Ouro e brilho nas coleções de Dior e Saint Laurent, sem iluminar a bolsa

Lina Santos,

LVMH e Kering apresentaram esta terça-feira os seus trunfos para 2027. Os investidores estão prudentes e esperam a apresentação dos resultados deste trimestre.

Nomeado há um ano, Jonathan Anderson está agora em pleno na casa Dior e incutiu leveza na coleção primavera/verão 2027 que apresentou esta terça-feira à tarde em Paris. À noite, Anthony Vaccarello cobriu de ouro o desfile de Saint Laurent, com vista para a Torre Eiffel. A crítica especializada reagiu positivamente a ambos, já as bolsas primaram pela neutralidade (e ausência de entusiasmo).

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Na Saint Laurent, os tons dourados foram omnipresentes. Estiveram nos vestidos, nos casacos, nas saias, nos trench coats, no gigantesco lustre suspenso sobre a passerelle, até na Torre Eiffel, que serviu de cenário. A exceção foi deixada para o fim da noite, em negro, com o fato de veludo usado por Anja Rubik. Anthony Vaccarello, há dez anos à frente da direção criativa da marca, pode ter tido aqui o seu último desfile para a marca francesa, diz a Reuters.

Na Dior, horas antes, Jonathan Anderson tinha escolhido o registo quase oposto. Era dia claro quando, sobre uma passerelle construída no Jardim das Tulherias, apresentou uma coleção feita de transparências, plissados, saias de chiffon, alfaiataria desconstruída e acessórios cuidados, que esta quarta-feira ‘invadiram’ as redes sociais da marca (e até as do diretor criativo). Aqui e ali viram-se tecidos metálicos, prateados e dourados. Mas leveza é uma boa palavra para descrever as escolhas do designer irlandês.

Ambas as marcas chegam a 2027 com responsabilidades dentro dos respetivos grupos. A Dior é uma das insígnias mais importantes da LVMH e, além da forte expectativa gerada em torno do trabalho de Jonathan Anderson, o ano tem sido marcado por notícias em torno da sua gestão — quebras recorde em bolsa, alegadas tensões familiares e um novo desenho empresarial para assegurar que os Arnault continuam na liderança.

Enquanto isso, na Kering, o CEO Luca de Meo está a levar a cabo uma reorganização da empresa, sobre a qual tem vindo a falar em sucessivos encontros, como a centralização de operações e a redução no número de fornecedores.

Esta quarta-feira os resultados em bolsa foram positivos, mas tímidos. Na LVMH, foi de apenas 0,18%. Na Kering, as ações tinham caído cerca de 2% na terça-feira, antes do desfile, e abriram hoje a ganhar 0,69%. A maior subida, de 2,17%, verificou-se na segunda-feira, primeiro dia depois de Demna apresentar a coleção da Gucci, o porta-aviões da empresa liderada pela família Pinault.

A reação não chega para inverter a tendência de queda das duas empresas que se vem verificando desde 2023. As atenções estão viradas apresentação dos resultados do terceiro trimestre das duas empresas: a LVMH fá-lo-á em meados de outubro, a Kering a 22 de outubro.

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