Avião comercial com destino a Telavive desviado para a Arábia Saudita. Israel fala em terrorismo
Incidente com aeronave da FlyDubai levou Israel a mobilizar caças e terá resultado de uma briga entre os dois pilotos da aeronave. Ministros israelitas falam em terrorismo.
Um avião comercial que viajava do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para Israel foi forçado a aterrar hoje de emergência na Arábia Saudita, gerando brevemente preocupações sobre um possível sequestro e levando Israel a mobilizar caças.
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A imprensa israelita, citando responsáveis de segurança, informou que o incidente resultou de uma briga entre os dois pilotos da aeronave, mas que todas as restantes pessoas que seguiam a bordo estavam em segurança.
O avião aterrou em Tabuk, uma base civil e militar no reino saudita.
A aeronave da FlyDubai transmitiu um alerta de emergência logo após a descolagem, de acordo com informações de voos disponíveis divulgadas em portais com acesso público.
Uma autoridade regional disse que houve uma contenda na cabine de comando e que aparentemente envolveu os pilotos. Não ficou imediatamente claro o que causou o conflito, disse a autoridade.
Uma segunda autoridade confirmou que Israel mobilizou caças, temendo o sequestro de um avião que transportava dezenas de cidadãos israelitas.
Ambas as autoridades falaram sem se identificarem publicamente, uma vez que o incidente ainda está a ser investigado.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tinha alertado nos últimos dias para ameaças à segurança não especificadas e em escalada.
Israel não regista casos de sequestro de aeronaves há décadas, mas mantém um dos sistemas de segurança aeroportuária mais rigorosos do mundo.
Os voos comerciais têm operado entre Israel e os Emirados Árabes Unidos desde que os países normalizaram as suas relações em 2020.
Piloto e copiloto feridos no voo desviado
O comandante e o copiloto de um avião da Flydubai com destino a Telavive, que aterrou de emergência na Arábia Saudita, ficaram feridos, segundo o aeroporto, enquanto a imprensa israelita reporta uma discussão violenta entre os dois.
O aeroporto de Tabuk (noroeste) “recebeu, às 08:44 locais (06:44 em Lisboa), um pedido de socorro do voo FZ1073, a solicitar uma aterragem de emergência”, informou na rede social X a Cluster2, empresa que opera o aeroporto.
Segundo a Cluster2, o aparelho aterrou sem incidentes” uma hora depois. Feridos, os dois pilotos foram levados ao hospital para receber os cuidados necessários.
“O voo FZ 1073, que ligava o Aeroporto Internacional do Dubai ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em 30 de setembro, registou um incidente durante a viagem. O aparelho aterrou em segurança no aeroporto de Tabuk e todos os passageiros estão a salvo”, indicou um porta-voz da companhia aérea de baixo custo dos Emirados Árabes Unidos, num comunicado.
Vários meios de comunicação social israelitas noticiaram uma altercação entre o piloto e o copiloto do avião, durante a qual foi ativado o sinal de emergência da aeronave.
Meios de comunicação social israelitas, citando fontes anónimas, noticiaram que passageiros do voo intervieram para separar os pilotos durante a altercação. Foi divulgada uma fotografia que mostra um dos passageiros com a t-shirt coberta de sangue.
O canal de televisão israelita 12 afirmou que as autoridades estão a investigar uma eventual tentativa de suicídio de um dos pilotos, que terá tentado provocar a queda do avião, tendo sido impedido pelo outro piloto.
Não foi possível verificar de imediato estas informações divulgadas pela imprensa. Contactadas pela agência noticiosa France-Presse (AFP), as Forças Armadas israelitas indicaram estar a fazer averiguações.
Cerca de duas horas e meia após a partida de Dubai, o avião desceu abruptamente de 33.000 pés (10.058 metros) de altitude para 17.000 pés (5.180 metros) no espaço de um minuto, antes de fazer um círculo errático perto da fronteira com a Jordânia e, por fim, aterrar em Tabuk cerca de uma hora depois, de acordo com o FlightRadar24.
“A tripulação foi interrogada no âmbito da investigação”, indicou um responsável regional citado pela agência noticiosa norte-americana France-Presse (AFP), que adiantou desconhecer se algum deles ficou detido.
Também citado pela AP, um outro responsável israelita afirmou que Telavive acredita que o incidente pode ter sido uma tentativa de ataque contra Israel, mas a investigação ainda está em curso.
Uma terceira autoridade, também segundo a AP, confirmou que Israel tinha mobilizado aviões de combate, temendo um sequestro de um avião que transportava dezenas dos cidadãos israelitas.
As três autoridades falaram sob condição de anonimato, uma vez que o incidente ainda se encontra sob investigação.
Ministros israelitas atribuem incidente com avião a terrorismo
Entretanto, dois ministros israelitas atribuíram a terrorismo o incidente com um avião que seguia dos Emirados Árabes Unidos para Telavive e aterrou na Arábia Saudita, um incidente ainda por esclarecer.
Os ministros da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, e das Finanças, Bezalel Smotrich, ambos da extrema-direita, afirmaram que teria ocorrido uma tentativa de fazer cair a aeronave, que transportava 180 israelitas. Não existe, contudo, até ao momento, confirmação oficial sobre as causas do incidente.
“A ideia ingénua de que os nossos inimigos valorizam a vida e merecem a nossa compaixão recebeu, esta manhã, outro lembrete sombrio: um terrorista que planeava abater um avião e assassinar os 180 israelitas que seguiam a bordo”, afirmou Ben Gvir nas redes sociais.
O ministro defendeu que “o terrorismo é um demónio com o qual não cabe chegar a nenhum acordo, exceto o da sua derrota decisiva e da sua erradicação total da face da Terra”. Ben Gvir considerou ainda que “a doutrina de segurança de Israel deve ser elevada a um novo patamar”.
“Israel realizou um grande trabalho nos últimos dois anos e meio, mas não devemos parar. Devemos avançar até alcançar uma vitória decisiva no Irão, no Líbano, em Gaza e na Judeia e Samaria”, acrescentou Gvir, utilizando a designação bíblica para a Cisjordânia.
Smotrich afirmou, por seu lado, que “qualquer pessoa que tente abater um avião e assassinar 180 israelitas deve pagar o mesmo preço que pagaria se tivesse cometido os assassinatos”. “Ele e qualquer Estado ou organização terrorista que o tenha enviado”, acrescentou Smotrich.
“O Estado de Israel deve concentrar-se na intenção, mais do que nas consequências”, defendeu ainda o ministro das Finanças.
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