BRANDS' ECOSEGUROS O novo luxo já não se mede em metros quadrados

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  • 30 Setembro 2026

O mercado imobiliário de luxo em Portugal está a crescer, mas a principal transformação está naquilo que os compradores valorizam numa propriedade e no significado que atribuem ao conceito “premium".

O mercado imobiliário de luxo em Portugal está de boa saúde e recomenda-se, mas os compradores têm vindo a demonstrar algumas mudanças na forma como definem este segmento e naquilo que consideram como verdadeiramente excecional.

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Hoje, uma propriedade de elevado valor já não se distingue apenas pela localização, dimensão ou exclusividade. Privacidade, segurança, sustentabilidade, tecnologia e qualidade de vida são alguns dos fatores que assumem um peso cada vez maior na decisão de compra.

Eva Peribáñez, Diretora da Divisão de Arte e Clientes Privados da Hiscox Ibéria

É precisamente esta valorização de critérios que ajuda também a explicar a crescente atratividade de Portugal junto de compradores de elevado património. A segurança, o clima, a qualidade de vida, a conectividade internacional e preços ainda competitivos face a outros mercados prime europeus continuam a posicionar o país como um destino particularmente relevante neste segmento.

Não surpreende, por isso, que a componente internacional seja, aliás, uma das características mais relevantes deste mercado. No segmento residencial acima dos três milhões de euros, o comprador em Portugal continua a ser maioritariamente internacional, com especial presença de nacionalidades como a britânica, norte-americana, alemã e brasileira, segundo a primeira edição do Relatório sobre o Mercado da Habitação de Luxo em Portugal 2026 da Hiscox.

Também do lado da oferta, os dados disponíveis apontam para um crescimento expressivo deste segmento. Em março de 2026, estavam anunciados no Idealista em Portugal mais de 17.000 imóveis com preços superiores a um milhão de euros, face a cerca de 12.000 em 2024, o que representa um aumento de aproximadamente 42% em dois anos. Lisboa, Algarve e Porto concentravam, em conjunto, cerca de três quartos desta oferta.

Mas os números contam apenas uma parte da história. Esta evolução está também ligada à mudança no perfil dos compradores. Ao proprietário mais tradicional, muitas vezes associado à segunda residência, à privacidade e à preservação patrimonial, junta-se hoje uma nova geração de compradores internacionais, mais jovens, móveis e frequentemente ligados a setores como a tecnologia, as finanças ou o empreendedorismo digital.

São perfis com expectativas diferentes, que valorizam design contemporâneo, sustentabilidade, tecnologia, flexibilidade, conectividade e a possibilidade de integrar de forma mais fluida casa, trabalho e lazer, sem abdicar de elevados níveis de segurança, conforto e privacidade.

É precisamente por isso que importa olhar para o mercado de luxo de forma mais ampla. Quando muda aquilo que valorizamos numa propriedade, mudam também os riscos associados a esse património e a forma como deve ser protegido.

Uma residência de elevado valor não é apenas um imóvel. É frequentemente o espaço onde coexistem obras de arte, joalharia, coleções, equipamentos tecnológicos, peças únicas e outros bens com elevado valor material e emocional. Proteger este património exige uma compreensão profunda do cliente, das suas escolhas e da forma como vive esses ativos.

Compreender a evolução deste mercado implica, assim, olhar para além dos preços e das transações. No segmento de luxo, assegurar uma propriedade já não significa apenas proteger um imóvel, mas preservar um património construído ao longo do tempo, os bens que o tornam único e o estilo de vida que lhe está associado.

Por Eva Peribáñez, Diretora da Divisão de Arte e Clientes Privados da Hiscox Ibéria

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