Barómetro CIP/ISEG prevê abrandamento do crescimento até ao final do ano
Depois de a economia portuguesa ter surpreendido no segundo trimestre, Barómetro CIP/ISEG aponta para um abrandamento na reta final do ano, com os preços da energia a pesarem mais.
Após um segundo trimestre em que o crescimento do PIB “excedeu as expectativas” ao crescer 0,9% em cadeia, as perspetivas do Barómetro CIP/ISEG, divulgadas esta quarta-feira, antecipam um abrandamento do crescimento económico na segunda metade do ano.
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Apesar de a economia portuguesa apresentar “evidentes sinais de robustez num enquadramento externo desafiante“, esta tendência não é garantida para os últimos dois trimestres do ano.
Isto porque, “a transmissão gradual do choque de preços das matérias-primas energéticas aos diversos setores da economia, a perspetiva de prossecução da restritividade da política monetária e o esgotamento dos fundos previstos no PRR aportam alguma incerteza para o crescimento do PIB nos dois últimos trimestres de 2026″. Além disso, o indicador do clima económico estabilizou entre julho e agosto e a confiança dos consumidores “adotou um perfil descendente”.
No segundo trimestre, marcado pelo impacto da guerra no Irão nos preços da energia, a economia portuguesa cresceu 2,6% em termos homólogos. A CIP e o ISEG justificam a aceleração com base num “desempenho positivo do setor exportador e do consumo privado que, beneficiando de um mercado de trabalho resiliente, deu provas de solidez num período marcado por duas subidas das taxas de referência do BCE”.
Não está, no entanto, em causa a revisão em alta da previsão de crescimento da economia portuguesa para a totalidade do ano. O diretor-geral da CIP, Rafael Alves Rocha, detalha que um crescimento nulo em cadeia no terceiro e quarto trimestres já será suficiente para fixar o crescimento anual de 2026 acima da meta do Governo, de 2,1%.
Ainda assim, o responsável alerta que “as empresas estão a resistir a repercutir o aumento dos custos nos seus preços finais, esmagando as suas margens”. Só que, tendo em conta “a persistência em alta dos preços da energia e ao aumento dos custos de financiamento, esta situação não é sustentável por muito tempo e poderá ensombrar a evolução da economia portuguesa nos próximos meses”.
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