“Queremos ter mais mundo”. Futura presidente da AICEP assume ambição para ajudar Portugal a criar valor

A um dia de assumir a presidência da AICEP, Ana Casaca revelou que chega à agência num momento em que há "sinais de transformação profunda" na economia portuguesa, com empresas mais competitivas.

Ana Casaca, que assume esta quinta-feira, dia 1 de outubro, a presidência da AICEP, destacou que Portugal tem, neste momento, “uma economia mais aberta, competitiva e com empresas a competir” noutros mercados. A sua ambição à frente da AICEP, diz, é promover a ambição em escala e a escala em impacto, ajudando a colocar empresas portuguesas em posições relevantes nos mercados externos e criar valor para o país.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

“As instituições fortes constroem-se com continuidade, exigência e capacidade para renovar constantemente a sua ambição“, disse no Fórum AICEP, que decorre esta quarta-feira no Palácio da Bolsa, no Porto, e que contou com a presença do do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, e do secretário de Estado da Economia.

“A minha missão [à frente da AICEP] resume-se nestas três palavras: ambição, escala e impacto”, destacou Ana Casaca, num discurso no Fórum AICEP, que decorre esta quarta-feira na cidade do Porto. A futura presidente da agência destacou que ambiciona ter “mais empresas portuguesas em posições relevantes nos mercados internacionais. Queremos ter mais mundo“.

Segundo adiantou, “a ambição precisa de escala”, para levar mais empresas aos mercados internacionais. Partindo de uma posição onde, diz, “há sinais de transformação profunda [na economia], temos empresas indústrias altamente competitivas, centros de conhecimento reconhecimento internacionalmente”, a responsável quer ajudar as empresas nacionais a reforçarem a sua relevância além fronteiras, ajudando “a abrir mercado a empresas portuguesas, atrair capital para Portugal e acompanhar empresas” lá fora.

“Mas ambição e escala não são fim em si mesmas. É preciso impacto, criar mais valor em Portugal, ter empresas mais fortes, maior produtividade, mais investimento e reinvestimento, mais emprego qualificado e mais valor criado nas regiões do país”.

“É transformar oportunidades e valor para Portugal”, reforça. “Estas três dimensões — ambição, escala e impacto — constroem-se em conjunto, com as empresas, investidores, regiões, com diplomacia economia”, reforçou. “Amanhã assumo formalmente a AICEP com um compromisso claro transformar ambição em escala e escala em impacto, para servir Portugal“, rematou.

O nome de Ana Casaca para a AICEP foi aprovado em conselho de ministros a 9 de setembro, com a ex-diretora de inovação da Galp a substituir Madalena Oliveira e Costa à frente da agência no arranque de outubro.

Numa sessão que ficou simultaneamente marcada pela despedida da ainda presidente da AICEP e das primeiras palavras da futura, Manuel Castro Almeida e Coesão Territorial, ministro da Economia deixou “uma palavra muito especial à Dra. Madalena Oliveira e Silva, reconhecendo a forma como exerceu as suas responsabilidades e a liderança que imprimiu à AICEP“. “A sua competência, a sua dedicação e empenho, a forma como se entregou a esta missão e o compromisso que demonstrou ao longo deste percurso são não só louváveis, como deixam uma marca que permanecerá nesta instituição”, destacou.

Foi sob a responsabilidade da Dra. Madalena Oliveira e Silva que a AICEP atingiu um resultado que muito valorizo: o cumprimento dos prazos na apreciação das candidaturas aos fundos europeus do PT2030. Hoje não há candidaturas por analisar na AICEP com mais de 60 dias.

Manuel Castro Almeida

Ministro da Economia e Coesão Territorial

“A condução de uma instituição desta natureza exige visão, conhecimento, capacidade de decisão e, sobretudo, uma compreensão muito clara de que a sua missão se cumpre diariamente na relação com as empresas, com os investidores e com todos aqueles que representam Portugal no exterior”, acrescentou ainda, colocando uma ênfase nos resultados. “Foi sob a responsabilidade da Dra. Madalena Oliveira e Silva que a AICEP atingiu um resultado que muito valorizo: o cumprimento dos prazos na apreciação das candidaturas aos fundos europeus do PT2030. Hoje não há candidaturas por analisar na AICEP com mais de 60 dias”.

