“Dentro dos limites orçamentais vamos até ao limite” para conter impacto dos combustíveis
Ministro da Economia assume que a inflação é o "fator que está a correr mal" na economia portuguesa, mas reforça que medidas de apoio para conter subida de preços não pode ameaçar as contas públicas.
O ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, assumiu esta quarta-feira que a inflação é o “que corre menos bem” na economia portuguesa, devido à subida dos preços dos combustíveis, mas voltou a rejeitar medidas que comprometam os limites orçamentais. O governante indica que o Executivo vai continuar a apostar em apoios pontuais a setores estratégicos que podem influenciar os preços no supermercado.
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“A situação económica portuguesa tem um fator que está a correr mal, que é a inflação, por causa dos custos dos combustíveis, por causa da guerra ou das guerras“, admite Castro Almeida. Para o ministro da Economia, “Portugal está a ter efeitos semelhantes ao que existem em toda a Europa”, “mas não podemos fazer de conta que só existe o problema da inflação”.
No que respeita à inflação, nós estamos a procurar tomar medidas para aqueles setores mais estratégicos que podem influenciar mais o custo dos materiais no supermercado, o custo dos produtos no supermercado.
“A inflação é a parte que corre menos bem da economia. Mas é preciso também dar alguma tranquilidade às pessoas porque, a par da inflação que não corre bem, o aumento dos preços que não corre bem, há uma economia que está a crescer mais do que a média, a dívida pública está a diminuir, o emprego está a crescer a níveis como nunca houve em Portugal”, destacou, em respostas aos jornalistas à margem do Fórum AICEP, no Palácio da Bolsa, no Porto.
O ministro frisou que o Executivo está a “procurar tomar medidas para aqueles setores mais estratégicos que podem influenciar mais o custo dos produtos no supermercado”. “É inevitável ter um agravamento dos preços dos combustíveis. Isto existe em toda a Europa. Procurámos pôr medidas que vão dirigidas a fazer com que o aumento dos combustíveis se reflita o menos possível nas propriedades comerciais”, acrescentou.
Castro Almeida reafirmou que “as medidas que estão a ser tomadas são medidas pontuais para os setores que têm mais influência, no caso dos agricultores”. “Para que os agricultores tenham uma vida mais facilitada e para que não repercutam todo o preço do combustível nas prateleiras de supermercados”, acrescentou. “Estamos a apoiar os agricultores, estamos a apoiar os transportadores, apoiámos as empresas que têm maior incidência de custos energéticos nos seus custos de produção, também têm apoios especiais, linhas de crédito que estão a ser aplicadas só a elas”, detalhou.
“E vamos procurando modelar as medidas sempre com um limite: não pôr em causa o equilíbrio das contas públicas”, assume. Sobre a margem para acomodar medidas para conter a subida dos custos de vida no Orçamento do Estado para 2027, o governante realçou que “o ministro das Finanças já explicou que vai procurar que no orçamento de 2027 volte a haver contas certas, ou seja, não haja défice orçamental”.
“Dentro dos limites do equilíbrio orçamental, o Governo está sempre atento para procurar intervir em situações pontuais que procurem ajudar a não amplificar para as prateleiras dos supermercados o aumento dos preços da gasolina nas bombas”. “Dentro dos limites orçamentais vamos até ao limite”, concluiu.
Na comparação com Espanha, onde os impostos sobre os combustíveis são mais baixos, Castro Almeida assume que o país vizinho tem “tradicionalmente uma carga fiscal sobre os combustíveis mais baixa do que em Portugal”. “É quem está aqui ao nosso lado, portanto sente-se isso particularmente, mas Espanha está dissonante do conjunto europeu”. “A inflação em Espanha está bastante superior à inflação em Portugal. É um fator que é positivo para o lado de Portugal, relativamente à Espanha”, enalteceu.
“O compromisso que posso deixar é de que o Governo está mesmo atento a isso. Não há dia nenhum, manhã e tarde, que o Governo não esteja a avaliar a situação e a ver que medidas podem ser tomadas sem pôr em causa o compromisso global que temos de ter com a sustentabilidade das contas públicas, que isso é mais importante do que parece”, reforçou, lembrando que “alguém vai pagar a dívida e paga-se em taxas de juros e paga-se em impostos”. “Não é indiferente ter mais dívida ou ter menos dívida”, rematou.
Castro Almeida notou ainda que facto de Portugal ter uma dívida contida abaixo dos 90% do PIB permite ao país pagar menos juros do que os países que têm défices maiores e dívidas a crescer. “A dívida portuguesa está a diminuir e é por isso que pagámos menos juros”, finalizou.
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