idD Portugal Defence e Fincantieri fazem joint venture para revitalizar Arsenal do Alfeite
A joint venture visa revitalizar o Arsenal do Alfeite e surge depois de ser conhecido o acordo para a compra de três fragatas FREMM EVO à italiana Fincantieri por 3,9 mil milhões.
A idD Portugal Defence e a italiana Fincantieri vão fazer uma joint venture para a revitalização do Arsenal do Alfeite. A transição para o novo modelo de gestão e operacional será feita ao longo de cerca de um ano, nenhum posto de trabalho será afetado, anunciou o Ministério da Defesa em comunicado.
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“O Arsenal vai voltar a ser um ativo de referência ao serviço da Marinha e de Portugal. A iniciativa europeia SAFE permite consolidar uma parceria estratégica com Itália, com o seu Estado e a sua indústria, e edificar a revitalização do Arsenal materializada através de uma Joint Venture da idD Portugal Defence S.A. com a Fincantieri, S.p.A., assegurando investimento, mais tecnologia, maior capacidade industrial, e mais oportunidades de qualificação e formação especializada para os trabalhadores, preservando e valorizando o conhecimento e as competências do Arsenal”, anunciou o Ministério da Defesa em comunicado.
Caberá à joint venture “concretizar a revitalização, executar o investimento e a capacitação do estaleiro, bem como promover a formação, qualificação das pessoas, e sua subsequente operação, por subconcessão do Estado”, refere o mesmo comunicado.
“A transição da Arsenal do Alfeite, S.A. para o novo modelo gestionário e operacional será realizada ao longo de um período de aproximadamente um ano, no qual serão postos em marcha os processos conducentes à revitalização”, pode ler-se ainda.
No âmbito deste processo, “não se prescindirá de um único posto de trabalho. Esta revitalização é estruturada para proteger os trabalhadores”, garante o ministério liderado por Nuno Melo. “O conhecimento, a experiência e as competências existentes são um dos fatores que justificam o investimento e a aposta no futuro do Arsenal, reforçando a sustentabilidade do estaleiro e visando proporcionar perspetivas de futuro mais sólidas para todos os que nele trabalham”, reforça.
“O investimento na formação e melhores condições de trabalho são objetivos centrais. A revitalização será acompanhada por investimento na qualificação e formação especializada das pessoas, permitindo o contacto com novas tecnologias e novas oportunidades de desenvolvimento profissional, fruto de incorporação de novas tecnologias, e processos industriais avançados”, refere ainda.
“Marinha Portuguesa continuará a ser o cliente prioritário”
O anúncio é conhecido depois de Portugal ter fechado com Itália a compra de três fragatas FREMM EVO por 3,9 mil milhões de euros, no âmbito do programa de empréstimo europeu SAFE.
“A Marinha Portuguesa está em pleno ciclo de transformação, a incorporar novos meios navais, tecnologicamente mais avançados e mais exigentes, que requerem novas capacidades de manutenção, novas infraestruturas, novos meios e mais espaços de docagem, maior incorporação tecnológica e mais elevados níveis de qualidade. Queremos que a manutenção destes novos meios navais permaneçam em Portugal e continuem a ser desenvolvidos neste estaleiro“, justifica o Ministério da Defesa.
“Para que isso seja possível, é necessário aumentar a capacidade produtiva do Arsenal. Precisamos de garantir que o estaleiro consegue responder, com a qualidade necessária às necessidades da atual esquadra da Marinha e, simultaneamente, estar preparado para assegurar a sustentação dos novos navios e sistemas que entrarão ao serviço nas próximas décadas”, refere ainda.
Que percentagem o Estado irá manter no ‘novo’ Arsenal do Alfeite, através da idD Portugal Defence (entidade que agrega as participações do Estado português no setor da Defesa), não é adiantado, nem que valor de investimento está previsto ser canalizado para o Arsenal que o Ministério diz ser “uma capacidade estratégica para a Marinha Portuguesa e para a Defesa Nacional”.
No entanto, aquando a sua ida à Comissão de Defesa, Nuno Melo, quando revelou as componentes do negócio das compras das fragatas — que tem uma incorporação da indústria nacional de 8,3%, ou seja, 325 milhões —, adiantou que estava previsto um montante de 95 milhões para “capacitação da Marinha e Arsenal do Alfeite e formação de pessoal”, bem como montantes para melhorias na base naval e a construção de uma doca flutuante.
“A Marinha Portuguesa continuará a ser o cliente prioritário e a sustentação, manutenção e prontidão operacional dos seus meios navais continuará a constituir o núcleo central da atividade desenvolvida no estaleiro”, afiança o Ministério da Defesa. “O Arsenal vai voltar a ser um ativo de referência ao serviço da Marinha e de Portugal”, refere ainda.
Portugal no âmbito do SAFE garantiu uma fatia de 5,8 mil milhões para a compra de fragatas — a absorver o maior montante —, mas também viaturas táticas, satélites, drones ou munições de pequeno calibre. Na passada terça-feira foi fechado um acordo com a FN Herstal, empresa belga com a qual a idD Portugal Defence vai fazer uma joint venture para a instalação de uma fábrica de pequenas munições em Portugal, com a criação de cerca de 100 postos de trabalho, num investimento de 50 milhões. Nessa joint venture o Estado português tem uma posição de 45%.
Contactado pelo ECO/eRadar, o Ministério da Defesa responde: “No presente momento, o Ministério da Defesa Nacional deu a conhecer as informações possíveis sobre o processo em curso, de revitalização do Arsenal do Alfeite.
Novos dados serão comunicados oportunamente”, adiantou fonte oficial.
(Última atualização às 20h14)
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