Menos de metade dos trabalhadores da UE reconhece um vídeo falso de IA
"Apenas cerca de metade das organizações dispõe de medidas essenciais em matéria de cibersegurança e de mais um quarto de plano para as introduzir", aponta o Eurobarómetro.
Três em cada quatro trabalhadores na União Europeia depararam-se com emails, mensagens ou ligações online suspeitas no local de trabalho. Mais de um terço já foi objeto de phishing. Apenas 48% sabe reconhecer um vídeo falso criado por IA, segundo os dados do mais recente Eurobarómetro publicado esta quarta-feira pela Comissão Europeia.
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“O phishing foi a ameaça cibernética mais comum no local de trabalho, com 39% dos funcionários a denunciar mensagens fraudulentas ou sítios Web concebidos para roubar dados ou obter acesso não autorizado”, pode ler-se em comunicado da Comissão Europeia citando dados do Eurobarómetro “Cibersegurança no local de trabalho”, realizado entre 27 de abril e 8 de maio de 2026, junto a 25.747 cidadãos da UE nos 27 Estados-Membros. O inquérito indagou sobre incidentes ocorridos nos seis meses anteriores à sua realização.
Tentativas de roubou de dados pessoais (18%), senhas (16%), ataques de malware (17%) e fraudes geradas pela inteligência artificial (15%) foram outras das ameaças de cibersegurança relatadas pelos trabalhadores inquiridos.
Os dados do Eurobarómetro indicam alguma falta de preparação dos trabalhadores em lidar com este tipo de ameaças. Embora uma larga maioria (83%) reconheça que as potenciais consequências dos ataques cibernéticos são graves, menos de metade (48%) reconhece um vídeo falso gerado por IA.
E há ainda um caminho a percorrer em termos de mitigação de comportamentos de risco que abrem espaço à entrada de agentes maliciosos no ambiente de trabalho: 72% diz conseguir identificar emails suspeitos, 54% verifica o remetente antes de abrir links e apenas 50% bloqueia sempre o computador ao sair da estação de trabalho.
“Os hábitos básicos de ciber-higiene, como verificar os remetentes antes de abrir ligações e utilizar palavras-passe fortes, são comuns mas incoerentes entre os trabalhadores”, pode ler-se em comunicado.
A sensibilização para o risco aumenta com a idade, “salientando a necessidade de formação específica, em especial para os trabalhadores mais jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos”, refere o mesmo documento.
Apenas 18% disseram que a organização no qual trabalham não sofreu nenhum incidente cibernético, “até onde sabem”.
Falta de formação e preparação das empresas
“Apenas cerca de metade das organizações dispõe de medidas essenciais em matéria de cibersegurança e de mais um quarto de plano para as introduzir”, aponta o comunicado.
Seis em cada dez trabalhadores dizem ter recebido formação em cibersegurança no ano anterior, “embora a participação diminua acentuadamente nas organizações de menor dimensão”. E se 85% está interessado em melhorar as suas competências de cibersegurança, a falta de tempo é citada como a principal barreira por 26%.
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