Sobre o novo mandato que agora se inicia, o governante destacou que “há momentos de transição que dizem muito sobre a qualidade das instituições e sobre a forma como aqueles que as servem entendem a responsabilidade pública. O facto de termos hoje, neste Fórum, a intervenção da presidente cessante e da nova presidente é, nesse sentido, particularmente significativo”. “Revela uma passagem de testemunho devidamente preparada, feita com maturidade, com elevação, com respeito pelo trabalho desenvolvido, mas também com confiança em quem assume agora a responsabilidade de prosseguir e aprofundar um caminho de ambição”, aplaudiu.

A tarefa é “transformar estabilidade em investimento

No que diz respeito ao futuro, o ministro nota que “uma economia como a portuguesa não pode viver fechada sobre si própria”.

“A competição internacional tornou-se mais intensa. Economia, tecnologia, energia, segurança e política externa cruzam-se de uma forma cada vez mais evidente, e os países disputam entre si não apenas mercados, mas investimento, talento, conhecimento, centros de decisão e capacidade industrial”, apontou, destacando que Portugal tem de afirmar-se nesta conjuntura.

“O Governo assumiu como prioridade a transformação do Estado e da economia portuguesa porque não podemos pretender competir no exterior mantendo internamente obstáculos que retiram velocidade, previsibilidade e capacidade de decisão às empresas e ao investimento”, explicou. Por outro lado, defende, “a estabilidade das contas públicas é essencial”, porque “dá confiança, reduz vulnerabilidades e permite ao país fazer escolhas com maior autonomia”.

Olhando para aquilo que é a missão da AICEP, de ajudar as empresas a internacionalizarem-se, Castro Almeida argumenta que “a internacionalização não é, portanto, uma etapa posterior ao crescimento. Em muitos casos é aquilo que permite o crescimento”.

“Uma das nossas prioridades económicas é reforçar a capacidade exportadora do país e alargar a presença das empresas portuguesas a novos mercados”, destaca. “O aumento das exportações será decisivo para o crescimento da economia portuguesa, porque é nos mercados externos que muitas das nossas empresas encontram a escala necessária para crescer, ganhar produtividade e criar mais valor em Portugal”, justifica.

Dito isto, Castro Almeida assinala que Portugal deve olhar para as novas oportunidades de abertura comercial, como o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. “A sua aplicação provisória, iniciada em maio deste ano, abriu novas condições de acesso a um espaço económico de enorme dimensão e particularmente relevante para Portugal pelas relações históricas, culturais e económicas que aí mantemos”. Aqui, o papel da AICEP é “ajudar as empresas portuguesas a identificar oportunidades, encontrar parceiros e chegar mais depressa a mercados onde podemos ter vantagens”.

Segundo o ministro da Economia, “num mundo em transformação, Portugal tem também de saber utilizar melhor a posição que ocupa”. “A nossa abertura ao mundo, a nossa estabilidade política e financeira, as contas públicas equilibradas, a qualidade da formação científica, tecnológica e de gestão, são elementos decisivos para impulsionar o Investimento Direto Estrangeiro, a outra importante tarefa da AICEP”, sustenta.

“A presença externa de um país constrói-se pelas empresas que conquistam mercados, pelo investimento que atrai, pelas marcas que ganham reconhecimento e pela confiança que somos capazes de criar. É essa a tarefa que temos diante de nós: transformar estabilidade em investimento, conhecimento em valor e presença no mundo em prosperidade dentro do país”, remata.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

“Queremos ter mais mundo”. Futura presidente da AICEP assume ambição para ajudar Portugal a criar valor

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião