Professores portugueses ganham mais do que outros diplomados, mas satisfação “é baixa face à OCDE”
Estudo da OCDE indica que satisfação dos professores portugueses com condições de trabalho e salários é baixa face a outros países. Ainda assim, ordenados superam os de outros diplomados.
Ao contrário do que acontece na maioria dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em Portugal, o salário médio dos professores do setor público supera o dos demais trabalhadores com ensino superior completo. Contudo, de acordo com a a edição deste ano do “Education at a glance”, o nível de satisfação dos docentes portugueses com as condições de trabalho e remuneratórias é “baixo em comparação com outros países” da organização.
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“O salário médio efetivamente auferido pelos professores tende a ser superior aos rendimentos de outros trabalhadores com formação superior em Portugal, em contraste com a maioria dos outros países da OCDE, onde o ordenado médio dos docentes é inferior aos dos outros diplomados”, lê-se nesse novo relatório, que foi publicado esta terça-feira. Por exemplo, a OCDE calcula que, por cá, os professores da pré-primária ganham, em média, 35% mais do que os demais licenciados.
Contudo, enquanto no conjunto da OCDE os salários de entrada dos professores do ensino primário e secundário aumentaram, em termos reais, 18 a 20% entre 2015 e 2025, “tornando a profissão mais atrativa” para os jovens, Portugal não seguiu essa tendência. Por cá, o salário de entrada na docência encolheu 10% na última década, o que significa que os docentes que chegaram à profissão em Portugal viram o seu poder de compra diminuir.
A OCDE nota também que os níveis de satisfação com as condições de emprego e salariais dos professores em Portugal é baixa em comparação com outros países. No conjunto da organização, 68,4% dos professores dos níveis mais baixos do ensino secundário dizem-se satisfeitos com as condições laborais e 38,7% com as remunerações. Em comparação, essa satisfação é apontada por 39,1% e 13,4%, respetivamente.
Por outro lado, o “Education at a glance” destaca que as a maioria dos professores da OCDE é do género feminino, em todos os níveis de educação exceto o superior. Por exemplo, no ensino pré-primário, 96% dos professores são mulheres. Em Portugal, a participação feminina na docência é ainda mais expressiva: 99% dos professores pré-primários são mulheres.
As gerações mais qualificadas de sempre

O relatório divulgado esta terça-feira pela OCDE dá também conta de que as habilitações literárias estão em máximos históricos no conjunto dos países que compõem a OCDE. Neste ano, mais de quatro em cada dez adultos em idade ativa (25 a 64 anos) têm concluído o ensino superior.
Portugal, ainda não conseguiu, contudo, atingir essa média, uma vez que a fatia de adultos com formação superior ronda agora os 33%, apesar do “progresso substancial” registado na última década.
Por outro lado, 15% dos jovens portugueses (18 a 24 anos) não trabalham nem estudam, o que corresponde a um recuo face à fatia de 19% que tinha sido observada por cá em 2015. Ainda assim, Portugal continua a registar um quadro mais grave do que a média da OCDE (13%).
O “Education at a glance” realça também que o impacto da formação superior no emprego tem variado entre os países, em função, igualmente, das condições económicas, da procura e das políticas públicas. “Em Portugal, a taxa de desemprego dos jovens com formação superior diminuiu de 13% em 2015 para 6% em 2025. As taxas correspondentes para a OCDE são de 7% em 2015 e 5% em 2025″, explica a organização. Ou seja, Portugal conseguiu melhorar neste indicador, mas ainda sai pior na fotografia que a média da OCDE.
O relatório agora conhecido assinala, além disso, que os trabalhadores com qualificações superiores têm maior probabilidade de ter empregos onde o teletrabalho é uma opção. Em 2023, em Portugal, 42% dos trabalhadores com formação superior teletrabalharam sempre ou frequentemente, o que comparou com 12% dos trabalhadores com formação pós secundária (mas não superior).
Estudantes estrangeiros no ensino superior

No que diz respeito ao ensino superior e à sua relação com os alunos estrangeiros, a OCDE avança que a maioria dos países que compõem esta organização acolhe mais estudantes vindo de fora do que veem sair alunos seus para outros destinos. Em Portugal, o cenário é o inverso.
Por cá, a proporção de estudantes internacionais que saem do país é de 4%, enquanto os estudantes internacionais que entram no país representam, em média, 13%.
“Os três principais destinos dos estudantes portugueses que estudam no estrangeiro são o Reino Unido (17%), os Países Baixos (15%) e Espanha (15%), enquanto os três principais países de origem dos estudantes internacionais que estudam em Portugal são o Brasil (28%), a Guiné-Bissau (11%) e Angola (11%)”, frisa a OCDE.
Por outro lado, o relatório publicado esta terça-feira mostra que, em muitos países, a mobilidade internacional de entrada aumentou mais rapidamente do que a mobilidade de saída entre os estudantes do ensino superior.
“Em Portugal, a proporção de estudantes internacionais que entram no país aumentou oito pontos percentuais, o dobro do aumento registado nos países da OCDE, enquanto a proporção de estudantes que saem do país aumentou um ponto percentual”, assinala a organização.
Em resultado, a proporção de estudantes internacionais em Portugal passou de um nível inferior à média da OCDE em 2015 para um nível superior à média da OCDE em 2024.
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