Portugal é dos países europeus que mais recorre à intermediação no crédito à habitação

Só o Reino Unido, a Polónia e a Eslováquia superam os 57% de crédito à habitação que passam por intermediários em Portugal, segundo um inquérito europeu.

ECO Fast
  • Mais de metade do crédito à habitação em Portugal é feito por intermediários de crédito, colocando o país em quarto lugar entre dez mercados analisados pela FECIF.
  • A quota dos intermediários de crédito em Portugal é de 57% para habitação e 22% para crédito ao consumo, destacando-se em comparação com outros países europeus.
  • A FECIF aponta dificuldades no setor, como a falta de formação contínua e acesso limitado a registos, que afetam a eficiência dos intermediários.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Mais de metade do crédito à habitação em Portugal passa pelos intermediários de crédito, segundo um inquérito da Federação Europeia de Consultores Financeiros e Intermediários Financeiros (FECIF) publicado esta quarta-feira, que coloca o país em quarto lugar entre dez mercados analisados.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

A FECIF estima que a quota dos intermediários de crédito nos empréstimos para a compra de casa seja de 57%, um valor próximo dos 56% que o Banco de Portugal apurou com uma metodologia diferente, com base em dados de 2025. Só o Reino Unido (87%), a Polónia (70%) e a Eslováquia (60%) registam percentagens superiores.

“Mais de 50% do crédito hipotecário em vários mercados europeus já é distribuído através de intermediários de crédito”, afirma a FECIF, defendendo que o seu papel deveria ter maior reconhecimento no enquadramento regulamentar da União Europeia.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

No crédito ao consumo sem garantia, a quota dos intermediários de crédito em Portugal é de 22%, também a quarta mais elevada entre a dezena de mercados analisados. Itália lidera com 50%, seguida da Eslováquia e da Hungria (25% cada), enquanto França e Polónia ficam nos 20%, Espanha nos 15%, a Alemanha nos 10% e o Reino Unido nos 5%.

O Banco de Portugal, que exclui a habitação e inclui o crédito automóvel, indica numa análise publicada no Boletim Económico de junho que 51% do montante de crédito aos consumidores foi comercializado com intermediário em 2025. Entre 2021 e 2025, a intermediação superou 80% no crédito automóvel e ficou em cerca de 20% no crédito pessoal, um valor próximo dos 22% da FECIF, embora a federação não detalhe como calculou a sua quota nem que produtos inclui.

A segunda vertente do inquérito da FECIF diz respeito à digitalização, notando que Portugal integra, com a Hungria e a Itália, o grupo de mercados em recuperação, onde o processo hipotecário ainda não é digital de ponta a ponta, enquanto França, Alemanha, Áustria, Espanha e Reino Unido formam o grupo mais avançado.

A FEFCIF salienta que em Portugal é possível comparar ofertas, fazer uma pré-qualificação indicativa, submeter o pedido, gerir documentos, comunicar com o credor e acompanhar o processo por via digital, mas a pré-qualificação vinculativa não consta das etapas digitais assinaladas.

Além disso, nota que os intermediários portugueses não têm acesso direto a nenhum dos registos considerados, que incluem o de crédito, o predial, as bases fiscais ou de rendimentos e as de identificação. Segundo a FECIF, em muitos Estados-membros, os intermediários têm acesso limitado ou indireto aos registos públicos, o que resulta em “duplicação de documentação e em tempos de processamento mais longos”.

Para Portugal, a federação europeia do setor identifica três dificuldades principais: os encargos de reporte, a integração fragmentada com os mutuantes e a falta de formação contínua. Contudo, o estudo não quantifica prazos nem custos.

O Banco de Portugal, no estudo que publicou em junho, descreve o setor como muito atomizado, com pequenas entidades sem estruturas dedicadas à conformidade, notando ainda que registou 93 reclamações contra intermediários em 2025, mais 52,5% do que em 2024.

O estudo da FECIF não identifica quem respondeu em nome de Portugal e assenta em respostas de associações nacionais recolhidas entre 28 de março e 18 de maio de 2026, com exceção da Polónia e da Eslováquia, que responderam em julho – a Associação Nacional de Intermediários de Crédito Autorizados (ANICA) tornou-se recentemente membro da FECIF, que anunciou a entrada da associação portuguesa e da irlandesa Brokers Ireland a 23 de setembro.

Os resultados servem de base às posições da FECIF numa eventual revisão da Diretiva do Crédito Hipotecário, para a qual a federação propõe maior harmonização das regras, acesso proporcionado a registos públicos, interoperabilidade digital e remuneração previsível.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Portugal é dos países europeus que mais recorre à intermediação no crédito à habitação

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião