Tecnologias Estratégicas para a Europa] de defesa que irão abrir em breve (esperamos todos) até a IFIC [Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade] nesta área”, adiantou o CEO da Fibrenamics, mencionando ainda os produtos para proteção e segurança, que têm “projetos em copromoção em andamento e em fases muito avançadas”.

Fundada há mais de 14 anos, a Fibrenamics é uma associação de inovação em materiais fibrosos e compósitos para vários setores de atividade económica, entre os quais arquitetura e construção, desporto, medicina, segurança e transportes. Mais recentemente, tem-se destacado com iniciativas na área da defesa, por ser especializada em proteção balística, ferramentas de proteção química, bacteriológica, radiológica e nuclear ou capacetes anti-bala.
“A nossa abordagem foi maturar a oferta que tínhamos. Achamos que temos um ecossistema de centros de tecnologia e de inovação no Minho e decidimos juntar esses esforços transversais, desde a área da digitalização, inteligência artificial, plásticos, sustentabilidade, saúde do soldado, com uma parceria com os centros de investigação da Universidade de Minho que estão em Braga, juntamente com os de Guimarães”, explicou Luís Oliveira, num painel no qual estiveram também Jorge Pimenta, diretor de Inovação do Instituto Pedro Nunes, e Ricardo Pinheiro Alves, presidente da idD Portugal Defence.
Luís Oliveira considera que os projetos da Fibrenamics na defesa sempre “foram especiais porque deram produto”, que foi levado para o mercado por ter certificações do Exército e provas dadas no combate.
No entanto, o CEO do instituto de investigação e desenvolvimento critica os critérios utilizados nalguns contratos. “Há aqui um ponto interessante é que depois não temos o Exército português como comprador dessas empresas parceiras que trabalharam connosco. Quando o critério é apenas o custo é difícil. Comprar o que é português tem muitas outras externalidades positivas que são evidentes: fomentamos a criação de emprego e o benefício económico para as empresas”, salientou o gestor.
Para colmatar estes e outros entraves na inovação da defesa, o hub vimaranense envolverá também um conjunto de outros centros e estruturas de investigação e inovação com competências complementares, como o PIEP – Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros, o CCG/ZGDV (economia digital), o CVR – Centro para a Valorização de Resíduos, o Centro Clínico Académico de Braga (2CA-Braga), o CoLab DTx (Associação Laboratório Colaborativo em Transformação Digital), a B.ACIS (Centro de Inovação em Saúde da Escola de Medicina da Universidade do Minho) e a TecMinho.
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